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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Juan Tarodo, do grupo Olé-Olé, deu um giro radical à sua vida antes de morrer: «Quero voltar a Deus»

Mítico grupo pop espanhol dos anos oitenta 

O grupo Olé-Olé completo. Juan Tarodo é o segundo à direita
Actualizado 21 de Dezembro de 2013

ReL

Vinte anos depois da sua dissolução, e aos 30 da publicação do seu primeiro disco, o mítico grupo pop Olé-Olé voltou a reunir-se em homenagem a um dos seus fundadores, Juan Tarodo, falecido em Maio, e a cujos filhos se destinarão os lucros dos novos temas.

Entre os amigos de infância do bateria e compositor de Olé-Olé encontrava-se o sacerdote dom Juan Pedro Ortuño, Delegado episcopal de Meios de Comunicação da arquidiocese de Madrid. Este é o seu testemunho publicado no semanário Alfa y Omega:

Juji, o músico de Olé-Olé que se enamorou de Deus
Era o Verão de 1969. Levávamos meses preparando as Olimpíadas do bairro... E chegamos à final de Boxe. Colocámos as luvas, e nesse simulado ring, no meio da rua, junto ao rio Manzanares, não cheguei ao quinto assalto. Juji deu-me uma tareia que não esqueceria. Sem dúvida, éramos bons amigos. Sempre estava com um sorriso nos lábios, com alegria e simplicidade, nunca te falava de problemas, mas sim que com tom positivo dizia a tudo que sim, sobretudo se se tratava de avivar a amizade..., uma sincera amizade, tal e como pode viver-se com apenas 10 anos de idade.

Um parêntesis no serviço militar
Posteriormente, coincidimos no mesmo colégio, filial do Calderón de la Barca, e entre estudos, jogos, e professores, Juji ganhou o respeito de todos com a mesma simplicidade de sempre. Passados alguns anos, perdi o contacto e coincidimos em Ibiza, num parêntesis do meu serviço militar, e com a mesma naturalidade de sempre falámos de amigos comuns, famílias e hobbies que partilhávamos.

Foi precisamente durante o serviço militar onde conheci Vicente, futuro sócio numa agência artística valenciana. Tinha deixado a minha vida de cantor, autor e compositor, e, como amador de agente artístico, voltei a encontrar-me com o meu velho amigo (já Juan Tarodo).

O grupo Olé-Olé levava em cena poucos meses, e apresentou-me aos componentes do grupo recém-associado por ele. Realizavam os ensaios num pequeno local de Madrid.

Falamos de projectos, trabalhos e colaborações, com a mesma naturalidade e simplicidade de sempre... Sem dúvida, o Senhor tinha outros projectos para o que subscreve, e voltámos a perder-nos de vista.

Onde celebras Missa?
Há três anos, antigos alunos daquele Colégio da Ribeira do Manzanares tiveram a ideia de utilizar o whatsapp para concertar um grupo dos que partilhamos aqueles anos da infância. Ali voltei a reencontrar-me com Juji, e insistiu ao mostrar-me o seu interesse de ver-nos com calma. Falou-me dos seus filhos (Juan e Laura), e dos projectos que queria que eu conhecesse. Numa ocasião, pude-lhe facilitar que fosse com os seus filhos para estar na primeira fila na oferta da Copa do Rei do Atlético de Madrid à Virgem da Almudena... Mas continuava insistindo em que tínhamos que ver-nos.

Quero voltar a Deus»
Numa ocasião recebi uma chamada sua: «Onde celebras Missa?... Necessito falar contigo». Assistiu à celebração, manteve-se respeitoso em todo o momento e, ao terminar, fomos tomar um café. «Quero voltar a Deus», disse-me.
Na sua azarosa e complicada vida de artista, houve de tudo, mas tinha chegado o momento de recuperar o essencial. Queria casar-se pela Igreja com Marta Ugena, baptizar os seus filhos e receber formação cristã. Além disso, falou-me de possíveis projectos musicais nos quais ele poderia dar uma mão, e que tiveram uma clara cor apostólica da Igreja.

Um surto de leucemia
Ficamos de ver-nos no regresso de uma viagem que tinha, para fazer os preparativos do casamento, as catequeses correspondentes e a preparação dos seus filhos para o Baptismo. Só ao despedir-se, sem dar-lhe importância, e dando-me um abraço, me disse: «Por certo, reza por mim, diagnosticaram-me um surto de leucemia... Mas de certeza que não é grave».

Os seus caminhos vi. Eu o curarei...

No regresso da viagem, Begoña, amiga comum dos dois, advogada de Juan, e também companheira de estudos da infância, chamou-me uma noite: «Juji morreu... Encontra-se na morgue de San Isidro, e gostaríamos que presidisses ao funeral». Fiquei de pedra. Essa semana íamos começar os preparativos do casamento... Ao chegar à morgue, ao ver-me Marta, com a qual Juji ia contrair matrimónio, quase perde o conhecimento: «Ias-nos casar, ias-nos casar...!».

Como pude, celebrei o funeral. Ali havia familiares, alguns artistas, amigos de Juan, antigos componentes de Olé-Olé... Disse-lhes que Juan tinha encontrado o essencial, o Amor de Deus, em Marta Ugena e seus filhos, e que Ele tinha ficado prendado dessa alma, simples, generosa... E livre. Foi precisamente Marta, depois de que Juan recebera o Senhor e entrara em agonia, quem lhe leu uns versículos do profeta Isaías: «Os seus caminhos vi. Eu o curarei e o guiarei, e lhe darei ânimos a ele e aos que com ele choravam».

Assim nasceu a recente homenagem do antigo grupo musical a Juan Tarodo. Agora, se trata de que todos, de uma maneira ou outra, também nos deixemos seduzir por esse Amor que espera, quase como um murmúrio, que digamos Sim!, vale a pena amar e ser amado».

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