Dois homens armados com Kalashnikov invadiram a sede do jornal, matando 12 pessoas, incluindo o director. Outras 20 vítimas feridas. Pensa-se a um ataque terrorista causado pela caricatura do líder do Isis
Roma, 07 de Janeiro de 2015 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio
Deixou 12 pessoas mortas o atentado que aconteceu na manhã
de hoje na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, no boulevard
Richard-Lenoir, no centro de Paris. Conforme relatado por testemunhas
oculares para a media francesa, dois homens encapuçados armados com
Kalashnikovs invadiram a sede da redacção disparando uns trinta tiros que
mataram 10 jornalistas e dois policiais e feriram outras 20 pessoas,
cinco das quais em estado grave. Tudo aconteceu em cinco minutos de puro
terror, durante a reunião da manhã, na qual estavam presentes todos os
principais jornalistas e designers do semanário, conforme relatado pelo
site do Le Parisienne.
O balanço foi anunciado pela Prefeitura de Paris, que informou que
entre os mortos estava também o editor do semanário, Stephan
Charbonnier, conhecido como "Charb", e os três mais importantes
cartunistas: Cabu, Tignous e Georges Wolinski, também famoso na Itália.
Os autores do massacre, em seguida, fugiram com um carro roubado.
O ataque foi terrorista, como confirmado pelo presidente François
Hollande que foi ao local. O Chefe de Estado anunciou uma sessão
extraordinária de crise no Eliseu e disse que "o ataque terrorista"
deixou a França em estado de choque. "Nós estamos procurando os autores
deste crime", disse, em seguida, para a mídia, prometendo que os
responsáveis serão punidos.
Pensa-se que o que desencadeou a fúria homicida foi uma caricatura de
Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico (Is), publicado 15
minutos antes do ataque no perfil Twitter do semanário. Sempre as
testemunhas, dizem que dois terroristas abriram fogo gritando: "Vamos
vingar o Profeta", e que, no momento da fuga, gritavam "Allah u Akbar"
(Allah é o maior).
O ataque de hoje, sem dúvida, foi o mais grave sofrido pelo jornal,
que já, em outras ocasiões tinha sofrido por algumas publicações. A
última foi em Novembro de 2011, quando, após as polémicas desencadeadas
por algumas caricaturas de Maomé, tinham detonado um artefacto
incendiário na sede do jornal que tinha provocado danos apenas
materiais.
Agora, enquanto a Associação Francesa de Jornalistas pediu um minuto
de silêncio pelo massacre, todas as redacções jornalísticas estão sendo
vigiadas pela polícia, conforme relatado pelo Le Figaro, citando uma
fonte da polícia. O presidente Hollande confirmou, de fato, a instalação
de uma "protecção em todos os lugares que deveriam ser cometido os
mesmos actos". Também, por razões de segurança, em Paris, foi colocada a
proibição de estacionar perto das escolas. Todas as saídas e actividades extra-curriculares fora das instituições estão suspensas.
Duríssima foi a reacção da Conferência dos Bispos da França que, em um
comunicado, assinado pelo secretário-geral e porta-voz Mons. Olivier
Ribadeau Dumas, expressa a sua "profunda emoção" e "horror" pelo
tiroteio. "A Igreja da França – lê-se na declaração – dirige seu
pensamento para as famílias e amigos das vítimas que estão enfrentando
agora o horror e a incompreensão", e garante sua proximidade e
"tristeza" a toda a equipe de Charlie Hebdo.
Condenando este "terror indizível," os bispos afirmam que "nada pode
justificar tais actos de violência" que afectam "um elemento fundamental
da nossa sociedade", que é a liberdade de expressão. "A sociedade –
acrescentam –, composta por diversidade de todos os tipos, deve
trabalhar continuamente para construir a paz e a fraternidade A
barbárie, expressada neste assassinato, faz mal a todos". "Nesta
situação, onde a raiva pode nos invadir – concluem os bispos –
precisamos mais do que nunca dobrar a atenção para a fraternidade
enfraquecida e para a paz a ser consolidada a cada dia".
Em todo o mundo a tragédia suscitou reacções fortes: dos EUA, o
presidente Barack Obama, condenou o ataque e garantiu que os Estados
Unidos vão fornecer toda a assistência necessária para a França para
"levar à justiça os terroristas".
(07 de Janeiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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