O Papa emérito Bento XVI, cinco cardeais, vários bispos, três secretários, um fotógrafo, um policial, um médico, um postulador, duas pessoas curadas milagrosamente falam sobre a santidade de Karol Wojtyla
Roma, 07 de Março de 2014 (Zenit.org) Antonio Gaspari
Entrevistar personalidades é um género literário de grande actualidade. Mas Włodzimierz Redzioch, um engenheiro dedicado à Igreja,
jornalista e escritor, não ficou satisfeito. Então, para falar sobre a
santidade do Papa João Paulo II escreveu um livro com 21 entrevistas.
Editado por ARES (Itália ndt), o título é “Accanto a Giovanni Paolo II –
Gli amici e i collaboratori raccontano” (Junto a João Paulo II – Os
amigos e os colaboradores falam).
O começo do livro é brilhante: abre-se, de fato, com a entrevista
exclusiva com o Papa emérito Bento XVI. A isto seguem-se as entrevistas
aos amigos de sempre que conviveram com Wojtyla em Cracóvia: o prof.
Stanislaw Grygiel, a doutora sobrevivente dos campos de concentração
nazistas Wanda Poltawska, o cardeal Stanisław Kazimierz Nagy. Depois os
secretários do Papa, o cardeal Stanislaw Dziwisz, monsenhor Mieczyslaw
Mokrzycki, actual arcebispo de Leopoli, e Monsenhor Emery Kabongo
Kanundowi. Presentes também as entrevistas aos colaboradores na diocese
de Roma e no Vaticano: os cardeais Camillo Ruini, Angelo Sodano,
Tarcisio Bertone; depois mons. Pawel Ptasznik, e Joaquín Navarro-Valls, director da Sala de Imprensa do Vaticano.
O autor também recolheu as declarações de amigos e colaboradores do
Papa, como mons. Javier Echevarría, actual prelado do Opus Dei, o fiel
fotógrafo Arturo Mari, o jornalista e escritor Gian Franco Svidercoschi,
o gendarme Egildo Biocca, organizador dos passeios do Papa, o médico
que sempre o visitou e curou, o dr. Renato Buzzonetti. E ainda as
pessoas que por várias razões foram envolvidas nos processos de
beatificação e canonização, como o postulador mons. Slawomir Oder, o
cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos,
e, finalmente, os dois que foram curados milagrosamente: Irmã Marie
Simon-Pierre Normand e Florybeth Mora Diaz.
Para muitos parece que já se conhece quase tudo da vida de João Paulo
II; destas 21 entrevistas do livro, surgem histórias, anedotas,
detalhes inéditos do homem Karol Wojtyla.
Por exemplo, narra o autor:
"No dia 28 de Setembro de 1978 Dom Stanislaw Dziwisz acompanhou o
Cardeal na Catedral de Wawel (o castelo do rei da Polónia), a mesma
catedral onde 20 anos antes Karol Wojtyla tinha sido consagrado bispo no
dia da festa de São Venceslau (Waclaw em polaco). No dia seguinte, Dom
Stanislaw e Wojtyla estavam tomando café da manhã quando chegou o
motorista da Curia, Jozef Mucha, que disse bem baixinho: “João Paulo I
morreu". Wojtyła ficou horrorizado e murmurou: "É uma coisa inédita,
inédita...", em seguida, retirou-se para o seu quarto.
Logo depois, Don Stanislaw viu Wojtyla ir para a capela, onde
permaneceu por um longo tempo. Don Stanislaw recorda bem as palavras do
cardeal pronunciadas durante a homilia da Missa pelo Papa falecido, que
mostravam bem o seu estado de espírito: “Todo o mundo, toda a Igreja se
coloca a pergunta: ‘Por quê?' (...) Não sabemos qual é o significado
desta morte para a Sé Apostólica. Não sabemos o que Cristo queria dizer
para a Igreja e para o mundo através desta morte".
Para Don Stanislaw a morte do Papa significava que precisava preparar
as malas e organizar a viagem para Roma. Parecia que se repetia o
cenário depois da morte de Paulo VI. Karol Wojtyla desta vez estava mais
pensativo, embora não expressasse os seus sentimentos. Para um casal de
amigos, antes da partida, sussurrou sem acrescentar mais: “Esperava ter
mais tempo”.
O resto é história.
*
O autor
Włodzimierz Redzioch nasceu em 1º de Setembro de 1951, em Czestochowa
(Polónia). Graduado em engenharia pela Universidade Técnica de
Czestochowa, continuou seus estudos na Universidade de Varsóvia, no
Instituto de Estudos Africanos (dois anos de estudos de pós-graduação).
Em 1980 trabalhou no Centro de Peregrinos Polacos em Roma. Naquela
época, ele preparou os guias de Roma e da Terra Santa no idioma polaco.
De 1981 ao 2012 trabalhou no L'Osservatore Romano.
É autor dos livros: "La Tomba di San Pietro” (Editora Calvarianum,
1989), "I Giardini del Vaticano e Castel Gandolfo” (Sport e Turystyka,
1990), "La Basilica di San Pietro” (Pallotinum II, 1991), "Il Pallazzo
Apostolico (Pallotyński Sekretariat Misyjny, 1993 r.).
É também o autor das guias dos santuários marianos: “Lourdes” (Pallotinum II, 1992), e "Fatima e i dintorni” (Pallotinum II, 1993),
ambos com a introdução do cardeal Andrzej Maria Deskur.
Na Polónia, foi o promotor da peregrinação a Santiago de Compostela e
autor do guia: "Santiago de Compostela - a peregrinação ao túmulo de
São Tiago" (Pallotyński Sekretariat Misyjny, 1997 r.) E do álbum "A
peregrinação. Santiago de Compostela" (Bialy Kruk Publishing House ,
1999).
É co-autor do livro sobre a Jornada de oração em Assis: "Assisi.
Incontro delle religione del mondo” (Calvarianum, 1990) e do álbum de
Grzegorz Gałązka: "Cardeais do Terceiro Milénio" (Livraria Editora
Vaticana, 1996).
Desde 1995 colabora com o mais popular semanário católico polaco
"Niedzela", com a revista mensal americana de inspiração católica
"Inside the Vatican" e com a agência de notícias "Zenit". No dia 23 de Setembro de 2000, recebeu na Polónia o prémio católico pelo jornalismo
“Mater Verbi”.
No dia 14 de Julho de 2006, Sua Santidade Bento XVI conferiu-lhe o título de Comendador da Ordem de São Silvestre Papa.
(Trad.TS)
(07 de Março de 2014) © Innovative Media Inc.
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