Em pauta, o diálogo inter-religioso e o que for surgindo na conversa, como sempre fizemos com Bergoglio
Roma, 15 de Janeiro de 2014 (Zenit.org)
O papa Francisco receberá pela primeira vez, nesta
quinta-feira, 16 de Janeiro, uma delegação de dirigentes judeus da
Argentina. O presidente de Delegação de Associações Israelitas
Argentinas (DAIA), Julio Schlosser, anunciou que o grupo conversará
sobre diálogo inter-religioso, favorecimento da harmonia entre todos os
grupos humanos “e o que for surgindo na conversa, como sempre fizemos
com o cardeal Bergoglio, como pessoas que procuram a paz”.
Em declarações feitas à Agência Judaica de Notícias (AJN),
Schlosser destacou a importância do “respeito pela diversidade, pelo
trabalho conjunto, pelo pluralismo religioso em que cada um respeite e
se integre com o outro para realizar um diálogo inter-religioso
frutífero, que sirva aos interesses da comunidade judaica, que favoreça o
desejado ambiente de paz em todas as confissões, em nosso país e no
mundo”.
O encontro acontece depois que Santo Padre anunciou no domingo
passado a sua viagem de três dias à Terra Santa. “Desejo anunciar que de
24 a 26 de maio próximo, se Deus quiser, farei uma peregrinação à Terra
Santa", disse Francisco. As etapas serão três: Amã, Belém e Jerusalém. O
patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, já alertou: “Jordanos,
palestinianos e israelitas vão tentar todos tirar o máximo proveito desta
visita, cada um, também, para servir à sua própria propaganda”.
O rabino argentino Abraham Skorka, com quem Bergoglio escreveu o
livro “Sobre o céu e a terra”, incentivou esta viagem desde que o
pontífice foi eleito e declarou que “a visita do papa Francisco a Israel
transmitirá uma mensagem de paz ao mundo”.
O dirigente da DAIA, em representação política da comunidade judaica
argentina, acrescentou: “Estamos orgulhosos porque esta é a bandeira que
sua Santidade também levanta, a do pluralismo, do diálogo
inter-religioso e da paz”.
A AJN explica que, na delegação de 15 dirigentes judeus, estarão
presentes, além do presidente da DAIA, Julio Schlosser, também “o
vice-presidente Waldo Wolff; o reitor do Seminário Rabínico
Latino-Americano Marshall T. Meyer, rabino Abraham Skorka; o diretor
executivo do Congresso Judaico Latino-Americano (CJL), Claudio Epelman; o
presidente da FACCMA, Javier Veinberg; o subsecretário de Direitos
Humanos do governo da província de Buenos Aires e presidente do Museu do
Holocausto, Claudio Avruj; e um grupo importante de rabinos e líderes
comunitários que estão trabalhando na questão inter-religiosa”.
Schlosser completou que será "um diálogo frutífero e, de alguma
forma, um trabalho em favor da nossa Argentina, a fim de que ela
continue sendo um país digno para se viver”.
O director da CJL, Epelman, recordou à Agência Judaica de Notícias que
o papa é o primeiro na história que, desde antes do pontificado,
manteve um trabalho e um diálogo importante com a comunidade judaica.
“Através de vários interlocutores, Bergoglio foi trabalhando em conjunto
numa tarefa que, para ele, era indelegável, que ele assumia em primeira
pessoa. A partir disso, houve uma construção de actividades, projectos,
análises, com vários membros da comunidade, muitos dos quais vão ter a
oportunidade de visitá-lo e dar novos passos no vínculo pessoal, que
leva ao fortalecimento dos vínculos institucionais”.
Entre os gestos memoráveis de Bergoglio, ele e os representantes das
diversas religiões presentes na Argentina plantaram uma oliveira na
Praça de Maio, em Buenos Aires, no ano 2000, pedindo que “não haja mais
caos, não haja mais guerra” e encorajando a paz.
(15 de Janeiro de 2014) © Innovative Media Inc.
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