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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Em Cristo para a vida do mundo

Como discípulos de Jesus, não podemos ter outra perspectiva senão a dos pobres.
Eles são proclamados felizes por Jesus, quer no sermão da montanha (Mt 5), quer no sermão da planície (Lc 6).
Dizer “pobres” é falar de fracos, de frágeis, de magoados, de feridos.
Se Deus reina (em Jesus, o Reino tornou-se próximo), então a sua sorte tem de mudar. Sobre eles pesa o pecado de outros que os tornaram fracos e frágeis. Que os magoaram. Que os feriram. Mas saberão – na nossa atitude de proximidade – que as suas vidas estão nas mãos de Deus.
Para os cristãos, encontrar cada uma destas pessoas é encontrar o próprio Senhor. Quando é que te vimos assim e não te demos atenção?(cf. Mt. 25).
Entre estas pessoas feridas e magoadas estão, certamente, as vítimas de todos os abusos. Todos. Como diz o Papa Francisco na carta enviada ao Povo de Deus sobre os abusos sexuais, abusos de poder e abusos de consciência, em Agosto passado.
Saibamos responder com honestidade ao apelo de Francisco que nestes dias se reúne com os presidentes das conferências episcopais do mundo (uma reunião sem precedentes!), decidido a que crimes destes nunca mais sejam encobertos!
E que, de futuro, preventivamente, tudo se faça para que eles não se repitam.
Enquanto esperamos as conclusões deste encontro e nos dispomos a levar à prática as indicações que nos vão ser dadas, apressemo-nos a lutar contra o clericalismo como uma boa maneira de acabar com todas estas formas de abuso.
José Manuel Pereira de Almeida é padre católico, médico e professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa


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