Correa afirmou que respeita as pessoas, mas critica essa ideologia que querem impor aos jovens. Grupos homossexuais reagiram
Roma, 07 de Janeiro de 2014 (Zenit.org)
A ideia de que a liberdade individual permite a cada um
escolher se é homem ou mulher “é uma barbaridade que não resiste à menor
análise, que atenta contra tudo, contra as leis naturais. Respeitamos
quem pensa assim, mas não é aceitável que eles imponham as suas crenças a
todos. Não imponham isso aos jovens. Existe gente ensinando isso aos
nossos jovens”.
Quem se manifestou com essas palavras foi o presidente do Equador,
Rafael Correa, em 28 de dezembro de 2013, durante uma reunião política
no local de construção do novo Hospital Monte Sinai, na província
equatoriana de Guayas.
O presidente do país sul-americano deixou claro que aposta na família
convencional: “Eu acho que essa ideologia de género, essas fantasias
destroem a família convencional, que continua sendo, e eu acho que vai
continuar sendo, a base da nossa sociedade. Viva a mulher, viva o
movimento feminista pela igualdade dos direitos! Mas vamos ficar atentos
diante desses extremos que dizem que não existem mais homens nem
mulheres naturais, que seriam só construções sociais”.
Correa apoiou a igualdade de direitos entre homens e mulheres, mas
não a “igualdade em todos os aspectos, porque, graças a Deus, homens e
mulheres são diferentes, complementares, e não é questão de impor
estereótipos, mas é bom que uma mulher preserve os seus traços femininos
e que um homem preserve os seus traços masculinos”.
O presidente equatoriano criticou quem faz da defesa da vida ou da
família uma questão política, quando se trata, na verdade, de um
problema moral. E especificou: "Se Pinochet era abortista, então ele era
de esquerda; se o Che Guevara era contrário ao aborto, era de direita;
isso não tem nada a ver com direita ou esquerda, são barbaridades, são
questões morais”.
Rafael Correa matizou que “todos lutamos pela igualdade de direitos
entre homens e mulheres, mas esses movimentos feministas
fundamentalistas são outra coisa”.
“E insisto”, prosseguiu o presidente: “essa ideologia, para mim, é
perigosíssima. Estão ensinando para os nossos jovens em alguns colégios
essa ideologia de género, que basicamente diz que não existe homem e
mulher natural, que a natureza não determina o sexo, que [a identidade
sexual] vem dos condicionamentos sociais e que para ter verdadeira
liberdade eu tenho que me livrar desses condicionamentos sociais e
escolher o meu género. Isso não resiste à menor análise. É pura e dura
ideologia, muitas vezes para justificar o modo de vida de quem gera
essas ideologias. Respeitamos essas pessoas como pessoas, mas não
compartilhamos essas barbaridades que não suportam a menor análise académica e que destroem a base da sociedade, que continua sendo a
família convencional”.
As palavras do presidente do Equador despertaram a reação de
movimentos ideológicos e dos grupos GLBTI (gays, lésbicas, bissexuais,
transexuais e intersexuais), que o criticaram especialmente nas redes
sociais, conforme as informações veiculadas pelo jornal equatoriano El
Comercio. Entre os mais críticos, destacaram-se os promotores do chamado
“matrimônio civil igualitário”, como Pamela Troya e Gabriela Correa,
que tiveram seu pedido de casamento negado pelo Registo Civil
equatoriano por "não cumprimento de todos os requisitos para aprovação".
Esses grupos acusam o presidente de entrar em contradição com a
própria postura manifestada em 13 de Dezembro, quando Correa se reuniu
com oito representantes do lobby LGBTI em Guayaquil e se comprometeu com
a defesa dos direitos das pessoas homossexuais.
(07 de Janeiro de 2014) © Innovative Media Inc.
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