Fundação AIS promove campanha para ajudar os refugiados oriundos das zonas controladas pelo ISIS
Roma, 11 de Julho de 2014 (Zenit.org)
A Fundação AIS promoveu, na passada quarta-feira, 9, um
encontro entre os bispos de Bagdade, Mossul e Kirkuk com os dirigentes
da União Europeia. O objectivo da reunião é a necessidade urgente de se
apoiar a multidão de novos refugiados oriundos das zonas controladas
pelo ISIS, um grupo radical sunita que conquistou Mossul e pretende
tomar a própria capital iraquiana, Bagdad.
"Os próximos dias vão ser muito maus. Se a situação não mudar, os
cristãos vão ser apenas uma presença simbólica no Iraque", disse D.
Louis Sako. “Caso este êxodo continue, terminará a história do
cristianismo no Iraque”, acrescentou.
Por sua vez, o Arcebispo de Mossul explicou aos dirigentes
comunitários como a vida se tornou praticamente impossível desde que
esta cidade caiu nas mãos do ISIS no mês passado.
A fama de violência que rodeia este grupo islamita levou a que cerca
de 500 mil pessoas tivessem fugido da cidade, entre os quais a
esmagadora maioria da comunidade cristã. Segundo este prelado, neste
momento não há água em Mossul, nem praticamente electricidade. “Há
apenas medo", disse.
O mesmo se passa em Kirkuk, Segundo D. Mirkis, apesar de se estar na
região curda, mais segura, assiste-se à debandada de “centenas de
cristãos todos os dias”.
Para este Arcebispo, a causa principal para a fuga dos cristãos tem
de ser encontrada no “ambiente de pânico” que se verifica entre a
comunidade. “São poucos os cristãos que ainda projectam a sua vida e o
seu futuro no Iraque.”
Os três prelados procuraram explicar também aos responsáveis
políticos de Bruxelas que os cristãos no Iraque são, hoje em dia, o
grupo religioso mais fragilizado perante a erupção do conflito armado.
“Ao contrário dos sunitas, xiitas e curdos, os cristãos não têm milícias
para se protegerem.”
Perseguição aos cristãos
E não é só no Iraque que isto acontecendo. Desde a proclamada
“Primavera Árabe” que os cristãos têm vindo a ser vítimas do poder
crescente dos radicais islâmicos.
É o caso do ISIS, anteriormente denominado Estado Islâmico do Iraque e
do Levante e que agora se intitula apenas Estado Islâmico.
Este grupo radical, que pertence à órbita da Al-Qaeda, declarou a
instauração de um califado nas regiões que controla e que se estendem
desde certas zonas da Síria, nomeadamente a cidade de Raqqa, até ao
Iraque, tendo já conquistado Mossul, a segunda cidade mais importante do
país.
Na passada segunda-feira, duas religiosas e três crianças foram
sequestradas em Mossul em plena luz do dia. D. Louis Sako informou ainda
os dirigentes da União Europeia que as igrejas cristãs foram fechadas
ao culto em Mossul.
O fundamentalismo como grande inimigo também do Ocidente
Em recentes entrevistas concedidas à AIS os prelados também puderam
explicar o que está por detrás de toda essa violência: o desejo dos
radicais de islamizar o mundo.
“O ISIS pretende fundar um Estado islâmico com poços de petróleo a
fim de islamizar o mundo”, afirmou D. Louis Sako, Patriarca Caldeu em
entrevista no dia 28 de Junho.
O mesmo prelado afirmou que o grande inimigo a ser enfrentado é o
fundamentalismo, o extremismo, e este só pode ser combatido com o
diálogo e a cultura, pois “Quanto maior for a cultura de um país menos susceptível é ao fanatismo”. O próprio arcebispo coloca muita esperança
na geração mais jovem. “Eu procurei sempre formá-los”, porque “o povo
Iraquiano não é naturalmente fanático. Mas, tal como o mundo islâmico,
como um todo, foi sequestrado por fanáticos”.
O Patriarca Caldeu referiu que o sofrimento não se restringe somente
ao cristianismo, mas também à elite árabe que tem sido objecto de
constante perseguição, em definitiva, a mira é qualquer um que não pense
como eles. “Não há perseguição aos Cristãos. Há muitos mais muçulmanos
que fugiram de Mossul e arredores”. O prelado afirmou que a solução para
o conflito não é a intervenção armada do Ocidente, e recordou que “os
Americanos destituíram um ditador, mas sob o regime de Saddam Hussein
pelo menos tínhamos segurança e trabalho. E o que é que temos agora?
Confusão, anarquia e caos”.
Em época de Copa do Mundo, e com o coração nas próprias selecções e
nos partidos, D. Loius denunciou que “O Ocidente se contenta com ser um
expectador descomprometido diante do sofrimento do Oriente, e que tem
como única preocupação o futebol; por outro lado, a política ocidental
só busca interesses económicos, em vez de “pressionar os políticos
iraquianos para fazê-los encontrar uma solução política e formar um
Governo de unidade nacional”.
Ajuda aos refugiados
Para ajudar os refugiados acesse: http://www.fundacao-ais.pt/cms/view/id/335
(Fonte: AIS / Red. T.S.)
(11 de Julho de 2014) © Innovative Media Inc.
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