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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Algumas Vivências Que Dão Sentido à Vida

Alguma inquietude foi o que senti hoje, talvez por fisicamente estar a recuperar de uma constipação. Pela minha mente surgiu a ideia de ir visitar o antigo Orfanato de Nossa Senhora dos Milagres que agora alberga o Mosteiro do Imaculado Coração de Maria das Irmãs Clarissas. Resolvi telefonar no sentido de me aperceber da disponibilidade para me receberem. Foram extremamente recetivas pelo que, com muita emoção, fui visitar o quarto onde Jacinta, agora Santa Jacinta, uma dos três pastorinhos de Fátima, permaneceu doze dias antes de ser transferida para o Hospital D. Estefânia, onde no dia 20 de Fevereiro de 1920, viria a falecer, vítima da gripe pneumónica.

Por estranha coincidência, neste dia da visita, tinha inicio o ano jubilar do centenário da morte de Jacinta Marto. Na altura em que Santa Jacinta ali permaneceu, era a Madre Godinho que tomava conta do orfanato, a quem Jacinta chamava carinhosamente “Madrinha”, e a quem revelou o que Jesus queria futuramente para aquele lugar, referindo: “Sede muito amigas do silêncio e da santa pureza”. Viria posteriormente a albergar as Irmãs Clarissas. Aquando da extinção das ordens religiosas, algumas das Irmãs regressaram a suas casas. Contudo três Irmãs Clarissas, procuraram ali albergue. Estas três Irmãs conseguiam revezar-se de modo a fazer permanentemente a Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento que constitui o grande apelo de S. Francisco de Assis: “Que o Amor seja amado”.

Santa Jacinta identificou a necessidade de amar o Amor no coração da cidade de Lisboa e de rezar pelos seus habitantes, de modo a levar todos para o céu, já que esta santa referia, que não fazia sentido ir sozinha para o Céu. Naquele edifício, surgiu posteriormente o Mosteiro do Imaculado Coração de Maria, das Irmãs Clarissas.

Estas Irmãs referem que a pequena cama de ferro pintada de branco, onde Jacinta repousou na sua passagem pelo orfanato é o “altar” onde Jacinta se ofereceu em sacrifício. Recordo que Jacinta viria a falecer com uma ferida aberta no peito, fruto da necessidade de drenar os líquidos acumulados pela própria doença.

Sentei-me numa cadeira a observar a simplicidade e a enorme riqueza sobrenatural daquele quarto. Ao lado da cama, encontra-se uma cadeira baixinha, em que alguma vez a Madre Godinho se quis sentar, tendo Jacinta referido: “Aí não. É onde Nossa Senhora se senta”. Ao meu lado direito encontrava-se a primeira imagem de Jacinta. Depois, foi a vez de visitar, no quarto contíguo, o banco onde Jacinta se sentava horas a rezar em frente à janela que dava para a capela. Sem palavras.

Encontra-se também aí um armário com alguns pertences de Santa Jacinta, entre eles, um lindo vestido azul, pequeno, já que Jacinta era pequena. Ao lado, um saco de pano onde guardava a merenda que partilhava com os pobres. O rosário com o qual costumava rezar. Dirigi-me a outro quarto que dava de frente para o Jardim da Estrela, onde Jacinta recordava os campos da sua terra. Tanta objetos e recordações relativos a uma criança cujo exemplo de fé, de oração, de bondade, de persistência, de amor, de sofrimento… que a todos nos comove. Interiormente, dei comigo a pensar: “Coração, coração na Cruz”.


Jacinta costumava referir no seu quarto: “Se os homens soubessem o que é a eternidade, mudariam de vida”. Refere-se ainda que um dos primeiros milagres desta santa na sua permanência no orfanato, foi que, apesar da sua doença contagiosa, nenhuma das crianças, nem a Madre Godinho, foram contagiadas por esta pandemia. O meu coração fervilhava de emoção. Encontrava-me já exausta, sem palavras, perante o testemunho de vida e de sofrimento de uma simples criança. Era altura de partir para um dia mais tarde regressar. Saí a pensar que no coração da cidade de Lisboa existe um lugar de amor e de oração. Também um doce refúgio. Hoje em dia, vários devotos de Santa Jacinta vêm ali pedir e agradecer graças concedidas por intercessão desta Santa, que viveu um contacto privilegiado com Nossa Senhora aparecida em Fátima.

Maria Helena Paes



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