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quinta-feira, 10 de julho de 2014

As Festas de S. Fermin

Pamplona, cidade séria, pacífica e dedicada ao trabalho, todos os anos vibra e delira com as festas em honra de S. Fermin, um dos santos padroeiros de Navarra, em Espanha.

As Sanferminas- termo castelhano usado para as definir - começam no dia 6 de Julho ao meio-dia com um foguete lançado do Palácio da Câmara Municipal e só terminam às zero horas do dia 14 com a canção de despedida: “Pobre de mim”.

Ao longo destes 9 dias, Iruña, termo basco que significa Pamplona, desdobra-se em espectáculos musicais, em festejos e animações de rua, muita comida e bebida e, sobretudo, muita alegria, é o delírio total, a que não falta todas as noites um excelente e fantástico fogo-de-artifício.
 
Milhares de espanhóis e estrangeiros vindos de todo o mundo ali afluem, para em comunhão de sentimentos saudarem e venerarem um santo que muito amam, numa tradição de que não ousam abdicar.
 
São famílias inteiras de todas as idades e condições sociais que ali convivem todos os anos, vestidos de branco, com um lenço vermelho ao pescoço e uma faixa vermelha na cintura, o que dá um ar fresco, colorido e muito pitoresco, quer sejam bebés de colo e fralda quer sejam avós, ninguém dispensa esta indumentária que se transforma na segunda pele de todos os que têm a felicidade de por ali passar, sorrir e divertirem-se.
 
Uma das actividades muito concorrida é o encierro, corrida de touros de 800 metros, às oito horas da manhã, que dura cerca de 3 a 4 minutos. Como bem sabemos, é o momento que as televisões mais gostam de explorar, pela falta de prudência por parte de alguns, que propiciam incidentes, não traduzindo contudo o ambiente envolvente.
 
A cultura milenar da península ibérica elegeu o touro como representante das forças da terra, sendo protagonista nas touradas, jogos circenses históricos e cerimónias sagradas ligadas ao culto da fertilidade.
 
Esta tradição está fortemente enraizada nas Sanferminas, festas que prosseguiram durante centenas de anos, com feiras, procissões, teatros, danças e torneios, integrando todas as tradições religiosas tão características da Idade Média, da qual fazia parte uma forte devoção a São Fermin.
 
Nascido em Pamplona, S. Fermin, alto funcionário da administração romana, converteu-se ao cristianismo numa época em que ainda não havia cristãos nesta cidade. Amante fervoroso da sua religião, foi nomeado Bispo aos 24 anos e porque não abdicou nem renegou a sua fé, aos 31 anos foi decapitado, motivo do uso do lenço vermelho ao pescoço.
 
No princípio do século XX, Ernest Hemingwey inspirou-se nestas festas tradicionais e escreveu e seu famoso livro “ Fiesta”, a partir do qual e especialmente depois da 2ª guerra mundial, o fervor e a atracção destes festejos passou a atrair cada vez mais forasteiros à cidade.
 
No dia 7 de Julho, o dia dedicado ao patrono, milhares de pessoas participam numa imensa procissão que percorre a cidade em honra do Bispo ali nascido e martirizado.
 
Festa milenar que os tempos enriqueceram, festa única que vale a pena partilhar e viver, pois a realidade supera e ultrapassa toda e qualquer descrição. Impera a fraternidade, a alegria e uma exuberância contagiante de convívio entre todos os que procuram agarrar e dar largas a uma força de viver, que só mesmo o ambiente especial que ali acontece, consegue envolver e contagiar.
 




Susana Mexia - Professora

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