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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Atentado em Paris: vozes de condenação no mundo islâmico

Enquanto isso, o suposto "terceiro homem" do massacre se diz inocente. Os principais suspeitos refugiados numa casa perto da capital francesa


Roma, 08 de Janeiro de 2015 (Zenit.org)


No dia em que a França está de luto nacional, permanece o grosso mistério sobre os reais responsáveis do atentado à redacção da revista satírica Charlie Hebdo, onde doze pessoas foram mortas.

Na noite de ontem se entregou o terceiro dos suspeitos do massacre, o jovem de 18 anos Hamyd Hourad, que teria agido como motorista dos assassinos. O jovem, no entanto, se diz inocente e, de acordo com algumas testemunhas, na manhã de ontem, ele estava na escola.

Enquanto isso estão na busca dos dois principais suspeitos, os irmãos Cherif e Said Kouachi (o primeiro cunhado de Hourad), que teriam se refugiado  em uma casa em Crépy-en-Valois, a 70 km ao nordeste de Paris, onde há uma operação da polícia especial.

Os dois irmãos Kouachi - veteranos da Síria e um deles, Cherif, já conhecido da justiça francesa por actividades terroristas – teriam abandonado os seus carros durante a fuga, não antes de ter assaltado e roubado um posto de gasolina: a vítima do roubo disse ter visto dentro do carro algumas armas, incluindo metralhadoras e lançadores de foguetes. Após o abandono, no veículo foram encontrados cocktail's molotov e uma bandeira jihadista.

Enquanto isso, o Conseil français du culte musulman chamou “os imãs de todas as mesquitas" do País para "condenar com a máxima firmeza a violência e o terrorismo”, durante a oração da sexta-feira, para guardar um minuto de silêncio pelas vítimas e participar no próximo domingo da grande manifestação nacional contra o terrorismo.

Numerosas condenações dos líderes muçulmanos a nível internacional. Al Azhar, a mais alta instituição religiosa no Egipto, falou de "criminoso ataque armado”, recordando que o Islão “denuncia qualquer violência".

O filósofo Tariq Ramadan, neto do fundador da Irmandade Muçulmana, Hassan al-Banna, disse: "A minha condenação é absoluta e a minha raiva é profunda com relação a este horror”, acrescentando que o massacre na redacção de Charlie Hebdo, de fato, não “vingou” o profeta Maomé, mas foram os “princípios e valores islâmicos” que foram “traídos e desonrados”.

Por sua parte, o secretário da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, “condenou veementemente o ataque terrorista".

Em uma declaração conjunta, co-assinada pelo cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, quatro imanes franceses, presentes ontem na audiência geral do Papa, pediram para que se promova por todos os meios “uma cultura de paz e esperança", capaz de superar o medo e de construir pontes entre as pessoas.

Os Imanes e prelado, pedindo para os meios de comunicação difundirem uma informação respeitosa das religiões, relançaram o diálogo inter-religioso como o único caminho para superar os preconceitos.

À margem da sua reunião no Vaticano com o Papa Francisco, o reitor da Mesquita de Villerubanne, disse à edição francesa de ZENIT para continuar, apesar de tudo, a proteger o "sonho" de que "o sacerdote na sua igreja, o rabino na sua sinagoga e o imã em sua mesquita” sejam “capazes de ensinar aos nossos compatriotas e fieis” a “respeitar o amor, os sentimentos, a complexidade daqueles que não são como nós, que não compartilham a mesma fé, a mesma espiritualidade, mas com quem temos que construir o nosso futuro, porque moramos na mesma França e na mesma Europa”.

Na Itália se destaca a condenação da União das Comunidades Islâmicas Italianas (UCOII), que definiu os terroristas como “demónios criminosos perfeitamente treinados e cruéis".

"Nós não temos necessidade de nos dissociar - o UCOII declaração - nada como esta prática criminosa é alheio a nossa religião e nossa ética e pratica civis e ainda queremos expressar, além da consternação, pêsames e proximidade às famílias das vítimas, até mesmo a nossa raiva contra qualquer pessoa que tenha planeado e realizado este ato criminoso sangrento".

O UCOII espera, finalmente, que "os muitos milhões de muçulmanos da França e da Europa não sofram mais uma criminalização injusta e que quanto antes se esclareça esta dramática história". 

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