20 anos de voluntários que passam o Natal com os pobres
| A Comunidade de Santo Egídio leva mais de 20 anos oferecendo uma grande refeição de Natal a pessoas desfavorecidas |
Actualizado 24 de Dezembro de 2013
Cristina Sánchez Aguilar / Alfa y Omega
«Estar com os mais pobres é a maneira que escolho de celebrar o Natal, porque o que se festeja é que o Senhor veio por a sua Morada entre nós, e o faz nascendo num estábulo», afirma dona Tíscar Espigares, responsável da Comunidade de Santo Egídio em Madrid, que desde há já 20 anos, celebra o 25 de Dezembro rodeada de pessoas sem lar, anciãos sós e famílias de escassos recursos. «Estes dias, para o que está só, a tristeza pesa oitenta vezes mais», disse.
Como cada ano, desde há mais de duas décadas, Tíscar Espigares prepara-se para celebrar o Natal com os seus amigos de Madrid, «os mais pobres entre os pobres». A responsável da Comunidade de Santo Egídio na capital, e uma centena de voluntários mais, deixam a comida copiosa e a reunião familiar do dia de Natal para celebrar uma grande festa com pessoas sem lar, anciãos que vivem sós e famílias de bairros pobres. «Estar com os mais indefesos é a maneira que escolho de celebrar o Natal, porque o que se festeja é que o Senhor põe a sua Morada entre nós, e o faz nascendo num estábulo», reconhece Tíscar.
"A tristeza pesa 80 vezes mais"
Desgraçadamente, em ocasiões, essa mensagem fica manchada «pela venda destes dias como uma festa nas quais se celebra, unicamente, a felicidade e a alegria, com a família reunida, em torno a luzes de néon e compras. Para o que está só, a tristeza pesa oitenta vezes mais».
O dia de Natal, assinala a responsável de Santo Egídio em Madrid, deveria ser um dia alegre para todos, porque «Deus se faz Menino. Mas, para os que estão sós, se essa notícia vem acompanhada de saber-se amados também na terra, a alegria triplica».
Cristina Sánchez Aguilar / Alfa y Omega
«Estar com os mais pobres é a maneira que escolho de celebrar o Natal, porque o que se festeja é que o Senhor veio por a sua Morada entre nós, e o faz nascendo num estábulo», afirma dona Tíscar Espigares, responsável da Comunidade de Santo Egídio em Madrid, que desde há já 20 anos, celebra o 25 de Dezembro rodeada de pessoas sem lar, anciãos sós e famílias de escassos recursos. «Estes dias, para o que está só, a tristeza pesa oitenta vezes mais», disse.
Como cada ano, desde há mais de duas décadas, Tíscar Espigares prepara-se para celebrar o Natal com os seus amigos de Madrid, «os mais pobres entre os pobres». A responsável da Comunidade de Santo Egídio na capital, e uma centena de voluntários mais, deixam a comida copiosa e a reunião familiar do dia de Natal para celebrar uma grande festa com pessoas sem lar, anciãos que vivem sós e famílias de bairros pobres. «Estar com os mais indefesos é a maneira que escolho de celebrar o Natal, porque o que se festeja é que o Senhor põe a sua Morada entre nós, e o faz nascendo num estábulo», reconhece Tíscar.
"A tristeza pesa 80 vezes mais"
Desgraçadamente, em ocasiões, essa mensagem fica manchada «pela venda destes dias como uma festa nas quais se celebra, unicamente, a felicidade e a alegria, com a família reunida, em torno a luzes de néon e compras. Para o que está só, a tristeza pesa oitenta vezes mais».
O dia de Natal, assinala a responsável de Santo Egídio em Madrid, deveria ser um dia alegre para todos, porque «Deus se faz Menino. Mas, para os que estão sós, se essa notícia vem acompanhada de saber-se amados também na terra, a alegria triplica».
Mil e quinhentas pessoas
Por isso, a Comunidade de Santo Egídio, que quer «que essa alegria chegue a todos», celebra a ceia de Natal em diversas partes do mundo. Só em Madrid, afirma Tíscar, «no ano passado juntámos mais de 1.500 pessoas, entre pobres e voluntários». De facto, há um número tão alto de assistentes, que tem que dividir-se em cinco ceias independentes, porque não cabem num só lugar.
