Enquanto isso, o suposto "terceiro homem" do massacre se diz inocente. Os principais suspeitos refugiados numa casa perto da capital francesa
Roma, 08 de Janeiro de 2015 (Zenit.org)
No dia em que a França está de luto nacional, permanece o
grosso mistério sobre os reais responsáveis do atentado à redacção da
revista satírica Charlie Hebdo, onde doze pessoas foram mortas.
Na noite de ontem se entregou o terceiro dos suspeitos do massacre,
o jovem de 18 anos Hamyd Hourad, que teria agido como motorista dos
assassinos. O jovem, no entanto, se diz inocente e, de acordo com
algumas testemunhas, na manhã de ontem, ele estava na escola.
Enquanto isso estão na busca dos dois principais suspeitos, os irmãos
Cherif e Said Kouachi (o primeiro cunhado de Hourad), que teriam se
refugiado em uma casa em Crépy-en-Valois, a 70 km ao nordeste de Paris,
onde há uma operação da polícia especial.
Os dois irmãos Kouachi - veteranos da Síria e um deles, Cherif, já
conhecido da justiça francesa por actividades terroristas – teriam
abandonado os seus carros durante a fuga, não antes de ter assaltado e
roubado um posto de gasolina: a vítima do roubo disse ter visto dentro
do carro algumas armas, incluindo metralhadoras e lançadores de
foguetes. Após o abandono, no veículo foram encontrados cocktail's
molotov e uma bandeira jihadista.
Enquanto isso, o Conseil français du culte musulman chamou
“os imãs de todas as mesquitas" do País para "condenar com a máxima
firmeza a violência e o terrorismo”, durante a oração da sexta-feira,
para guardar um minuto de silêncio pelas vítimas e participar no próximo
domingo da grande manifestação nacional contra o terrorismo.
Numerosas condenações dos líderes muçulmanos a nível internacional.
Al Azhar, a mais alta instituição religiosa no Egipto, falou de
"criminoso ataque armado”, recordando que o Islão “denuncia qualquer
violência".
O filósofo Tariq Ramadan, neto do fundador da Irmandade Muçulmana,
Hassan al-Banna, disse: "A minha condenação é absoluta e a minha raiva é
profunda com relação a este horror”, acrescentando que o massacre na
redacção de Charlie Hebdo, de fato, não “vingou” o profeta Maomé, mas
foram os “princípios e valores islâmicos” que foram “traídos e
desonrados”.
Por sua parte, o secretário da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, “condenou veementemente o ataque terrorista".
Em uma declaração conjunta, co-assinada pelo cardeal Jean-Louis
Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo
Inter-religioso, quatro imanes franceses, presentes ontem na audiência
geral do Papa, pediram para que se promova por todos os meios “uma
cultura de paz e esperança", capaz de superar o medo e de construir
pontes entre as pessoas.
Os Imanes e prelado, pedindo para os meios de comunicação difundirem
uma informação respeitosa das religiões, relançaram o diálogo
inter-religioso como o único caminho para superar os preconceitos.
À margem da sua reunião no Vaticano com o Papa Francisco, o reitor da
Mesquita de Villerubanne, disse à edição francesa de ZENIT para
continuar, apesar de tudo, a proteger o "sonho" de que "o sacerdote na
sua igreja, o rabino na sua sinagoga e o imã em sua mesquita” sejam
“capazes de ensinar aos nossos compatriotas e fieis” a “respeitar o
amor, os sentimentos, a complexidade daqueles que não são como nós, que
não compartilham a mesma fé, a mesma espiritualidade, mas com quem temos
que construir o nosso futuro, porque moramos na mesma França e na mesma
Europa”.
Na Itália se destaca a condenação da União das Comunidades Islâmicas
Italianas (UCOII), que definiu os terroristas como “demónios criminosos
perfeitamente treinados e cruéis".
"Nós não temos necessidade de nos dissociar - o UCOII declaração -
nada como esta prática criminosa é alheio a nossa religião e nossa ética
e pratica civis e ainda queremos expressar, além da consternação,
pêsames e proximidade às famílias das vítimas, até mesmo a nossa raiva
contra qualquer pessoa que tenha planeado e realizado este ato
criminoso sangrento".
O UCOII espera, finalmente, que "os muitos milhões de muçulmanos da
França e da Europa não sofram mais uma criminalização injusta e que
quanto antes se esclareça esta dramática história".
(08 de Janeiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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