Actualizado 4 de Janeiro 2014
Ethel Bonet / ElTiempo.com
Ethel Bonet / ElTiempo.com
| Uma cristã caldeia reza em Erbil |
“Em 2003 havia 1,2 milhões de cristãos. Hoje não somamos mais de 300.000”. A voz de Ano Jawhar Abdoka, o presidente do governante Partido Democrático do Curdistão (PDK) no distrito de Ainkawa, enche-se de amargura ao falar da situação dos cristãos no Iraque.
A violência sectária levou centenas de milhares de cristãos a emigrar para outros países. Os que ficaram procurando protecção no Curdistão. A maioria são seguidores da Igreja católica Caldeia, que representa 75 por cento dos cristãos no Iraque. O segundo ramo é a igreja Assíria ou Nestoriana, seguida da siríaco-ortodoxa, e em menor número os arménios e protestantes.
“Como é possível que os descendentes de uma das primeiras civilizações que se assentaram na antiga Mesopotâmia (os caldeus e os assírios), e que falam a língua de Jesus Cristo (o arameu), nos tenhamos convertido em párias no nosso país?”, exclama Abdoka.
Depois de muitas perseguições e ameaças dos grupos radicais muçulmanos, milhares de famílias cristãs escaparam das cidades de Basora, Bagdad e Mosul para refugiar-se em Ainkawa.
O Curdistão iraquiano é a única região onde os cristãos são tolerados, de momento, e podem colocar alguns direitos. Graças ao sistema de quotas para a protecção das minorias étnicas e religiosas, reservam-se pelo menos seis lugares aos cristãos (cinco para os caldeus, assírios e sírios e outro para os arménios) no parlamento curdo.
Depois do levantamento dos curdos contra Sadam Hussein, em 1991 (coincidiu com a primeira guerra do Golfo), criou-se uma zona de exclusão aérea no norte do Iraque e as províncias de Erbil, Suleimaniya e Dohuk conseguiram de facto a sua independência. Um pacto de não-agressão entre o PDK e a União Patriótica do Curdistão (UPK) converteu-a na região mais segura, próspera e tolerante para as minorias religiosas de todo o Iraque.
‘Somos gente de paz’
Com a ascensão do partido Baaz e o seguinte golpe de Estado, que levou Sadam Hussein à presidência em 1979, os cristãos sofreram a repressão do novo estado soberano, em mãos da minoria muçulmana sunni. Depois da queda de Hussein em 2003, consideraram-nos aliados dos Estados Unidos por não ser muçulmanos. “Convertemo-nos em alvo de atentados, sequestros e assassinatos”, disse Abdoka.
“Os cristãos não têm milícias, nem armas, somos gente de paz. A situação é muito perigosa, o governo iraquiano é muito débil”, denúncia Alin Saraha, um cristão de Mosul que emigrou com a sua família há cinco anos depois de ameaças de morte dos islamitas. “Antes, ali pediam-te dinheiro por ser cristão, agora directamente dão-te um tiro na rua”, adverte.
Em Aknawa, por outro lado, manteve-se o respeito. “Enquanto os islamitas radicais queimavam igrejas em Bagdad, como a de Saida Nayas, ou assassinavam bispos cristãos, em Erbil construíam-se novas igrejas e seminários”, recorda o ex-alcaide de Ainkawa, Fahmi Mati Sulaqa. Acrescenta que o papa Bento XVI visitou Erbil em Outubro de 2010 e declarou que o Curdistão iraquiano “é um exemplo único de tolerância religiosa e respeito às diferentes culturas”.
Em Erbil fica a catedral de São José. Também funciona ali o seminário de São Pedro, que foi transferido de Bagdad por razões de segurança.
A violência sectária levou centenas de milhares de cristãos a emigrar para outros países. Os que ficaram procurando protecção no Curdistão. A maioria são seguidores da Igreja católica Caldeia, que representa 75 por cento dos cristãos no Iraque. O segundo ramo é a igreja Assíria ou Nestoriana, seguida da siríaco-ortodoxa, e em menor número os arménios e protestantes.
“Como é possível que os descendentes de uma das primeiras civilizações que se assentaram na antiga Mesopotâmia (os caldeus e os assírios), e que falam a língua de Jesus Cristo (o arameu), nos tenhamos convertido em párias no nosso país?”, exclama Abdoka.
Depois de muitas perseguições e ameaças dos grupos radicais muçulmanos, milhares de famílias cristãs escaparam das cidades de Basora, Bagdad e Mosul para refugiar-se em Ainkawa.
O Curdistão iraquiano é a única região onde os cristãos são tolerados, de momento, e podem colocar alguns direitos. Graças ao sistema de quotas para a protecção das minorias étnicas e religiosas, reservam-se pelo menos seis lugares aos cristãos (cinco para os caldeus, assírios e sírios e outro para os arménios) no parlamento curdo.
Depois do levantamento dos curdos contra Sadam Hussein, em 1991 (coincidiu com a primeira guerra do Golfo), criou-se uma zona de exclusão aérea no norte do Iraque e as províncias de Erbil, Suleimaniya e Dohuk conseguiram de facto a sua independência. Um pacto de não-agressão entre o PDK e a União Patriótica do Curdistão (UPK) converteu-a na região mais segura, próspera e tolerante para as minorias religiosas de todo o Iraque.
‘Somos gente de paz’
Com a ascensão do partido Baaz e o seguinte golpe de Estado, que levou Sadam Hussein à presidência em 1979, os cristãos sofreram a repressão do novo estado soberano, em mãos da minoria muçulmana sunni. Depois da queda de Hussein em 2003, consideraram-nos aliados dos Estados Unidos por não ser muçulmanos. “Convertemo-nos em alvo de atentados, sequestros e assassinatos”, disse Abdoka.
“Os cristãos não têm milícias, nem armas, somos gente de paz. A situação é muito perigosa, o governo iraquiano é muito débil”, denúncia Alin Saraha, um cristão de Mosul que emigrou com a sua família há cinco anos depois de ameaças de morte dos islamitas. “Antes, ali pediam-te dinheiro por ser cristão, agora directamente dão-te um tiro na rua”, adverte.
Em Aknawa, por outro lado, manteve-se o respeito. “Enquanto os islamitas radicais queimavam igrejas em Bagdad, como a de Saida Nayas, ou assassinavam bispos cristãos, em Erbil construíam-se novas igrejas e seminários”, recorda o ex-alcaide de Ainkawa, Fahmi Mati Sulaqa. Acrescenta que o papa Bento XVI visitou Erbil em Outubro de 2010 e declarou que o Curdistão iraquiano “é um exemplo único de tolerância religiosa e respeito às diferentes culturas”.
Em Erbil fica a catedral de São José. Também funciona ali o seminário de São Pedro, que foi transferido de Bagdad por razões de segurança.
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