Jean-Pier Delaume-Myard, porta-voz da associação francesa Homovox, se pronuncia em defesa da família natural
Roma, 14 de Janeiro de 2014 (Zenit.org)
Ele é declaradamente homossexual, mas o lobby gay o
considera um traidor. Seu crime: achar que o casamento é prerrogativa
exclusiva do casal formado por um homem e uma mulher e, principalmente,
defender o direito das crianças a ser criadas por pai e mãe.
Jean-Pier Delaume-Myard foi o protagonista da fala mais
interessante da edição italiana da Manif Pour Tous (“Manifestação para
Todos”, movimento surgido na França que exerce o direito democrático de
se manifestar nas ruas contra as novas legislações favoráveis ao
casamento homossexual e à adopção de crianças por casais do mesmo sexo).
No último sábado, a manifestação reuniu cerca de 4.000 pessoas em Roma,
na maioria jovens e famílias, para expressar oposição ao projecto de lei
Scalfarotto. O projecto “contra a homofobia” pretende considerar crime de
opinião as posições contrárias ao casamento e adopção de crianças por
homossexuais e, mais em geral, as posições contrárias à ideologia de género.
Após a entrada em vigor da lei Taubira, na França, Jean-Pier foi
vítima de ameaças de morte pela internet. Ele é porta-voz da associação
francesa Homovox, representante dos “homossexuais fora da caixa”, ou
seja, aqueles que não aderem à chamada “cultura gay”. Seu livro,
“Homossexual - Contra o casamento para todos”, foi censurado pela mídia
por pressão de grupos LGBT. "Quem é mais homofóbico, a Manif Pour Tous
ou eles?", questionou, com amarga ironia, diante da multidão reunida na
praça Santi Apostoli.
Jean-Pier é homossexual, mas não se diz orgulhoso dessa inclinação e
sim “um pouco envergonhado”. É católico, mas a sua batalha é laica,
civil e aconfessional, de acordo com o espírito da Manif Pour Tous.
No final de 2012, o governo de François Hollande anunciou a lei
Taubira para legalizar o casamento e a adopção de crianças por
homossexuais na França. Os meios de comunicação franceses se alinharam
quase unanimemente a favor, mas o porta-voz da Homovox declara: "Na
verdade, eles estavam roubando a minha voz, a nossa voz, de nós,
homossexuais, que não tínhamos pedido nada disso".
Jean-Pier decidiu então escrever para o site Nouvelle Observateur. Sua carta intitulada “Sou homossexual, não gay: chega dessa confusão!” atraiu mais de 110 mil visitas.
O activista da Homovox acusa o lobby gay de marginalizar ainda mais os
homossexuais, minando a sua aceitação social. "Os gays evocam uma
cultura gay, um estilo de vida gay. Eles querem que o açougueiro, o
padeiro, o vendedor de jornal sejam todos gays. Eles querem viver com
outros gays... Já eu, como homossexual e como um indivíduo de uma nação,
sempre fiz a escolha de agir sem me preocupar com a orientação sexual
dos outros".
Ele faz uma nova pergunta incómoda: "Por que eles querem uma lei a
favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo? Para as pessoas
homossexuais ou para as centenas de gays que vivem nas áreas chiques de
Paris?".
O direito de casais homossexuais a adoptar crianças, opina Jean-Pier, é
"a folha de parreira" que esconde "a floresta da maternidade sub-rogada
e da reprodução assistida", projecto de lei a ser discutido pelo
parlamento francês em Março.
"Eu luto em consciência e com todas as minhas forças para que cada
criança tenha mãe e pai”, diz ele. “Se eu fosse heterossexual, teria
esse mesmo objectivo, ou seja, a racionalidade".
"O meu compromisso não tem nada a ver com a minha orientação sexual.
Eu me comprometi porque qualquer um que tem um pouco de compaixão pelos
seres humanos não tem como aceitar que uma criança cresça sem pontos de
referência sociais".
Uma criança, afirma Jean-Pier, não pode ser privada do afecto materno
nem ser obrigada a perguntar um dia que era a sua mãe. Uma criança "não é
moeda de troca, é um ser humano que tem o direito de saber a origem
cultural, geográfica, social e religiosa dos seus pais".
Leis como a Taubira na França e a Scalfarotto na Itália farão com que
"os homossexuais paguem o preço, porque são essas leis que estão
criando homofobia". Os governos que endossam essas mudanças não têm
"nenhum propósito além de destruir a família".
Antes de se despedir dos manifestantes sugerindo uma "grande
manifestação europeia", o fundador da Homovox apresentou a sua proposta
para as próximas eleições no continente: que os candidatos assinem uma
carta “declarando proteger a família e respeitar as pessoas”, porque a
família, além de ser “o melhor lugar para crescer e ser educado”, é “a
célula fundamental da sociedade” e “garante o futuro e o progresso do
país”.
(14 de Janeiro de 2014) © Innovative Media Inc.
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