Cerimónia de despedida no aeroporto de Manila encerra a viagem às Filipinas
Madrid, 19 de Janeiro de 2015 (Zenit.org) Ivan de Vargas
O papa Francisco, a quem os filipinos deram o apelido
carinhoso de "Lolo Kiko" (Vovô Chico), retorna hoje a Roma depois da
intensa visita ao país que tem o maior número de católicos da Ásia. Ele
tinha chegado às Filipinas na última quinta-feira, depois de visitar o
Sri Lanka.
Francisco percorreu as ruas de Manila abençoando os fiéis que se
reuniram em massa para vê-lo. "Viva o Santo Papa!" e "Pope Francis, we
love you" foram as frases mais proclamadas nos últimos momentos da
visita pontifícia, já no aeroporto internacional.
A cerimónia de despedida começou às 9h45 (do horário filipino) no
pavilhão presidencial da base aérea de Vichamor. O arcebispo de Manila,
cardeal Luis Antonio Tagle, acompanhado pelos bispos filipinos, esteve
presente para acompanhar o pontífice.
Com a sua habitual maleta preta na mão, Francisco agradeceu ao
presidente Benigno Aquino e ao povo das Filipinas pela "cálida
acolhida". Todos se despediram do Santo Padre com uma oração à Virgem
Maria.
O avião descolou de Manila às 10 horas do horário local. A chegada ao
aeroporto romano de Ciampino está prevista para as 17h40, já no horário
italiano. Onze países serão sobrevoados no trajecto.
A programação da visita apostólica foi finalizada neste domingo com a
missa no parque Rizal, em Manila, onde se reuniram de 6 a 7 milhões de
pessoas, segundo os dados proporcionados pelas autoridades filipinas e
pelo Vaticano.
"De onde esta gente tira as energias?", perguntou o pontífice depois
da multitudinária celebração religiosa, quando os milhões de filipinos
continuavam gritando o seu nome e saudando a sua passagem pelas ruas,
apesar da chuva incessante e das numerosas horas de espera. "São felizes
e entusiastas", disse o papa, conforme relato do cardeal Tagle.
Em sua última homilia nas Filipinas, Francisco falou do fervor dos
fiéis e recordou que o país é a principal nação católica da Ásia.
Trata-se de "um dom especial, de uma bênção, mas também de uma vocação",
disse o papa, exortando todos os filipinos "a serem os grandes
missionários da fé na Ásia".
A última jornada da viagem papal começou com um encontro emocionante
entre Francisco e os jovens na Universidade de Santo Tomás. No ginásio
de desportos do antigo centro educativo dominicano, ressoaram com força
as perguntas de Glyzelle Palomar, uma ex-menina de rua de 12 anos. "Há
muitas crianças abandonadas pelos próprios pais. Muitas são vítimas de
coisas terríveis, como as drogas e a prostituição. Por que Deus permite
essas coisas, se não é culpa das crianças? E por que tão pouca gente vem
nos ajudar?", indagou ela, entre lágrimas.
Visivelmente comovido, o Santo Padre respondeu consolando e abraçando
Glyzelle. "Ela fez hoje a única pergunta que não tem resposta. E não
conseguiu perguntar só com palavras e teve que falar com lágrimas",
observou o papa, que incentivou os milhares de universitários presentes a
“não ter medo de chorar”. “Para o mundo de hoje, faria bem chorar. Os
marginalizados choram, os deixados de lado choram, os desprezados
choram, mas nós, que levamos uma vida mais ou menos sem necessidades,
não sabemos chorar. Se não aprendemos a chorar, não somos bons
cristãos”, disse o papa.
Esta visita apostólica de vários dias foi recheada de surpresas, como
o encontro do pontífice com as crianças de rua, e de imprevistos como a
rápida volta de Tacloban a Manila devido à tempestade tropical que
atingiu a região, além dos discursos espontâneos de Francisco em
espanhol, deixando de lado os papéis preparados. Na memória de todos os
filipinos, permanecerá vivo o firme chamamento do papa a ir ao encontro
dos mais pobres.
(19 de Janeiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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