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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Papa fala da felicidade em missa histórica com 4 mil muçulmanos a assistir


Um aspecto dos mais de 130 mil crentes que participaram na missa presidida pelo Papa, no Zayed Sports City; fotografias © Pedro Gil

“Felizes” – “a palavra com que Jesus começa a sua pregação no Evangelho de Mateus” – foi também a palavra inicial da homilia na eucaristia celebrada terça-feira de manhã (madrugada em Lisboa), em Abu Dhabi, a primeira que um Papa celebrou na Península Arábica. Entre as 130 mil pessoas que participaram, estariam representadas, segundo a organização, mais de 100 nacionalidades, mostrando bem o mosaico dos trabalhadores imigrados nos Emirados Árabes Unidos, bem como uns quatro mil muçulmanos.
Participaram também cristãos de outras denominações e de diferentes ritos católicos presentes nos países do Médio Oriente: caldeus, coptas, greco-católicos, greco-melquitas, latinos, maronitas, siro-católicos, siro-malabares e siro-malancares.
Na homilia, Francisco falou do texto evangélico das Bem-aventuranças, detendo-se particularmente em duas: “Felizes os mansos” e “felizes os pacificadores”. Considerou que “não é feliz quem agride ou subjuga” e formulou um pedido para que não haja “nem lutas nem disputas”. O Papa pediu ainda “a graça de preservar a paz, a unidade, de cuidar uns dos outros numa bela fraternidade, onde não haja cristãos de primeira classe e de segunda”.
Para Francisco, viver as Bem-aventuranças é algo que não requer gestos fulgurantes. “Olhemos para Jesus: não deixou nada escrito, não construiu nada de imponente. E, quando nos disse como viver, não pediu para erguermos grandes obras ou nos salientarmos realizando feitos extraordinários. Uma única obra de arte, possível a todos, nos pediu para realizarmos: a da nossa vida”.
As Bem-aventuranças são, assim, “um mapa de vida: não pedem ações sobre-humanas, mas a imitação de Jesus na vida de cada dia”. Elas convidam-nos “a manter puro o coração, a praticar a mansidão e a justiça venha o que vier, a ser misericordiosos com todos, a viver a aflição unidos a Deus. É a santidade da vida diária, que não precisa de milagres nem de sinais extraordinários”.
Aliás, para o Papa a vida cristã é marcada pela simplicidade e por não ser uma lista de prescrições: “Não serás feliz, mas és feliz: aqui está a primeira realidade da vida cristã. Esta não aparece como uma lista de prescrições exteriores para se cumprir, nem como um conjunto complexo de doutrinas para se conhecer. Primariamente, não é isso, mas saber que somos, em Jesus, filhos amados do Pai. É viver a alegria desta bem-aventurança, é compreender a vida como uma história de amor.”
Já no regresso ao Vaticano, a paz em vários pontos do planeta foi um dos temas que o Papa abordou na conferência de imprensa a bordo do avião que o transportou de Abu Dhabi para Roma. Sobre a guerra no Iémen, onde os Emirados participam na coligação de países árabes que apoia o Governo do país contra grupos revoltosos, referiu ter encontrado “boa vontade para iniciar um processo de paz”.
Francisco referiu também que analisará a carta que lhe foi endereçada por Nicolás Maduro para ajudar a resolver o conflito na Venezuela, mas estabeleceu como condição prévia que ambas as partes solicitem a sua intervenção.


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