Páginas

domingo, 12 de janeiro de 2014

«O sangue de Cristo inundou a minha mente» confessa o guionista de «Instinto Básico»

Algo más que sexo e drogas em Joe Eszterhas 


Actualizado 27 de Dezembro de 2013 

Equipo Portaluz

Em meados dos 90, o semanário Times apelidou-o o “Rei do sexo e da violência na América”. Joe Eszterhas, até hoje é recordado por ser o escritor de "Instinto básico", película protagonizada por Michael Douglas e Sharon Stone, e que o catapultou como um dos mais destacados guionistas de Hollywood.

As cenas de sexo explícito e violência presente nas suas obras registaram-no como o inventor do “thriller erótico”, um género que posteriormente a indústria do cinema se encarregou de replicar até o fastio.

Sem dúvida hoje Joe vive a vida desde uma vereda totalmente contrária. Há mais de uma década que deixou Hollywood para mudar-se para o Ohio, onde vive junto com a sua esposa e os seus quatro filhos. Contou-o numa extensa entrevista à cadeia de televisão PBS, Estados Unidos.

Para entender este contraste, deve-se retroceder à sua infância. Nascido na Hungria durante a Segunda Guerra Mundial, passou os primeiros anos da sua vida em diferentes campos de refugiados. A sua família conseguiu escapar para os Estados Unidos, onde viveu nos bairros de imigrantes de Cleveland. Entrada a sua adolescência, contemplou com dor como a sua mãe era atacada por uma enfermidade mental, que a separou da sua família, enquanto o seu pai, de fé católica, trabalhava turnos extensos num jornal local.

Os genes paternos de repórter canalizaram-no para que nos seus primeiros anos trabalhasse como tal adquirindo experiência para assumir posteriormente como editor da revista de rock Rolling Stones. O salto como guionista veio da mão de Flashdance e outras obras durante os 80. 

Com a fama como cruz
As 16 películas em que interveio geraram receitas que superaram os mil milhões de dólares, e permitiram-lhe financiar mansões em Malibu e Maui. Os luxos e as luzes armadilharam-no.

Sentia-me atraído por personagens e temáticas obscuras e escrevia desde essa experiência… Fui um rapaz mau toda a minha vida. Era o rei do sexo e da violência, o cabelo selvagem, o trapaceiro, o homem mais bebedor, drogado, selvagem, um cowboy da cocaína. Perdia o controlo da bebida, perdia o controlo na cama, e levantava-me sem saber onde estava, nem com quem”.

Um golpe aos baixos instintos
O menino que vivia na miséria nos bairros marginais de Cleveland voltou a palpar o sofrimento, mas desta vez em carne própria… Transcorria o Verão do ano 2001, quando Joe foi diagnosticado de cancro na garganta. A prescrição médica impunha deixar o álcool e o tabaco. Não lhe fiz graça. “Estava-me tornando louco. Estava muito nervoso. Tremia. Não tinha paciência para nada. Cada terminação nervosa demandava um trago e um cigarro“.

Teve que submeter-se a uma delicada cirurgia na qual os médicos lhe tiraram 80% da sua laringe e inseriram-lhe uma traqueia para que pudesse respirar. Ainda incapaz de mudar os seus hábitos, o indomável Eszterhas, aos 56 anos enfrentou “o momento mais desolador da minha vida”. Um dia, quando receava o calor, conta, “sentei-me na calçada, suando, tremendo, tratando de expulsar os bichos da minha traqueia, tratando de respirar, e comecei a chorar”.

Nesse instante, Joe, sem experiências prévias de fé, comecei a rezar. Disse: “Por favor, Deus, ajuda-me”. Consciente que desde criança não tinha um contacto com Deus, reconhece que nunca soube porque o tinha dito.

Sem dúvida, este gesto estranhamente o alucinou. Morando nele, um reconfortante sentimento de paz, similar ao que viveu Saulo a caminho de Damasco, assinala: “Vi uma luz brilhante, deslumbrante, quase cegante que me fez cobrir os meus olhos com as mãos”.

Desde aquele então, quis empreender um caminho de fé para verificar quem estava detrás de tudo isto. Começou a assistir à missa todas as semanas e leu em profundidade sobre Deus. Ainda que no início se seguiu encontrando inseguro, precavido do que fazia, finalmente “a Eucaristia, a presença do corpo e sangue de Cristo inundaram a minha mente e é uma experiência esmagadora”.

Escritura de vida em argamassas torcidas

Reconhece que não foi fácil renunciar à fama, mas era necessário. O esgotamento e o desejo de estar separado dos circuitos da celebridade puderam mais. Ainda recebe ofertas para escrever guiões sobre temas sinistros. Sem dúvida, optou pela literatura e projectos com outro sentido. “Gastei muita vida explorando o lado obscuro da humanidade e não quero regressar a isso nunca mais”.

Deu renda solta à criação de novas obras, ligadas à literatura. Entre elas, o livro Crossbearer: A Memoir of Faith (“Portador da Cruz: Uma recordação de fé“), onde narrou algumas passagens da sua vida e o seu reencontro com a fé dos seus pais.

Hoje assiste frequentemente à igreja dos Santos Anjos de Chagrin Falls, no Ohio, e tal como narra no seu livro, levar a cruz de Cristo aos 69 anos é o sinal de um percurso que o marcou a fundo com a pessoa que é agora. “A minha vida mudou desde que Deus entrou no meu coração. Não me interessa a obscuridade. Tenho quatro filhos formosos, uma esposa à qual adoro, adoro estar vivo e gozo de cada momento da minha vida. A minha visão iluminou-se e não quero regressar a esse lugar obscuro”.

in


Sem comentários:

Enviar um comentário