Ortodoxos, judeus e muçulmanos estão sensibilizados pelos apelos do Papa em prol da paz e do desenvolvimento
Roma, 07 de Janeiro de 2015 (Zenit.org) Antonio Gaspari
Três indícios provam, mas muito mais do que três confirmam
que os apelos do Papa Francisco em prol da paz, do diálogo entre
religiões e do progresso dos povos, estão exercendo alguma influência
entre os representantes de outros grupos religiosos, em particular entre
ortodoxos, judeus e muçulmanos.
Basta pensar no apoio que o primeiro-ministro israelita, Benjamin
Netanyahu, demonstrou aos cristãos do Oriente Médio, aliás, inspirado
nas palavras do Papa. Em uma mensagem de vídeo, o primeiro-ministro
israelita desejou Feliz Natal "aos cristãos de Israel e de todo o
mundo", lembrando "a herança e os valores comuns" que unem judeus e
cristãos e que se opõem ao "extremismo" e ao “ódio" que eles "nunca
aceitarão". Ele convidou a apoiar os cristãos "menos afortunados" no
Oriente Médio que "estão passando por um momento difícil", marcado por
"violência, perseguição e medo."
Na mesma linha, o presidente israelita Reuven Rivlin se reuniu com
os líderes religiosos das comunidades cristãs que vivem em solo
israelita para denunciar a perseguição e pedir aos cristãos muçulmanos e
judeus para trabalhar em conjunto pela paz e pelo desenvolvimento.
Rivlin recordou que "por causa da fé, milhares de pessoas são exiladas,
convertidas a força, atacadas e brutalmente assassinadas" e demonstrou a
esperança de que "nós cristãos, muçulmanos e judeus, filhos de Abraão,
juntamente com todos os que professam diferentes credos, possamos ver o
cumprimento da visão do profeta Isaías, onde uma nação não levantará a
espada contra outra nação e não haverá mais guerra". "Que 2015 possa ser
um ano de amizade e cooperação. Que seja um ano de compreensão e
respeito mútuo", foi o augúrio final de Rivlin.
Em socorro dos cristãos perseguidos no Iraque o Irão também se
pronunciou. O parlamentar cristão Yonatan Betkolia, representante das
comunidades assírias e caldeias no parlamento da República Islâmica do
Irão, confirmou que vários caminhões com placa iraniana, carregados com
ajuda humanitária, foram parados na fronteira entre o Irão e o Iraque, à
espera de obter a autorização de entrada para chegar às comunidades
cristãs que são vítimas da limpeza étnico-religiosa dos jihadistas do
Estado islâmico.
Antes do Natal, o arcebispo Maroun Lahham, vigário patriarcal para a
Jordânia do Patriarcado Latino de Jerusalém, disse à agência Fides que
recebeu o embaixador iraniano na Jordânia Mojtaba Ferdowsjpour, que
felicitou os cristãos por ocasião do Natal e reiterou o compromisso da
República islâmica do Irão em ajudar os cristãos em dificuldade no
vizinho Iraque.
"O Irão assumiu um papel crucial no Oriente Médio - disse o Arcebispo
Lahham -. Está em contacto com a Santa Sé, com o qual compartilha diálogos
muito importantes. Esperamos que a contribuição do Irão tenha um efeito
positivo na busca de soluções para as crises que afectam o povo do Iraque
e da Síria".
Um apelo para erradicar o fanatismo substituindo-o por uma "visão
mais iluminada do mundo" foi lançado pelo então presidente egípcio Abdel
Fattah al-Sisi, durante seu discurso na abertura do ano académico na
Universidade Al-Azhar, grande centro teológico do islamismo sunita.
Dirigindo-se aos estudiosos e líderes religiosos da Universidade
Al-Azhar, o chefe de Estado egípcio salientou que o mundo islâmico não
pode mais ser visto como "uma fonte de ansiedade, perigo, morte e
destruição" para o resto da humanidade. Por isso, os líderes religiosos
devem se comprometer a rejeitar o "pensamento errado" que está levando
toda a comunidade islâmica "a antagonizar o mundo inteiro".
Apesar da propaganda do horror espalhada por extremistas, começam a
surgir resistências e rebeliões dentro do chamado Califado. O The New York Times
relatou a história de Usaid Barbo, sírio, quatorze anos, destinado a
explodir em uma mesquita xiita de Bagdade e que, em vez disso, se entregou
a polícia iraquiana, dizendo: "Eu não quero me explodir". Recrutado em
uma mesquita de Manjbi, perto de Aleppo, o jovem teria se oferecido como
homem-bomba para ter a chance de fugir da ditadura do califado.
Como esquecer a heróica resistência das 150 mulheres, algumas delas
grávidas, que se recusaram a casar com fundamentalistas. Os terroristas
do Califado mataram todas as mulheres que se opunham a casar com eles.
De acordo com informações fornecidas pelo Ministério de Direitos Humanos
de Bagdade, a maioria das mulheres massacradas era Iazidi.
Poucos dias depois da visita apostólica do Papa Francisco ao Sri
Lanka e as Filipinas, o chefe do Conselho filipino dos Imames, Ebra
Moxsir M. al-Haj, em um programa de TV, exortou os muçulmanos a seguir o
conselho de paz do Papa, expressando total apoio ao pontificado de
Francisco, especialmente pelos esforços em prol da paz e do diálogo
inter-religioso.
"Os apelos do Papa Francisco pela paz e pelo bem da humanidade devem
ser ouvidos e apoiados por todos os seres humanos, independentemente da
religião ou crença", disse ele, acrescentando: "Se quisermos derrotar o
terrorismo, eu convido meus irmãos e muçulmanos a ouvir e compreender as
palavras do Papa".
(07 de Janeiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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