E é que as Boas Notícias correm como a pólvora, e cada ano se aproxima mais gente da porta da Comunidade de Santo Egídio para pedir para fazer parte da celebração. «Levamos 25 anos em Madrid, partilhando comida quente na rua, a anciãos na nossa sede da rua Verónica, e no bairro de Pan Bendito. Em todo este tempo, temos feito muitos amigos que vem comer no dia 25», explica Tíscar.
Mas também chegam novas incorporações que não querem perder o que, para muitos, é o dia mais feliz do ano: «Na outra noite, uma mulher búlgara de 100 anos, que não conhecíamos, veio a um dos nossos pontos de partilha de comida, e, apenas sem saber falar espanhol, pediu para assistir à ceia. Celebrar o Natal também é dar um abraço a esta mulher e dizer-lhe que tem o seu lugar. De facto, já tem um convite com o seu nome para vir à ceia».
Chamados pelo seu nome
Uma das partes mais importantes da festa natalícia de Santo Egídio é que, cada um dos assistentes, é chamado pelo seu nome: «Tem o seu convite nominal, e um presente novo, pensado especialmente para cada um, com o seu nome escrito no pacote», conta a responsável.
Este pequeno detalhe é a revolução da noite: «Recordo um ano que um homem veio e disse-nos: Este presente veio de Deus, porque só Deus conhece o meu nome». Uma apreciação que a nós nos pode parecer mínima, mas que, para as pessoas que vivem sós ou na rua, «é um mundo, porque ninguém os nomeia, e se ninguém te chama pelo teu nome, é como se não existisses», indica Espigares. Outra mulher, depois de participar na ceia, disse, chorando, que nunca a tinham tratado tão bem como naquele dia.
Famílias ajudam juntas
Para que todos estejam cómodos e contentes, a celebração deste dia conta com uma logística complexa que vai em frente graças às centenas de voluntários que trabalham de empreitada os dias prévios (também na Noite Boa), e o 25 de Dezembro saem das suas casas a servir consomê, carne, e pratos de salsichas por todo o lado: «Para nós é uma festa de família, porque a família não está circunscrita ao círculo de sangue», afirma Tíscar, que leva mais de 20 anos comendo o dia de Natal fora da sua casa, com os pobres de Madrid. Ainda que, isso sim, muitas famílias «vem juntas trabalhar. A minha mãe, até que faleceu, acompanhava-me sempre (acrescenta). Somos uma grande família que não conhece fronteiras».
Em Madrid, como em tantos lugares de Espanha, há solidão, algo mais incisiva nestas datas. «Imagino, na Noite Boa, as milhares de pessoas que cearão sós, diante de um prato com a mesma comida que cada noite», assinala o padre Paulino Alonso, religioso trinitário e responsável do Refeitório Ave Maria.
Natal de entrega e serviço
No emblemático refeitório de Sol, as filas rotineiras crescem nos dias 24 e 25, chegando às 360 pessoas, para receber «uma refeição especial, carregada de comida e de doces, porque, além de dar a Boa Notícia, estes dias tentamos cuidá-los mais, também com detalhes», afirma o religioso. O padre Paulino reconhece-se «muito feliz celebrando o Natal entre os mais pobres, porque partilha o calor do Nascimento de Jesus com os que mais o necessitam. É necessário que, entre tanta mensagem efémera, voltemos a celebrar um Natal de entrega e serviço».
Por isso, depois de repartir centenas de refeições, vais à cadeia de Soto del Real, onde é capelão. «No dia 24, visito os presos que estão em pior situação. Logo, em 25, celebramos duas Missas pela manhã, e pela tarde estou com os presos em celas de isolamento». O trinitário reconhece que na cadeia se respira um ambiente de grande tristeza durante os dias natalícios («oxalá não existissem estes dias», dizem-lhe muitos), mas os que são católicos vivem, meses antes, desejosos de que chegue o dia 25 para ir à Missa. De facto, cerca de 400 reclusos, nesse dia, celebram, junto ao Senhor e ao padre Paulino, o Natal.
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