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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Paris: massacre na redação do jornal satírico "Charlie Hebdo"

Dois homens armados com Kalashnikov invadiram a sede do jornal, matando 12 pessoas, incluindo o director. Outras 20 vítimas feridas. Pensa-se a um ataque terrorista causado pela caricatura do líder do Isis


Roma, 07 de Janeiro de 2015 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio


Deixou 12 pessoas mortas o atentado que aconteceu na manhã de hoje na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, no boulevard Richard-Lenoir, no centro de Paris. Conforme relatado por testemunhas oculares para a media francesa, dois homens encapuçados armados com Kalashnikovs invadiram a sede da redacção disparando uns trinta tiros que mataram 10 jornalistas e dois policiais e feriram outras 20 pessoas, cinco das quais em estado grave. Tudo aconteceu em cinco minutos de puro terror, durante a reunião da manhã, na qual estavam presentes todos os principais jornalistas e designers do semanário, conforme relatado pelo site do Le Parisienne.

O balanço foi anunciado pela Prefeitura de Paris, que informou que entre os mortos estava também o editor do semanário, Stephan Charbonnier, conhecido como "Charb", e os três mais importantes cartunistas: Cabu, Tignous e Georges Wolinski, também famoso na Itália. Os autores do massacre, em seguida, fugiram com um carro roubado.

O ataque foi terrorista, como confirmado pelo presidente François Hollande que foi ao local. O Chefe de Estado anunciou uma sessão extraordinária de crise no Eliseu e disse que "o ataque terrorista" deixou a França em estado de choque. "Nós estamos procurando os autores deste crime", disse, em seguida, para a mídia, prometendo que os responsáveis serão punidos.

Pensa-se que o que desencadeou a fúria homicida foi uma caricatura de Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico (Is), publicado 15 minutos antes do ataque no perfil Twitter do semanário. Sempre as testemunhas, dizem que dois terroristas abriram fogo gritando: "Vamos vingar o Profeta", e que, no momento da fuga, gritavam "Allah u Akbar" (Allah é o maior).

O ataque de hoje, sem dúvida, foi o mais grave sofrido pelo jornal, que já, em outras ocasiões tinha sofrido por algumas publicações. A última foi em Novembro de 2011, quando, após as polémicas desencadeadas por algumas caricaturas de Maomé, tinham detonado um artefacto incendiário na sede do jornal que tinha provocado danos apenas materiais.

Agora, enquanto a Associação Francesa de Jornalistas pediu um minuto de silêncio pelo massacre, todas as redacções jornalísticas estão sendo vigiadas pela polícia, conforme relatado pelo Le Figaro, citando uma fonte da polícia. O presidente Hollande confirmou, de fato, a instalação de uma "protecção em todos os lugares que deveriam ser cometido os mesmos actos". Também, por razões de segurança, em Paris, foi colocada a proibição de estacionar perto das escolas. Todas as saídas e actividades extra-curriculares fora das instituições estão suspensas.

Duríssima foi a reacção da Conferência dos Bispos da França que, em um comunicado, assinado pelo secretário-geral e porta-voz Mons. Olivier Ribadeau Dumas, expressa a sua "profunda emoção" e "horror" pelo tiroteio. "A Igreja da França – lê-se na declaração – dirige seu pensamento para as famílias e amigos das vítimas que estão enfrentando agora o horror e a incompreensão", e garante sua proximidade e "tristeza" a toda a equipe de Charlie Hebdo.

Condenando este "terror indizível," os bispos afirmam que "nada pode justificar tais actos de violência" que afectam "um elemento fundamental da nossa sociedade", que é a liberdade de expressão. "A sociedade – acrescentam –, composta por diversidade de todos os tipos, deve trabalhar continuamente para construir a paz e a fraternidade A barbárie, expressada neste assassinato, faz mal a todos". "Nesta situação, onde a raiva pode nos invadir – concluem os bispos – precisamos mais do que nunca dobrar a atenção para a fraternidade enfraquecida e para a paz a ser consolidada a cada dia".

Em todo o mundo a tragédia suscitou reacções fortes: dos EUA, o presidente Barack Obama, condenou o ataque e garantiu que os Estados Unidos vão fornecer toda a assistência necessária para a França para "levar à justiça os terroristas".

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