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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O papa retorna ao Vaticano

Cerimónia de despedida no aeroporto de Manila encerra a viagem às Filipinas


Madrid, 19 de Janeiro de 2015 (Zenit.org) Ivan de Vargas


O papa Francisco, a quem os filipinos deram o apelido carinhoso de "Lolo Kiko" (Vovô Chico), retorna hoje a Roma depois da intensa visita ao país que tem o maior número de católicos da Ásia. Ele tinha chegado às Filipinas na última quinta-feira, depois de visitar o Sri Lanka.

Francisco percorreu as ruas de Manila abençoando os fiéis que se reuniram em massa para vê-lo. "Viva o Santo Papa!" e "Pope Francis, we love you" foram as frases mais proclamadas nos últimos momentos da visita pontifícia, já no aeroporto internacional.

A cerimónia de despedida começou às 9h45 (do horário filipino) no pavilhão presidencial da base aérea de Vichamor. O arcebispo de Manila, cardeal Luis Antonio Tagle, acompanhado pelos bispos filipinos, esteve presente para acompanhar o pontífice.

Com a sua habitual maleta preta na mão, Francisco agradeceu ao presidente Benigno Aquino e ao povo das Filipinas pela "cálida acolhida". Todos se despediram do Santo Padre com uma oração à Virgem Maria.

O avião descolou de Manila às 10 horas do horário local. A chegada ao aeroporto romano de Ciampino está prevista para as 17h40, já no horário italiano. Onze países serão sobrevoados no trajecto.

A programação da visita apostólica foi finalizada neste domingo com a missa no parque Rizal, em Manila, onde se reuniram de 6 a 7 milhões de pessoas, segundo os dados proporcionados pelas autoridades filipinas e pelo Vaticano.

"De onde esta gente tira as energias?", perguntou o pontífice depois da multitudinária celebração religiosa, quando os milhões de filipinos continuavam gritando o seu nome e saudando a sua passagem pelas ruas, apesar da chuva incessante e das numerosas horas de espera. "São felizes e entusiastas", disse o papa, conforme relato do cardeal Tagle.

Em sua última homilia nas Filipinas, Francisco falou do fervor dos fiéis e recordou que o país é a principal nação católica da Ásia. Trata-se de "um dom especial, de uma bênção, mas também de uma vocação", disse o papa, exortando todos os filipinos "a serem os grandes missionários da fé na Ásia".

A última jornada da viagem papal começou com um encontro emocionante entre Francisco e os jovens na Universidade de Santo Tomás. No ginásio de desportos do antigo centro educativo dominicano, ressoaram com força as perguntas de Glyzelle Palomar, uma ex-menina de rua de 12 anos. "Há muitas crianças abandonadas pelos próprios pais. Muitas são vítimas de coisas terríveis, como as drogas e a prostituição. Por que Deus permite essas coisas, se não é culpa das crianças? E por que tão pouca gente vem nos ajudar?", indagou ela, entre lágrimas.

Visivelmente comovido, o Santo Padre respondeu consolando e abraçando Glyzelle. "Ela fez hoje a única pergunta que não tem resposta. E não conseguiu perguntar só com palavras e teve que falar com lágrimas", observou o papa, que incentivou os milhares de universitários presentes a “não ter medo de chorar”. “Para o mundo de hoje, faria bem chorar. Os marginalizados choram, os deixados de lado choram, os desprezados choram, mas nós, que levamos uma vida mais ou menos sem necessidades, não sabemos chorar. Se não aprendemos a chorar, não somos bons cristãos”, disse o papa.

Esta visita apostólica de vários dias foi recheada de surpresas, como o encontro do pontífice com as crianças de rua, e de imprevistos como a rápida volta de Tacloban a Manila devido à tempestade tropical que atingiu a região, além dos discursos espontâneos de Francisco em espanhol, deixando de lado os papéis preparados. Na memória de todos os filipinos, permanecerá vivo o firme chamamento do papa a ir ao encontro dos mais pobres.

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