Quebravam as luzes e detinham quem cantava canções de Natal
| Richard Harris, na película de 1970, como o ditador republicano Olivier Cromwell, num parlamento controlado pelos puritanos |
Actualizado 25 de Dezembro de 2013
Ana Mellado / ABC
A indulgência, os excessos ou a ribombante decoração derivada das celebrações natalícias que inundam o ambiente no Reino Unido durante estes dias nem sempre contaram com o beneplácito da classe política.
Talvez uma das consequências menos analisadas das guerras civis inglesas no século XVII é a abolição do Natal, auspiciada pelo ditador regicida, Oliver Cromwell.
Durante 13 anos, em Londres não se pode entoar uma canção de Natal, colocar uma grinalda ou preparar um copioso festim para celebrar o nascimento do Menino Deus.
Em meados do ano 1645, um movimento anti natal começou a forjar-se entre a ala mais purista da sociedade que considerava imoral qualquer celebração externa aos serviços religiosos.
Logo dois anos depois, o Parlamento inglês declarava ilegais os actos associados ao Dia de Festa dos Pagãos, como se referiam ao 25 de Dezembro.
Ana Mellado / ABC
A indulgência, os excessos ou a ribombante decoração derivada das celebrações natalícias que inundam o ambiente no Reino Unido durante estes dias nem sempre contaram com o beneplácito da classe política.
Talvez uma das consequências menos analisadas das guerras civis inglesas no século XVII é a abolição do Natal, auspiciada pelo ditador regicida, Oliver Cromwell.
Durante 13 anos, em Londres não se pode entoar uma canção de Natal, colocar uma grinalda ou preparar um copioso festim para celebrar o nascimento do Menino Deus.
Em meados do ano 1645, um movimento anti natal começou a forjar-se entre a ala mais purista da sociedade que considerava imoral qualquer celebração externa aos serviços religiosos.
Logo dois anos depois, o Parlamento inglês declarava ilegais os actos associados ao Dia de Festa dos Pagãos, como se referiam ao 25 de Dezembro.
O mister Scrooge por detrás desta má vontade ao Natal foi o puritano Oliver Cromwell, que em 1653 se converteu em Lord Protector (título para chefes de Estado) e aplicou ferozmente a medida. (Junto a estas linhas, interpretado por Richard Harris em 1970).
Criado num ambiente protestante e puritano, considerava as celebrações da Páscoa imorais e indignas de celebrar durante a única república inglesa da história.
As árvores guardaram-se ou queimaram-se, os adornos acumulavam pó ano atrás de ano nas suas caixas e as luzes só duravam uns minutos acendidas, antes que o Exército as destruísse.
Outorgou poderes aos soldados para confiscar todas as comidas preparadas para as festas, além de impor um férreo silêncio em torno dos «Christmas carols».
«Não só se cancelaram as celebrações devidas ao nascimento de Cristo em 25 de Dezembro, mas sim que, para consternação geral, ordenou tratá-lo como qualquer outro dia laboral. O próprio Parlamento celebrou sessão no mesmo dia de Natal entre 1644 e 1656», afirma o escritor e investigador inglês Desmond Morris, no seu livro Tradições de Natal.
A obsessão por sufocar qualquer elemento vinculado à festividade, instou-o inclusive a proibir por lei a fabricação dos tradicionais «mince pies», um doce típico do Natal britânico à base de massa folhada recheada de frutas, passas, amêndoas, especiarias e licor.
Criado num ambiente protestante e puritano, considerava as celebrações da Páscoa imorais e indignas de celebrar durante a única república inglesa da história.
As árvores guardaram-se ou queimaram-se, os adornos acumulavam pó ano atrás de ano nas suas caixas e as luzes só duravam uns minutos acendidas, antes que o Exército as destruísse.
Outorgou poderes aos soldados para confiscar todas as comidas preparadas para as festas, além de impor um férreo silêncio em torno dos «Christmas carols».
«Não só se cancelaram as celebrações devidas ao nascimento de Cristo em 25 de Dezembro, mas sim que, para consternação geral, ordenou tratá-lo como qualquer outro dia laboral. O próprio Parlamento celebrou sessão no mesmo dia de Natal entre 1644 e 1656», afirma o escritor e investigador inglês Desmond Morris, no seu livro Tradições de Natal.
A obsessão por sufocar qualquer elemento vinculado à festividade, instou-o inclusive a proibir por lei a fabricação dos tradicionais «mince pies», um doce típico do Natal britânico à base de massa folhada recheada de frutas, passas, amêndoas, especiarias e licor.
| Tim Roth interpreta Cromwell, rodeado pelos seus ferozes "cabeças redondas", na película "Matar um Rei", de 2003 |
A irritação popular dos detractores da ilegalização do Natal acabou por desencadear distúrbios em muitas cidades, como Canterbury, onde os que se atreviam a enganar a proibição pendurando azevinho nas suas portas enfrentavam as violentas reprimendas dos aliados de Cromwell.
O Natal não voltou até dois anos depois do falecimento de Cromwell em 1658.
Ao assumir o poder, o rei Carlos II reinstaura a celebração do Natal com mais esplendor que nunca. O Museu da National Army de Londres ainda conserva o cartaz da proibição.
O Natal não voltou até dois anos depois do falecimento de Cromwell em 1658.
Ao assumir o poder, o rei Carlos II reinstaura a celebração do Natal com mais esplendor que nunca. O Museu da National Army de Londres ainda conserva o cartaz da proibição.
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