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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O G8 cardinalício e o Papa preparam pelo menos 5 grandes mudanças na Curia: não são meros retoques

Mudar-se-á a regulamentação de 1988 por uma nova Constituição 

O Papa Francisco, na primeira sessão com os 8 cardeais do Conselho
Actualizado 3 de Outubro de 2013

P. J. G / ReL


Num encontro com jornalistas na quinta-feira 3 de Outubro, o director do Gabinete de Imprensa da Santa Sé, o jesuíta Federico Lombardi, explicou o rumo que estão tomando as reuniões do Conselho de oito cardeais assessores (popularmente chamado "o G8 dos cardeais") a respeito da reforma da Curia que o Papa lhes pede.

"Os purpurados deixaram claro que não se trata de fazer retoques cosméticos ou pequenos ajustes da Pastor bonus”, disse Lombardi, referindo-se ao regulamento que ainda rege a organização vaticana, a Constituição apostólica de 1988 do Papa João Paulo II "sobre o ministério e organização da cúria romana".

Isso significa que é quase seguro que Francisco promulgará outra Constituição apostólica para reformar o funcionamento curial e eclesial.

No geral, as mudanças administrativas na Igreja (como a criação de uma nova diocese, por exemplo) costumam fazer-se mediante uma Constituição apostólica, ainda que nos últimos anos os Papas costumem incorporar nelas também matérias doutrinais, que constituem magistério ordinário papal. 

Cinco campos de reforma
Os purpurados marcaram algumas linhas da reforma organizativa:

1. Sublinhar a natureza de serviço por parte da Curia à Igreja universal e local "em termos de subsidiariedade, mais que de exercício de poder centralizado", segundo Lombardi. Isso daria mais relevância às dioceses e estruturas locais das igrejas.

2. Redefinir a natureza e funções da Secretaria de Estado... Começando pelo nome. “Deve ser a secretaria do Papa; a palavra Estado não deve dar lugar a equívocos. Esse organismo está ao serviço do Papa no seu governo da Igreja universal", explicou Lombardi. Assim, reforça-se a importância deste organismo... E do arcebispo Pietro Parolin, que o dirigirá a partir de 15 de Outubro, substituindo o cardeal salesiano Tarcisio Bertone, antigo homem de confiança do cardeal Ratzinger.

3. Rever as relações entre chefes de dicastérios e o Papa, e dos organismos entre si. O Conselho planeia a possibilidade de criar um “Moderador Curiae” (moderador da cúria), e estuda as suas funções, mas ainda a nível hipotético.

4. Sobre a administração dos bens materiais da Santa Sé, os cardeais não aprofundaram, porque esperam relatórios das comissões que estudam o assunto.

5. Fala-se de "dar maior atenção específica aos temas relativos aos leigos", que sejam mais "reconhecidos" na Curia. "Agora há um Pontifício Conselho para os Leigos, mas pode-se pensar em potenciar esta realidade”, comentou Lombardi (referindo-se aos leigos, no Conselho).

Reunião nuns meses, sem perder contacto
Lombardi também explicou que, de forma informal, os cardeais prevêem que a sua próxima reunião seja em princípios de 2014, mas "não há que pensar que entre uma reunião e outra não se passa nada; os cardeais e o Papa continuam intercambiando opiniões e mensagens, ainda que não haja uma reunião plenária do Conselho".

A respeito destes dias, Lombardi detalhou que o Papa esteve com os cardeais na quarta-feira à tarde, das 16 às 19 horas. “O Santo Padre vai rezar à capela às sete da tarde; esse é o término da sua participação, ainda que os cardeais podem continuar reunidos, se o considerarem oportuno. Esta manhã [de quinta-feira] não esteve presente porque recebia em audiência os participantes no encontro organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz”.


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