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sábado, 12 de julho de 2014

Turismo: instrumento para a evangelização

Em preparação para o Dia Mundial do Turismo, 27 de Setembro, o Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes destaca programas inovadores de muitas dioceses e congregações


Roma, 11 de Julho de 2014 (Zenit.org)


Às vésperas do Dia Mundial do Turismo, agendado para 27 de Setembro, sobre o tema Turismo e Desenvolvimento Comunitário, a Santa Sé quer “acompanhar este fenómeno a partir do âmbito que lhe é próprio, de maneira particular no contexto da evangelização.”

Com estas palavras começa a Mensagem para o Dia Mundial do Turismo, lançada pelo Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, assinado pelo cardeal Antonio Maria Vegliò e dom Joseph Kalathiparambil, respectivamente presidente e secretário do dicastério vaticano.

Animada pelos princípios do "desenvolvimento humano integral" e do "desenvolvimento comunitário”, a Igreja Católica tem no coração que o “turismo devem ter em vista alcançar um progresso equilibrado, que seja sustentável e respeitoso em três âmbitos: económico, social e ambiental, entendendo com isto tanto o âmbito ecológico como o contexto cultural”, lê-se na mensagem. 

Tendo em vista as estatísticas mais recentes, “o sector turístico manifesta-se como uma das opções mais viáveis e sustentáveis para reduzir o nível de pobreza das áreas mais subdesenvolvidas” e como "um inestimável instrumento de progresso, de criação de lugares de trabalho, de desenvolvimento de infraestruturas e de crescimento económico”.

Além disso, o turismo se apresenta "como um dos sectores com maiores capacidades de gerar um tipo de emprego “criativo” e diversificado, do qual podem beneficiar com maior facilidade os grupos mais desfavorecidos, dos quais fazem parte as mulheres, os jovens e algumas minorias étnicas”.

Os benefícios do turismo deveriam atingir "todos os sectores da sociedade" e ter "um impacto directo sobre as famílias e, ao mesmo tempo, é necessário valer-se ao máximo nível dos recursos humanos locais”.

Não menos essencial é "que para alcançar estes benefícios se sigam critérios éticos respeitadores sobretudo das pessoas, tanto no plano comunitário como a nível de cada indivíduo, fugindo de uma "concepção puramente económica da sociedade", em particular quando a busca do lucro”.

O desenvolvimento do turismo deve garantir que o “protagonista seja a comunidade local, que o deve fazer seu, com a participação concreta de parceiros sociais, institucionais e civis." Não se trata, portanto, de fazer algo "pela" comunidade, mas sim "com" a comunidade, elemento preeminente na actividade turística, mais do que “uma paisagem bonita ou uma infraestrutura confortável”.

O encontro entre o turista e a população local deve ser "respeitoso" e deve instaurar um "diálogo frutífero que incentiva a tolerância, o respeito e a compreensão mútua."

Por sua vez, “também os cristãos do lugar devem ser capazes de manifestar a sua arte, as suas tradições, a sua história, os seus valores morais e espirituais, mas principalmente a sua fé, que se encontra na origem de tudo isto e que lhe confere sentido”.

Na mensagem, o Cardeal Vegliò e Dom Kalathiparamil destacam que "em várias partes do mundo a Igreja reconheceu as potencialidades do sector turístico e pôs em prática projectos simples mas eficazes”, entre os quais o "turismo solidário ou de voluntariado”, que permite que as pessoas “aproveitam o tempo das férias para colaborar em determinados projectos de cooperação em países menos desenvolvidos”.

Os representantes do Dicastério citam os "os programas de turismo sustentável e solidário, promovidos por conferências episcopais, dioceses ou congregações religiosas em regiões desfavorecidas”, além de paroquias das regiões turísticas que recebem o visitante oferecendo “propostas litúrgicas, formativas e culturais”, que procuram desenvolver uma “pastoral da amabilidade”.

Todas essas experiências “surgidas a partir do esforço, do entusiasmo e da criatividade de muitos sacerdotes, religiosos e leigos que, deste modo, desejam colaborar para o desenvolvimento socioeconómico, cultural e espiritual da comunidade local, ajudando-a a olhar para o seu futuro com esperança”, conclui a mensagem.

(Trad.:MEM)

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