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domingo, 16 de novembro de 2014

“A arte como forma de educação”

Preguiça

Gula

Inveja

Luxúria

Ira

Avareza

Orgulho

















Era uma tarde de outono, solarenga e amena que convidava a “vaguear”, vagarosamente, pelas Avenidas Novas, em Lisboa.

O colorido duma pequena galeria - BOOKSHOP BIVAR - atraiu-me, entrei e deparei-me com uma interpelativa exposição de pintura que muito sugestivamente se chamava: “ Os 7 pecados capitais”.

Foi uma verdadeira revelação na medida em que nunca tinha visto ou ouvido este tema abordado de forma tão jovial, leve, atractiva e até com alguma pitada de humor.

Curiosa indaguei sobre a autora dos mesmos e também do porquê deste tema, assim analisado de forma tão inovadora e surpreendente.

Chama-se Soili Horttana, nasceu na Finlândia, vivendo em Portugal há 30 anos, de sorriso luminoso, e falando correctamente a nossa língua, não se coibiu de partilhar o motivo do tema:” Dos seus tempos de menina recorda de forma intensa a atracção dos seus impulsos contra a prática das virtudes humanamente indispensáveis a qualquer cidadão normal, o que naturalmente em qualquer país de qualquer latitude, faz parte da educação que se ministra aos jovens aconselhar a prática do bem agir e não implementar o medo ou a punição no caso da fragilidade humana ceder à tentação dum gelado ou duma atitude um pouco mais irada…”

Esta educativa forma de sensibilizar para o equilíbrio, sem traumatizar ou dramatizar, os excessos transformaram-se numa doce recordação de infância a qual a pintora procura, através da arte, transmitir e partilhar com os outros essa leveza libertadora de tensões, reabilitadora e positivamente encorajadora. 

Considerando que este tema é deveras chocante na medida em que a todos nos afecta, retratá-lo com personagens já adultas tocaria o grotesco, o que não era a intenção da pintora, pelo que recorreu a personagens muito jovens, na medida em que também será nesta idade que se deve moldar a personalidade.

Longe de querer chocar ou magoar, ela prefere ajudar, sensibilizar e despertar para a prática das virtudes, do equilíbrio, da moderação, sem ferir mas, suavemente, impelir à superação numa atitude de catarse libertadora, construtiva e alegremente convidativa, para que não nos distraiamos e nos deixemos seduzir pelos facilitismos que nos rodeiam, circundam, abafam, alienam e cerceiam a verdadeira liberdade. 

“Temos de fazer um esforço consciente para desenvolver as virtudes e proteger-nos dos excessos. A vida simples mantém a alma limpa, o corpo mais leve e menos oprimido. No fundo as pessoas anseiam por ter valores verdadeiros mas estes exigem disciplina e esforço, as coisas valiosas não são as mais fáceis nem as mais atraentes ou sedutoras”.

“O mundo actual é como uma criança numa loja de doces e bolos, primeiro é a euforia a que se seguem as inevitáveis indisposições físicas ou mentais e, em vez de darem felicidade, pelo contrário, complicaram-nos a saúde e a tranquilidade.

Com a ira magoamos os outros, a inveja gera muita infelicidade, a luxúria afasta-nos dos outros, porque não os vemos como pessoas mas sim como objectos, a avareza fecha-nos para a vida, só nos focamos no acumular para nós, a preguiça limita o nosso agir e o orgulho diminui a nossa capacidade de ir mais além, de crescer e de nos construirmos como seres melhores.

Este tema recordou-me como de certa forma todos somos um pouco vítimas destas tentações a que se chamam os 7 pecados capitais.” 

Curiosamente também a RTP1 apresentou semanalmente um programa, de 6 de outubro e até 17 de novembro, em que aborda casos verídicos de pessoas que viveram experiências terríveis durante vários anos mas conseguiram sobreviver, recuperar a auto-estima e o tempo perdido.

Na opinião da pintora este programa terá sido mais uma achega ao seu intuito de alertar para a possibilidade e necessidade de educar alertando para o perigo dos excessos, na medida em que eles serão sempre o caminho mais curto de ceder à tentação que conduz ao sofrimento, à solidão, à dependência e à infelicidade.


Maria Susana Mexia




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