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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Outra «Maria» viajando pelo deserto, a ponto de parir: o Natal que a Irmã Adele em Karak

Uma missionária entre as refugiadas sírias grávidas 

As Cáritas do Médio Oriente estão abarrotando com centenas de milhares
de refugiados sírios, quase todos eles muçulmanos
Actualizado 23 de Dezembro de 2013

AsiaNews / ReL

A Irmã Adele Brambilla, religiosa comboniana do hospital italiano de Karak (Jordânia do sul) descreve a vida quotidiana dos refugiados sírios.

Milhares de famílias estão acampados sem nada para manter o calor neste frio Inverno. As enfermidades e o frio matam as crianças. É o Natal.

"O sorriso de uma mãe com o seu bebé recém-nascido nos braços é a melhor resposta ao significado do Natal na tragédia da guerra.

A esperança não morreu, ainda vive. São os refugiados aqueles que a comunicam". Isto é o que diz à AsiaNews a irmã Adele Brambilla, religiosa comboniana e operadora do Hospital Italiano de Karak, no sul da Jordânia.

Residem ali mais de 30 mil refugiados chegados da Síria.

"A esperança (continua a religiosa) mantém em alto até os que foram chamados a trabalhar juntos, independentemente da sua raça, religião e crenças, porque a solidariedade humana todavia tem uma cara".

Somente num dia, o passado 11 de Dezembro, enquanto caía uma grande tormenta de neve em todo o Médio Oriente, mais de 700 pessoas cruzaram a fronteira da Síria com a Jordânia. É um goteio incessante.

Os refugiados sírios na Jordânia são já mais de 1,3 milhões. Quem não vive nas zonas administradas pela ONU e os organismos internacionais vagueia pelo deserto em busca de refúgio e a maioria pedem ajuda ao hospital de Karak, o único capaz de oferecer, além da atenção, ainda que seja um mínimo de hospitalidade.

A irmã Adele descreve o drama da vida quotidiana dos refugiados sírios que cruzaram a fronteira para escapar da guerra: "Safaa e a sua família com várias crianças, fugiram de Homs a Damasco, mas um bombardeio próximo do seu bairro destruiu toda a esperança de poder alojar-se e dirigiu-se para a Jordânia. A mulher disse-me que estava imobilizada pelo medo, sobretudo pensando nos seus filhos. Safaa estava aterrorizada por tudo: caminhar pelas ruas, ir através de um bairro, ir à mercearia, o medo de morrer ante os bombardeios imprevisíveis..."

A mulher encontra-se agora na área de Karak com os seus filhos.

Outra história é a de Marwa. "Quando fugiu da Síria (disse a irmã Adele) ela estava na sua primeira gravidez e dirigiu-se ao nosso hospital pois o parto era iminente. Disse-nos que tinha chegado há uns dias, depois de passar algum tempo no acampamento Zaatari. Perguntámos-lhe porque tinha enfrentado a viagem e a doença em tais condições. Queria assegurar um parto seguro à criança ainda se a sua vida estava ameaçada. Para os religiosos e todos os voluntários do hospital o sorriso da mulher com o seu pequeno recém-nascido é o sinal mais concreto que a esperança não morreu".

"O nosso hospital (disse a irmã Adele) dá testemunho desta tragédia que vemos todos os dias nos olhos daqueles que vem a nós em busca de ajuda médica. Durante estas semanas vemos como o frio e a falta de casa adequada afecta as crianças que sofrem de enfermidades, febres, infecções".

"O estabelecer um mínimo de aquecimento está-se convertendo num problema (acrescenta a religiosa) a maioria das famílias não podem comprar uma botija de gás".

Os cilindros de gás também são perigosos. Há pouco, no campo de Zaartari um cilindro de gás butano explodiu numa tenda de campanha, matando um pai e os seus dois filhos.

Mas a irmã Adele está convencida de que o desespero e o ódio nunca têm a vantagem. Numa reunião celebrada no passado 18 de Dezembro em Amman para envolver todas as organizações de beneficência e de assistência social na campanha para a prevenção da poliomielite mostrou-se um profundo sentido da cooperação e a solidariedade entre pessoas de diferentes religiões.

Na reunião apresentou-se a iniciativa de Ader, uma pequena paróquia no sul através da Caritas que ajuda os refugiados na zona, quase todos muçulmanos.

"Outro exemplo (disse a religiosa) é a da recepção do hospital e a assistência a todos aqueles que o solicitem, pelo que é participante deste enfoque compassivo também pessoal muçulmano laico que trabalham connosco", explica.

São sinais de esperança. Um "Muktar” [autoridade muçulmana a cargo de uma área determinada - ndr] nos arredores de Karak, "conhecendo a nossa condição e a utilidade do nosso trabalho, o homem ofereceu-se a levar-nos a visitar algumas famílias sírias muito pobres e com casos da enfermidade"

"Estes sinais (disse a irmã Adele). São a nossa esperança para o Natal. Um Deus que se comunica com a vida e nos convida a dialogar todos nós chamando-nos juntos para abrir as nossas portas para que o Senhor que vem habitar no meio de nós todavia tenha uma casa".


in


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