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terça-feira, 20 de maio de 2014

Sudão: novo processo para Meriam exclui a pena de morte

A jovem sudanesa tinha sido castigada aos açoites por adultério e à forca pela apostasia


Roma, 19 de Maio de 2014 (Zenit.org)


O Supremo Tribunal sudanês interveio no caso de Meriam Yehya Ibrahim, a mulher cristã de 27 anos, grávida de oito meses e condenada à morte, foi o que confirmou Antonella Napoli, presidente da associação “Italians for Darfour”, que trabalha pelos direitos humanos nos países africanos. “Evitar a pena de morte é possível”, anunciou. Explica que tiveram a confirmação de Khartoum do Sudan Change Now, Khalid Omer Yousif, que acompanha o caso desde que Meriam foi presa no dia 17 de Fevereiro.

Meriam foi condenada à morte "por ter se convertido do Islamismo para o cristianismo, depois de se casar com um cristão do Sudão do Sul”. Além disso foi castigada a receber chibatadas pelo delito de adultério, já que o seu matrimónio não é considerado válido para a lei islâmica. Actualmente, a jovem está na prisão com o seu primeiro filho, que agora tem 20 meses.

O tribunal deu à mulher três dias para renunciar à sua fé, mas ela não o fez. Ela afirma ter sido educada como cristã ortodoxa, a religião da sua mãe, porque o seu pai, muçulmano, esteve ausente durante a sua infância.

Daniel Wani, seu marido, em declarações à CNN confessou a sua frustração ao não saber o que fazer para obter a liberdade da sua esposa e garantiu refugiar-se na oração.

Enquanto isso, Amnistia Internacional lançou uma campanha para recolher assinaturas com a finalidade de parar a condenação de Meriam. A organização considera que a jovem sudanesa “é uma prisioneira da consciência, declarada culpada por causa das suas crenças religiosas e a sua identidade, e tem que ser libertada imediatamente. A criminalização do adultério viola os direitos à liberdade de expressão e de associação, e a sua aplicação discrimina invariavelmente as mulheres. A pena de flagelação e o uso da pena de morte violam a proibição absoluta de infligir tortura ou outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes contidas no direito internacional dos direitos humanos. Amnistia Internacional opõe-se ao uso de ambos em todos os casos, sem excepção. Também se opõe à que a "apostasia" seja considerada um crime porque é incompatível com o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião".

Como a Amnistia Internacional, outras organizações, e a partir das redes sociais, fizeram um forte movimento em protesto contra a pena imposta à jovem.

De Ajuda à Igreja que Sofre, a porta-voz da organização na Itália, Marta Petrosillo - conta à Rádio Vaticano que conhecem bem a realidade dos cristãos neste país", que não é falado tão frequentemente quanto outros países. É realmente uma situação dramática. Sabemos que no país está em vigor a "Sharia", e é aplicada a todos os cidadãos, de qualquer fé. Lembro-me do caso acontecido a alguns anos, de uma menina cristã chicoteada porque se vestia com uma saia um centímetro acima do joelho. Assim como tantos outros casos semelhantes”.

Na entrevista também se recorda o caso da também mãe e cristã paquistanesa, Asia Bibi, a porta-voz de AIN explica que “são testemunhos fortes que devem fazer-nos reflectir e especialmente as mulheres. Porque hoje em dia, em muitos países, ser uma mulher cristã significa ser duas vezes vulnerável, já seja por ser mulher, já seja por pertencer à comunidade cristã. Realmente são dois exemplos que devem nos fazer reflectir, dois exemplos de um forte testemunho de fé".

(Trad.TS)

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