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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Para quê ir á missa? Se não tenho vontade!»: conheça a resposta, muito lógica, do padre Loring

Um propósito para 2014: não faltar à missa 

O que afasta muitos da missa não é o sono nem a preguiça,
mas sim a ignorância
Actualizado 2 de Janeiro de 2014

ReL

O jesuíta Jorge Loring, que faleceu no passado dia de Natal aos 92 anos de idade, tornou-se famoso pelas suas respostas directas a perguntas directas. Ao longo da sua vida viu como se reduzia a percentagem de pessoas que assistiam à Misa aos domingos.

Na sua opinião, tinha mais que ver com a ignorância que com a preguiça ou a falta de fé.

No seu livro "Anedotas de uma vida apostólica" (De Buena Tinta), explica como respondia à pergunta "porque me pedem para ir à misa, se não tenho vontade?"

Reproduzimo-lo aqui.

Porque há que ir à missa,
por Jorge Loring, sj

Mete pena a tremenda ignorância religiosa que há sobre o valor da Santa Missa.

Muitos dizem que não vão à Missa porque não sentem nada. Estão em erro.

O cristianismo não é questão de emoções, mas sim de valores. Os valores estão por cima das emoções e prescindem delas.

Uma mãe prescinde de si tenha ou não vontade de cuidar do seu filho, pois o seu filho é para ela um valor.

Quem sabe o que vale uma Missa, prescinde de si tenha vontade ou não. Procura não perder nenhuma, e vai de boa vontade.

A vontade não coincide sempre com o ter vontade. Tu vais ao dentista voluntariamente, porque compreendes que tens que ir; mas pode ser que não tenhas nenhuma vontade de ir.

Alguns dizem que não vai à Missa porque para eles isso não tem sentido. Como vai ter sentido se tem uma lamentável ignorância religiosa?

A ninguém se pode convencer do que não conhece. A quem carece de cultura, tampouco lhe diz nada um museu. Mas uma jóia não perde valor porque haja pessoas que não sabem apreciá-la. Há que saber descobrir o valor que tem as coisas para poder apreciá-las.

Outros dizem que não vão à Missa porque não lhes apetece, e para ir de má vontade, é preferível não ir.

Se a Missa fosse uma diversão, seria lógico ir só quando apetece. Mas as coisas obrigatórias há que fazê-las com vontade e sem vontade.

Nem todo o mundo vai às aulas ou ao trabalho porque lhe apetece. Às vezes há que ir sem vontade, porque temos obrigação de ir.

Que um fume ou deixe de fumar, segundo a vontade que tenha, passa. Mas o ir trabalhar não pode depender de ter ou não vontade. O mesmo se passa com a Missa.

O cumprimento das obrigações não se limita a quando se tem vontade. O sensato é por boa vontade em fazer o que se deve.

O padre Loring dando alguma resposta clara
a um jovem estudante
Muitos cristãos não tem em conta o valor incomparável da Santa Missa.

Na missão de Torrevieja (Alicante), os missionários alojávamo-nos num hotel. Eu falava no casino à juventude maior de dezasseis anos.

Durante a refeição disse-nos o padre Pardo:
— Hoje disse aos estudantes uma coisa que lhes fez impacto.
— O quê?
— Falando do valor da Missa disse-lhes que se a mim me dessem um milhão de pesetas para que deixasse a Missa, deixaria o milhão, não a Missa. Puseram umas caras de admiração!

E eu disse-lhe: — Magnífica ideia!

Eu faria o mesmo. Uns dias depois ao dizer eu isto numas conferências que estava dando em Écija, o milhão pareceu-me pouco, e disse: dez, cinquenta, cem, mil milhões, nem por todo o ouro do mundo eu deixaria de dizer uma só Missa.

Repartindo mil milhões de pesetas eu poderia fazer muito bem: pois ajudo mais à humanidade dizendo uma Missa; pois os mil milhões de pesetas têm um valor finito, e a Santa Missa é de valor infinito.

Quando sabes o que vale uma Missa, não te importam os sacrifícios que tenhas que fazer para não perdê-la.

Numa ocasião viajava eu de Barcelona a Sevilha no comboio expresso que em Barcelona chamavam «o sevilhano» e em Sevilha «o catalão».

Saímos de Barcelona às onze da noite. Chegava-se a Sevilha às seis da tarde do dia seguinte. Pela manhã as pessoas da carruagem tiravam os seus lanches para o pequeno-almoço. Eu com o meu livro, sem levantar a cabeça.

Chegou o meio-dia e as pessoas voltaram a tirar os seus lanches. E eu, nada. Ao verem as pessoas que eu não tomava nada, ofereciam-me:
— Padre, quer um lanche?
— Não. Muito obrigada.
— Mas não tomou nada desde que saímos de Barcelona.
— É que ao chegar a Sevilha quero dizer Missa.

Naquele tempo o jejum eucarístico tinha que guardá-lo desde as doze da noite anterior. Não se podia tomar nem um copo de água antes da Missa. Os da carruagem ficaram admirados. Mas eu preferia não tomar nada e poder dizer Missa ao chegar.

Em Sevilha, quando cheguei a minha casa, lavei-me e disse Missa, deram as nove da noite. Então tomei o pequeno-almoço, almocei e ceei, tudo junto. Sacrifiquei-me um pouco, mas disse Missa que vale muito mais.

O que vale uma missa expressa-o o padre Royo, O.P., dizendo: «Uma só missa glorifica a Deus mais que toda a glória que lhe dão todos os santos do céu, incluída a Santíssima Virgem, por toda a eternidade».

Isto parece exagerado, mas quando te explicam compreendes. A glória que dão os santos e a Virgem é glória de criatura. A Santíssima Virgem é a jóia da humanidade, a pérola da criação, mas criatura. E na Santa Missa é Cristo-Deus quem se sacrifica; e isto vale muito mais.

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