Reações ao atentado cometido por comando extremista tomam conta do planeta
Roma, 08 de Janeiro de 2015 (Zenit.org) Sergio Mora
Milhares de pessoas saíram em silêncio pelas ruas de Paris
na noite de ontem para repudiar o brutal atentado cometido contra o
semanário satírico francês “Charlie Hebdo”. Entre os cartazes,
predominava o “Je suis Charlie”, “Eu sou Charlie”, em apoio às 12
vítimas do ataque.
O presidente François Hollande, em mensagem de quatro minutos,
declarou luto nacional nesta quinta-feira. “Eles são hoje nossos
heróis”, disse ele a respeito dos cartunistas e jornalistas
assassinados. “Eles morreram pela ideia que tinham da França, ou seja, a
da liberdade”. As bandeiras ficarão a meio mastro no país durante três
dias.
Barack Obama afirmou que "estes ataques podem acontecer em qualquer país e é necessário garantir a segurança de todos".
No Vaticano, os quatro imãs franceses que participaram da audiência
com o papa declararam que “é necessário que a comunidade muçulmana se
levante” para demonstrar “a sua rejeição” ao confisco que alguns
pretendem fazer do islão. O presidente da União das Mesquitas da França,
Mohammed Moussaoui, pediu uma “reacção” dos muçulmanos diante da religião
“instrumentalizada por criminosos”.
Da Rússia, o Conselho dos Muftis enviou os seus pêsames pelo atentado
e afirmou que é necessária uma reacção adequada, mas pediu calma diante
desta provocação.
Em Roma, milhares se reuniram diante da embaixada francesa. O mesmo
aconteceu em Berlim, em Londres e em outras capitais europeias.
Os bispos da Alemanha, país com muitos imigrantes muçulmanos,
sugeriram um “debate objectivo e não emocional” sobre a imigração,
levando em conta as recentes marchas xenofóbicas registadas no
continente.
Os bispos ortodoxos da França também se uniram à condenação do
atentado, recordando que o ataque procurou semear o terror, a dúvida e a
divisão. Eles convidaram os franceses à coesão nacional, dizendo que
nenhuma religião pode aceitar que seja derramado o sangue dos inocentes.
Foi divulgado hoje que a policial ferida e executada a sangue frio
pelos terroristas tinha um nome islâmico. Segundo as informações
levantadas até agora, os terroristas falavam perfeito francês e o grito
de “vingança em nome de Alá” foi pronunciado em árabe “duvidoso”.
O semanário satírico “Charlie Hebdo” era constante alvo de ameaças
desde 2006, quando publicou caricaturas de Maomé que causaram indignação
no mundo islâmico. O director da revista tinha dois guarda-costas, que
se revelaram insuficientes diante de um ataque de tipo militar.
A publicação já satirizou várias vezes o papa emérito Bento XVI, sem que tenha havido nenhuma reacção violenta.
(08 de Janeiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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