| O Papa saúda Riccardi |
"Aceitar o desafio de ser Igreja-povo é crucial"
"A Igreja errou ao apresentar-se como o partido dos valores tradicionais"
Redacção, 10 de Dezembro de 2014 às 18:00
O historiador e biógrafo de papas Andrea Riccardi considera que "o grande erro" da Igreja Católica foi "apresentar-se como o partido dos valores tradicionais, quando é a tradição da esperança".
Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio e ex-ministro da República italiana, pronunciou hoje em Barcelona a conferência "Uma adiada renovação eclesial", com a qual se inaugurou o III Simpósio Internacional sobre o Concílio Vaticano II: A Igreja, mistério de comunhão e missão, que organiza a Faculdade de Teologia da Catalunha.
Para este especialista na história da Igreja católica nos séculos XIX e XX, a cinquenta anos da finalização do Vaticano II (1965-2015) pode-se afirmar que sem esse concílio "a Igreja teria naufragado e seria uma pequena comunidade com um grande passado".
Também destacou que a Igreja não é tão forte como era nos anos 60, com mais de um milhão de religiosos consagrados, e o mundo também mudou e disse que "aceitar o desafio de ser Igreja-povo" é para ela "questão de vida ou morte".
Riccardi indicou que agora a Igreja é "frágil" e "insignificante" e está obrigada a afrontar a globalização que, na sua opinião, é a que leva aos fundamentalismos porque "nasceu de estar sem raízes".
O professor Riccardi foi amigo pessoal dos últimos papas e autor do livro "A surpresa do Papa Francisco", no qual se abordam as ideias-força do presente pontificado e o projecto eclesial que há detrás da figura do papa.
"Com Francisco a palavra 'povo' de novo volta a fluir no nosso idioma: o povo de Deus, que não tem limites marcados", destacou Riccardi, que pôs ênfase no compromisso comunitário que reclama Bergoglio.
Neste sentido, considerou que Francisco "não é um Papa liberal que sucedeu a um Papa tradicional" porque "conservadores e liberais são categorias equivocadas na vida da Igreja".
"Francisco encarnava o sonho de reconciliação, não aceita uma Igreja que se resigna a ser uma minoria, quer uma comunidade de pessoas", explicou o especialista, que reconheceu que o actual papa tem "muita oposição, dentro e fora da cúria, e sabe-o".
Para Riccardi, o papa Francisco "sonha num mundo e numa Igreja na qual há muitos sonhos. O seu sonho é o Concílio".
Andrea Riccardi assinalou precisamente que a encíclica papal "Evangelii Gaudium" dedica um capítulo à "renovação da Igreja", no qual Francisco disse: "Sonho com uma opção missionária que pode transformar tudo..."
"Parece-me que a Igreja teve problemas para ler o mundo global. O sonho do concilio era para mudar homens e mulheres com a palavra do Evangelho, e também para mudar o mundo", disse, mas na sua opinião não o fez porque perante os abandonos e a perda de capacidade atractiva, mais que a transformar dedicou-se a "conter as perdas".
Num encontro com jornalistas, Riccardi manifestou-se convencido de que precisamente, graças à "sua grande aliança com o povo", o papa Francisco conseguirá uma renovação profunda da Igreja que passa por pôr fim à "sub-cristandade clerical". (RD/Agencias)
"A Igreja errou ao apresentar-se como o partido dos valores tradicionais"
Redacção, 10 de Dezembro de 2014 às 18:00
O historiador e biógrafo de papas Andrea Riccardi considera que "o grande erro" da Igreja Católica foi "apresentar-se como o partido dos valores tradicionais, quando é a tradição da esperança".
Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio e ex-ministro da República italiana, pronunciou hoje em Barcelona a conferência "Uma adiada renovação eclesial", com a qual se inaugurou o III Simpósio Internacional sobre o Concílio Vaticano II: A Igreja, mistério de comunhão e missão, que organiza a Faculdade de Teologia da Catalunha.
Para este especialista na história da Igreja católica nos séculos XIX e XX, a cinquenta anos da finalização do Vaticano II (1965-2015) pode-se afirmar que sem esse concílio "a Igreja teria naufragado e seria uma pequena comunidade com um grande passado".
Também destacou que a Igreja não é tão forte como era nos anos 60, com mais de um milhão de religiosos consagrados, e o mundo também mudou e disse que "aceitar o desafio de ser Igreja-povo" é para ela "questão de vida ou morte".
Riccardi indicou que agora a Igreja é "frágil" e "insignificante" e está obrigada a afrontar a globalização que, na sua opinião, é a que leva aos fundamentalismos porque "nasceu de estar sem raízes".
O professor Riccardi foi amigo pessoal dos últimos papas e autor do livro "A surpresa do Papa Francisco", no qual se abordam as ideias-força do presente pontificado e o projecto eclesial que há detrás da figura do papa.
"Com Francisco a palavra 'povo' de novo volta a fluir no nosso idioma: o povo de Deus, que não tem limites marcados", destacou Riccardi, que pôs ênfase no compromisso comunitário que reclama Bergoglio.
Neste sentido, considerou que Francisco "não é um Papa liberal que sucedeu a um Papa tradicional" porque "conservadores e liberais são categorias equivocadas na vida da Igreja".
"Francisco encarnava o sonho de reconciliação, não aceita uma Igreja que se resigna a ser uma minoria, quer uma comunidade de pessoas", explicou o especialista, que reconheceu que o actual papa tem "muita oposição, dentro e fora da cúria, e sabe-o".
Para Riccardi, o papa Francisco "sonha num mundo e numa Igreja na qual há muitos sonhos. O seu sonho é o Concílio".
Andrea Riccardi assinalou precisamente que a encíclica papal "Evangelii Gaudium" dedica um capítulo à "renovação da Igreja", no qual Francisco disse: "Sonho com uma opção missionária que pode transformar tudo..."
"Parece-me que a Igreja teve problemas para ler o mundo global. O sonho do concilio era para mudar homens e mulheres com a palavra do Evangelho, e também para mudar o mundo", disse, mas na sua opinião não o fez porque perante os abandonos e a perda de capacidade atractiva, mais que a transformar dedicou-se a "conter as perdas".
Num encontro com jornalistas, Riccardi manifestou-se convencido de que precisamente, graças à "sua grande aliança com o povo", o papa Francisco conseguirá uma renovação profunda da Igreja que passa por pôr fim à "sub-cristandade clerical". (RD/Agencias)
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