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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A reconciliação do Sri Lanka passa pelo diálogo inter-religioso

Em seu discurso às autoridades civis e religiosas do Sri Lanka, o Papa Francisco falou do processo de paz após a Guerra Civil e explicou que "ponto central" da sua visita é a canonização do Beato Joseph Vaz


Roma, 13 de Janeiro de 2015 (Zenit.org) Federico Cenci


Cinco minutos mais cedo, à 1:25 dessa madrugada, horário brasileiro, o avião que transportava o Papa Francisco pousou no aeroporto "Bandaranike" em Katunayake, 22 quilómetros ao norte de Colombo, capital do Sri Lanka e primeira etapa de sua viagem apostólica que também irá levá-lo para as Filipinas. O Santo Padre foi recebido por um dia ensolarado e uma calorosa recepção local; com uma guirlanda de flores coloridas de amarelo e branco (como a bandeira da Cidade do Vaticano), participou da exibição de danças e músicas tradicionais e do coro de um grupo de crianças.

Calor do povo do Sri Lanka que o Papa mencionou no início do seu discurso perante o recém-eleito presidente da República do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, e o arcebispo de Colombo e presidente da Conferência episcopal do Sri Lanka, card. Malcolm Ranjith. "O Sri Lanka é conhecido como a Pérola do Oceano Índico por causa das suas belezas naturais – disse -. Mas, acima de tudo, essa ilha é conhecida pelo calor do seu povo e a rica variedade das suas tradições culturais e religiosas".

Portanto, o Bispo de Roma, depois de agradecer o Presidente do Sri Lanka e todos aqueles que tornaram possível esta viagem, disse que a sua visita é "principalmente pastoral", para "encorajar os católicos desta Ilha, bem como para rezar com eles "e para "expressar o amor e a preocupação da Igreja" por eles.

O Papa falou do “horror” da guerra civil que assolou o país em um confronto entre as forças do governo e do exército Tamil, que durou de 1983 a 2009 e que produziu mais de 27 mil mortes. "É uma tragédia constante do nosso mundo que muitas comunidades estão em guerra entre si – reflectiu o Papa -. A incapacidade de reconciliar as diferenças e as discórdias, antigas ou novas, tanto faz, fez surgir tensões étnicas e religiosas, acompanhadas frequentemente por rajadas de violência".

O seu incentivo é continuar no caminho da paz, no entanto, "não é uma tarefa fácil" superar "a amarga herança de injustiça, hostilidade e desconfiança deixada pelo conflito". Determinante no processo de consolidação é, portanto, buscar a verdade, “não com o objectivo de abrir velhas feridas, mas sim como meio necessário para promover a sua cura, a justiça e a unidade”, disse o Papa.
No actual processo de reconciliação no Sri Lanka, “tem um papel essencial” as “várias tradições religiosas”. E "é necessário que todos os membros da sociedade trabalhem juntos; que todos tenham voz”, acrescentou o Santo Padre. Este é o antídoto para uma convivência de paz. Todos “devem estar prontos para aceitar-se mutuamente, para respeitar as legítimas diversidades e aprender a viver como uma única família – afirmou -. Sempre que as pessoas ouvem umas às outras de forma aberta e com humildade, pode emergir os valores e as aspirações comuns". Se isso for feito, “a diversidade não será mais vista como uma ameaça, mas como fonte de enriquecimento”.

O Papa também ressaltou que "a harmonia social" também passa pela “melhoria das infraestruturas e provisão das necessidades materiais", mas "especialmente" passa pela promoção da "dignidade da pessoa humana, o respeito pelos direitos humanos e a plena inclusão de cada membro da sociedade”.

Antes de dar a bênção para o povo do Sri Lanka, a "Pérola do Oceano Índico", e de cumprimentar as autoridades civis e religiosas, o Papa Francisco, no meio de seu discurso, explicou que "ponto central" da sua visita é a canonização do missionário indiano Beato José Vaz, "cujo exemplo de caridade cristã e de respeito por todas as pessoas, independentemente de etnia ou religião, continua ainda hoje a inspirar-nos e ensinar-nos”.

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