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sábado, 10 de janeiro de 2015

Conte, treinador da selecção italiana, de volta à fé e à missa: «Deus deu-me tanto!»

Missa aos domingos, acção de graças, perdão... 

Antonio Conte, treinador da selecção italiana, arranjou a sua vida de casal casando-se e voltando aos sacramentos
Actualizado 1 de Dezembro de 2014

Credere / PortaLuz

Ninguém o esperava, mas em Julho deste ano 2014 Antonio Conte da Juventus, deixava o seu cargo. Ao fim de poucas semanas, iniciando-se o mês de Agosto, assumia a liderança da selecção nacional de futebol de Itália.

“Fala-se demasiado de reactivar o espírito e depois não se faz nada. É hora de que comecemos a trabalhar com a verdade; não vim aqui para perder o tempo".

É Antonio Conte, o treinador da selecção italiana de futebol, quem assim indicava aos seus pupilos que não perderia tempo nem talentos.

Disse-o perante os meios de comunicação, depois da recente jogo amistoso da Itália com a Albânia, precisando que o esforçar-se por dar o melhor, sempre, é a sua forma de vida, dentro e fora do relvado, como treinador e como homem. Mas não é de estratégias, desafios de campeonatos ou seus lícitos anseios para o mundial na Rússia, que fala nesta entrevista à revista Credere da Azzurra, mas sim do fundamental na vida: a sua fé.

Partiu Conte recordando o seu natal Lecce, onde o oratório da paróquia San Antonio de Fulgenzio foi determinante no seu processo e um refúgio, disse, para as tentações da rua.

A fé ajuda a distinguir entre o bem e o mal, a escolher o caminho correcto em momentos de dificuldade. Como de pequeno os meus pais me deram uma educação católica, agora estou fazendo o mesmo com a minha filha Vitória”, pontualiza. 

- Desde Sacchi a Van Basten, muitos treinadores devem passar a dura prova da ansiedade. Como logra você encontrar claridade e serenidade antes dos jogos?
- Escuto toda a minha família: papá, mamã, irmãos, esposa e filha. Depois vou sozinho a algum sítio e passo um par de minutos em oração. Mas entendo aqueles que os apanha a tensão: o treinador sente toda a pressão sobre ele. Tenha em conta que deve gerir com jogadores, corpo técnico, aficionados... Despois de acumular êxito e dinheiro às vezes perguntas-te porque aceitaste tal responsabilidade... Mas sucede que se uma equipa te segue, o campo compensa todas as noites de insónia.

- O normal para você é agradecer a Deus pelo que tem ou invoca-o na necessidade?
- Não costumo invocar assim o Senhor, mas sim dou-lhe as graças sempre, todas as noites, antes de ir dormir. Rezo à Virgem e a todos os santos. Também antes das refeições faço o sinal da cruz para dar as graças pelo que tenho. Espero poder fazer algo que justifique tudo o bom que recebi. Dá-lo todo, porque Deus me deu tanto!

- Sentindo que tem muito, renuncia você a algo?
- Na Quaresma pratico algumas florezinhas, pequenas privações de doces, café e o copo de vinho. Pode parecer uma tontaria, mas para mim renunciar a isso não é fácil. 

- Maradona ofereceu ao Papa a sua camisola, que ofereceu você ao Papa?
- Para dizer a verdade presente foi ele que me fez! Pouco antes do casamento (n.d.e.: recebeu o sacramento do matrimónio em Junho de 2013) fui com a minha família à audiência e o Papa Francisco nos deu uma bênção num pergaminho. Impactou-me, pois eu tinha ido de "pecador", com uma filha... e o Papa nos deu as boas-vindas de forma simples… Está transmitindo valores muito importantes.

- Se tivesse que alinhar uma "equipa da Igreja", onde faria jogar o Papa Francisco?
- Á frente da defesa, onde está o coração da equipa. É o papel daqueles que tem que sacrificar-se pela equipa.

- Se não fosse um homem de futebol, em que se converteria Antonio Conte?

- Um professor de educação física. Eu venho de uma família de desportos e gosto de educar. Todavia recordo-me do meu professor, que me levou a fazer desporto.

- Recorda quando fazia de acólito?

- Quando servíamos na Missa e o pároco devia decidir quem tomaria a vela grande, recordo que eu queria ser escolhido. Quando isto sucedia eu estava feliz, mudava-me o dia! Gostava de fazer a saudação ao sacerdote e orquestrar os movimentos dos outros acólitos. 

- Quais são os valores com que constroem a sua família?
- Eu falo de simplicidade, queremos viver uma vida simples, com as pessoas. A minha filha vai a uma escola pública, temos amigos que vão da sua empresa para comprar no supermercado. Vittoria (a sua filha) deve compreender o que é a vida, ser capaz de relacionar-se com todo o mundo sem distinção de classe social. Não esqueças que eu venho de uma família humilde, mas com muitos valores.

- Famílias em retirada, sim ou não?
- Melhor digamos um não. A família é importante e quando a equipa está em retirada deve focar-se e compreender a importância do jogo.

- Como vive os domingos a família Conte?
- Vamos à missa juntos, ao meio-dia ou às 18 horas: a minha esposa, que também foi catequista, aproximou-se muito à fé por mim. Se estou concentrado com a equipa trato de participar na missa com os jogadores: a fé pratica-se e experimenta-se em comunidade.

- Que aprecia de um sacerdote?

- A capacidade de tocar temas quotidianos durante o sermão, caso contrário torna-se-me difícil seguir o que diz.

- Qual é o episódio da Bíblia que mais gosta?

- A história do filho pródigo. Gosta porque nos ensina a perdoar.

- Você é capaz de perdoar?
- Sim, o perdão é parte da tarefa do treinador, caso contrário de 25 futebolistas não ficariam nem 10. Mas antes de perdoar creio que se deve fazer entender os erros: quem fez mal deve redimir-se.


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