Em seu discurso às autoridades civis e religiosas do Sri Lanka, o Papa Francisco falou do processo de paz após a Guerra Civil e explicou que "ponto central" da sua visita é a canonização do Beato Joseph Vaz
Roma, 13 de Janeiro de 2015 (Zenit.org) Federico Cenci
Cinco minutos mais cedo, à 1:25 dessa madrugada, horário
brasileiro, o avião que transportava o Papa Francisco pousou no
aeroporto "Bandaranike" em Katunayake, 22 quilómetros ao norte de
Colombo, capital do Sri Lanka e primeira etapa de sua viagem apostólica
que também irá levá-lo para as Filipinas. O Santo Padre foi recebido por
um dia ensolarado e uma calorosa recepção local; com uma guirlanda de
flores coloridas de amarelo e branco (como a bandeira da Cidade do
Vaticano), participou da exibição de danças e músicas tradicionais e do
coro de um grupo de crianças.
Calor do povo do Sri Lanka que o Papa mencionou no início do seu
discurso perante o recém-eleito presidente da República do Sri Lanka,
Maithripala Sirisena, e o arcebispo de Colombo e presidente da
Conferência episcopal do Sri Lanka, card. Malcolm Ranjith. "O Sri Lanka é
conhecido como a Pérola do Oceano Índico por causa das suas belezas
naturais – disse -. Mas, acima de tudo, essa ilha é conhecida pelo calor
do seu povo e a rica variedade das suas tradições culturais e
religiosas".
Portanto, o Bispo de Roma, depois de agradecer o Presidente do Sri
Lanka e todos aqueles que tornaram possível esta viagem, disse que a sua
visita é "principalmente pastoral", para "encorajar os católicos desta
Ilha, bem como para rezar com eles "e para "expressar o amor e a
preocupação da Igreja" por eles.
O Papa falou do “horror” da guerra civil que assolou o país em um
confronto entre as forças do governo e do exército Tamil, que durou de
1983 a 2009 e que produziu mais de 27 mil mortes. "É uma tragédia
constante do nosso mundo que muitas comunidades estão em guerra entre si
– reflectiu o Papa -. A incapacidade de reconciliar as diferenças e as
discórdias, antigas ou novas, tanto faz, fez surgir tensões étnicas e
religiosas, acompanhadas frequentemente por rajadas de violência".
O seu incentivo é continuar no caminho da paz, no entanto, "não é uma
tarefa fácil" superar "a amarga herança de injustiça, hostilidade e
desconfiança deixada pelo conflito". Determinante no processo de
consolidação é, portanto, buscar a verdade, “não com o objectivo de abrir
velhas feridas, mas sim como meio necessário para promover a sua cura, a
justiça e a unidade”, disse o Papa.
No actual processo de reconciliação no Sri Lanka, “tem um papel
essencial” as “várias tradições religiosas”. E "é necessário que todos
os membros da sociedade trabalhem juntos; que todos tenham voz”,
acrescentou o Santo Padre. Este é o antídoto para uma convivência de
paz. Todos “devem estar prontos para aceitar-se mutuamente, para
respeitar as legítimas diversidades e aprender a viver como uma única
família – afirmou -. Sempre que as pessoas ouvem umas às outras de forma
aberta e com humildade, pode emergir os valores e as aspirações
comuns". Se isso for feito, “a diversidade não será mais vista como uma
ameaça, mas como fonte de enriquecimento”.
O Papa também ressaltou que "a harmonia social" também passa pela
“melhoria das infraestruturas e provisão das necessidades materiais",
mas "especialmente" passa pela promoção da "dignidade da pessoa humana, o
respeito pelos direitos humanos e a plena inclusão de cada membro da
sociedade”.
Antes de dar a bênção para o povo do Sri Lanka, a "Pérola do Oceano
Índico", e de cumprimentar as autoridades civis e religiosas, o Papa
Francisco, no meio de seu discurso, explicou que "ponto central" da sua
visita é a canonização do missionário indiano Beato José Vaz, "cujo
exemplo de caridade cristã e de respeito por todas as pessoas,
independentemente de etnia ou religião, continua ainda hoje a
inspirar-nos e ensinar-nos”.
(13 de Janeiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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