Secretário de Estado vaticano fala da visita papal ao Sri Lanka e às Filipinas
Cidade do Vaticano, 09 de Janeiro de 2015 (Zenit.org)
O papa está prestes a visitar o continente que é "o berço
das grandes religiões do mundo" e no qual a Igreja "é um pequeno
rebanho" em meio a uma realidade muito vasta e complexa. Na Ásia, a
Igreja assume uma missão importante em "actividades de caridade no campo
da saúde e da educação" e no diálogo entre as religiões, que é
"fundamental para a paz no mundo de hoje e é um dever de todas as
religiões".
Faltando poucos dias para a partida do papa Francisco ao Sri Lanka e
às Filipinas, o cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do
Vaticano, falou da viagem durante uma entrevista feita pelo Centro
Televisivo Vaticano e pelo jornal L'Osservatore Romano.
O cardeal identifica na Igreja "uma ponte", especialmente no Sri
Lanka, onde a convivência nem sempre é fácil. “A Igreja congrega membros
dos dois principais grupos étnicos do país, os tâmeis e os cingaleses, e
por isso ela conhece um pouco do que está no coração de todos eles e as
suas expectativas. Assim, ela pode levar a cabo esta tarefa de
reconciliação, de diálogo e de colaboração".
Símbolo da "Igreja ponte" é o santuário de Madhu, que o papa vai
visitar e que se localiza em uma região predominantemente tâmil. "O
Madhu é conhecido, apreciado e frequentado por membros de outras
religiões, não só pelos católicos", diz Parolin.
Mas as feridas da guerra civil no Sri Lanka ainda não estão
completamente curadas. "Eu acredito que o papa Francisco, tal como fez
em 8 de Fevereiro ao se encontrar com a comunidade do Sri Lanka no
Vaticano, vai recordar todos esses episódios dolorosos, as muitas
lágrimas que foram derramadas por causa da violência e da crueldade do
conflito. Não para reabrir as feridas, mas para lançar um olhar em
direcção ao futuro".
Quanto às Filipinas, Parolin disse: "O papa quer, com esta viagem,
dar continuidade à da Coreia, concentrar a atenção da Igreja nesta
realidade e, ao mesmo tempo, inserir-se na jornada de nove anos que está
nos levando rumo à celebração do quinto centenário da chegada do
Evangelho às Filipinas, em 1521. E este ano é o ano dedicado aos
pobres".
Parolin também lembrou que "as Filipinas, geograficamente, têm tido
uma relevância central: basta pensar em quantas reuniões importantes
foram realizadas lá, começando com a visita do beato Paulo VI em 1970,
que deu origem à constituição da Federação das Conferências Episcopais
da Ásia". Ele também recorda o elevado número de jovens que chegam de
outras partes da Ásia para estudar nas universidades católicas
filipinas, além da "irradiação de filipinos por todo o mundo".
O "potencial de evangelização" das Filipinas é "múltiplo", acrescenta
o cardeal Parolin. "O importante é que a Igreja nas Filipinas acolha
esta mensagem e este impulso dado pelo papa Francisco para ser uma
Igreja que sai a campo: uma Igreja que ouve a tarefa da evangelização e
do anúncio do Evangelho".
(09 de Janeiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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