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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Abortou aos 17, trabalhou num abortório, dois pró-vida num chat mudaram-na… E acabou católica

Nem sequer ter três filhos a tinha feito reflectir 

Jewels Green viu-se desarborizada com a atitude das suas contraditoras,
e daí passou aos seus argumentos.
Actualizado 14 de Dezembro de 2014

C.L. / ReL

A história que marcou a existência de Jewels Green começa aos 17 anos com o seu aborto e termina em 2011, com a sua incorporação no movimento próvida, e em 2012, com a sua conversão ao catolicismo desde a sua formação luterana.

"Durante boa parte da minha vida, estava tão empenhada no meu abortismo que inclusive cortava qualquer conversa que me convidasse a examinar ou questionar a minha posição", explica num recente post do blogue SecularProLife.

Um aborto não querido, um drama posterior
Sendo todavia uma adolescente ficou grávida e a pressionaram para que abortasse: "Consumia drogas e tinha deixado o instituto, mas quando a doutora me disse que estava grávida vi-me a mim mesma como mãe. Todo o mundo queria que abortasse... Salvo eu". De facto, deixou de drogar-se, foi a uma biblioteca, escolheu um livro sobre mães adolescentes e pediu hora com a matrona para a primeira verificação". Sem dúvida a "violência e ameaças", sobretudo do seu namorado e pai da criatura, levaram-na até o abortório um 6 de Janeiro de 1989, quando já estava de nove semanas e meia de gestação.

As consequências foram devastadoras: tentou suicidar-se três vezes e tiveram que interna-la um mês numa clínica psiquiátrica para adolescentes. Ela descreveu depois com todo o detalhe as características da dor que a afundou por completo: enquanto cortava as veias com um cúter ou se empanturrava de fármacos, "preferia a dor física à dor emocional".

Abortista procurando um alívio à consciência
A volta que supôs esse facto na sua vida traduziu-se numa espantosa opção laboral: durante cinco anos a partir de então, desde os 18 aos 23, trabalhou num abortório: primeiro ai telefone, depois na recepção inscrevendo clientes e recebendo os pagamentos, depois como auxiliar de enfermaria e, depois de diplomar-se em Psicologia, como conselheira para as mães que iam ao centro.

Durante todo o tempo que trabalhou ali, foi uma firme defensora do direito ao aborto, e manifestou-se em repetidas ocasiões por isso, apesar de que sofreu pesadelos quando chegou a ver os corpos cortados dos bebés: "Todo esse tempo sabia no meu coração que o que tinha feito estava mal, que tinha perdido o meu filho. Agora compreendo que, rodeando-me de pessoas que consideravam correcto abortar crianças, procurava que algum dia me parecesse a mim também correcto ter abortado o meu. Mas isso nunca sucedeu".

Jewels mudou de trabalho em meados dos 90, mas todavia em 2002 voltou durante um tempo a ganhar a vida num abortório... Apesar de que estava então grávida do seu primeiro filho. Ainda teria dois filhos mais, enquanto continuava sendo partidária do chamado "direito a decidir".

Um chat salvador
Tudo começou a mudar em 2010, quando uma amiga alugou o seu útero para conceber o filho de outros. Durante uma das provas dessa gravidez, detectou-se que a criança tinha síndroma de Down. Os pais de aluguer ofereceram então a mulher pagar-lhe o contracto na sua integridade (dezenas de milhares de dólares) se abortasse. E ela abortou. Então algo se iluminou na mente de Jewels: "Isto está mal", disse.

Começou a investigar sobre a maternidade de aluguer e chegou a um fórum onde se discutia o tema. Ela interveio defendendo todavia a postura de que o embrião é um "emaranhado de células" que não merecem a mesma consideração que uma pessoa adulta. E encontrou-se com duas contraditoras pró-vida, Lindsay e Lauren, que a deslumbraram.

"Falavam clara, coerente e piedosamente perante uma dúzia de oponentes apoiando o direito desses seres humanos microscópicos a chegar à maduração", recorda: "Nunca se zangaram, despreciaram ou insultaram aqueles que discordavam de elas, mas nunca se renderam".

"A sua firme crença e a sua eloquente defesa do valor de toda a vida humana fez brecha na armadura que eu tinha construído cuidadosamente durante décadas. Que era a vida, senão um contínuo desde a concepção à morte? Por acaso não fui eu também uma vez um pequeno emaranhado de células? Finalmente comecei a pensar de uma forma distinta nestes assuntos sobre a vida, e a examinar a fundo a minha posição, tão largamente sustida e nunca questionada. Pouco a pouco comecei a considerar que a criança no seio materno podia ser, com efeito, um menino", conclui.

O caminho à fé

Meses depois, Jewels incorporou-se no movimento pró-vida. Foi ao seu pastor luterano confiar-lhe a sua mudança, mas se encontrou com que a ELCA (das siglas em inglês de Igreja Luterana Evangélica na América) sustém uma posição pro-choice [pró-escolha]: "Compreendi que teria que fazer alguma procura espiritual mais".

E assim chegou a ler o já clássico Rome Sweet Home [Roma, doce lar, edição espanhola na Rialp], dos esposos Scott e Kimberly Hahn, que seria o seu acompanhamento no caminho até à Igreja católica. Que a convenceu mais? A Presença Real de Jesus Cristo na Eucaristia: "Além de recebê-Lo na missa, o que mais me atrai é a adoração eucarística. É o que finalmente me decidiu: a ideia de que Deus possa estar todos os dias comigo. Ir à missa alimenta a tua alma".

"Nunca agradecerei o bastante a Lindsay e Lauren o seu inquebrantável testemunho a favor da santidade da vida. Sem sabê-lo, puseram-me no caminho de descobrir e aceitar o direito à vida desde a concepção até à morte, e dedicar a minha vida a defendê-lo": tudo um resultado do trabalho silencioso de milhares de pró-vida em todo o mundo e a esses triunfos que conseguem ainda que só Deus os conheça.


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