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sábado, 8 de março de 2014

«Centenas de pessoas vieram até mim para converter-se»: aos seus 96 anos, a irmã Clarice faz balanço

Uma vida com obreiros e catecúmenos na budista Ceilão 

A irmã Clarice trabalhou com jovens explorados e deu
catequese a centenas de convertidos
Actualizado 7 de Março de 2014

Melani Manel Perera / AsiaNews

"A missão mais importante da minha vida foi estar ao lado dos jovens apoiando-os e anunciar a Cristo, para ajudar ao próximo a construir a sua própria fé. Só isto me fez feliz".

"Centenas de pessoas vieram até mim para converter-se. Entre eles muitos budistas, e alguns hindus e muçulmanos".

Assim a irmã Mary Clarice Karunanayake, de 96 anos, religiosa do Sri Lanka, descreve à AsiaNews a sua história e a história da missão no seu próprio país.

A religiosa pertence à Ordem da Sagrada Família e sempre trabalhou na província central, na zona de Colombo. Hoje vive em Snatha Samaya, uma casa de descanso no convento de Wennauwa.

"Trabalhei muito até quando pude (explica) e agora passo a minha vez na oração".

Sempre gostou das religiosas
A irmã Clarice recorda muito bem quando recebeu a vocação à vida consagrada: "Deus quis-me em 1940, quando era ainda uma jovem e vivia em Dankotuwa (a Província do Oeste). Estudava no convento de Wennappuwa. Sempre gostei das irmãs, desde quando era rapariga. Cada vez que via uma, ou uma noviça, olhava-as como raptada. Quando terminei os estudos pude realizar o meu desejo e fiz-me irmã da Sagrada Família. Fui docente e ensinei em diferentes escolas femininas".

Contra os abusos em zonas Free Trade
Da sua longa vida recorda com particular afecto a sua obra de apoio a tantos jovens que, nos anos 70 trabalhavam na Zona de livre mercado (Free Trade Zone, Ftz) de Katunayake, instituída pelo governo no contexto de uma política económica mais aberta.

"Nessa época (conta) muitíssimos rapazes e raparigas vinham à Ftz para trabalhar nas fábricas têxteis ou em outras empresas. Alugavam pequenas casas e compravam o que necessitavam nos negócios vizinhos. Logo os negociantes começaram a aproveitar-se destes jovens, aumentando os preços das coisas. Não podíamos tolerar este sistema. Assim que eu, com uma irmã e alguns rapazes começámos a comprar arroz, coco, óleo para cozinhar, peixe seco e verduras, e a vendê-las aos rapazes que trabalhavam na Ftz, a preços razoáveis".

Tal sistema foi a ocasião para instaurar uma relação diferente com estes jovens: "Tínhamos iniciado encontrando-nos nos seus dias livres e explicávamos-lhes que o ser humano necessita de um sustém espiritual, além do físico".

A pressão dos empresários
Os negociantes e os empresários não toleravam esta situação. "Queriam travar-nos (recorda) um dia fizeram prender Freddy, um membro do nosso grupo que nos ajudava com os trabalhadores da Ftz. Quando o soube fui correndo à polícia para libertá-lo. Expliquei-lhes que o conhecia e que era inocente. Não queriam deixá-lo ir, assim fiquei e pus-me a rezar. À noite foi libertado".

A irmã Clarice ficou com os trabalhadores da Fzt por uns 5 anos. Depois começou a dar catecismo, a falar de Jesus com quem queria converter-se. "Esta missão (sublinha) estevo cheia de satisfações e alegrias, porque me permitiram entrar no estreito contacto com quem queria abraçar o cristianismo. Centenas de pessoas vieram até mim para converter-se. Entre eles muitos budistas, e alguns hindus e muçulmanos".


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