O postulator Slawomir Oder fala da sua maravilhosa experiência no País dos Cedros, onde os líderes das comunidades cristãs e muçulmanas prestaram homenagem ao papa polaco
Roma, 21 de Maio de 2014 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio
Apenas um mês depois da canonização, o eco da santidade de
João Paulo II ressoa nítido e vivo em todos os lugares do mundo,
inclusive na alma das pessoas que nem sequer conhecem "o conceito de
santidade". Uma nova demonstração desse eco foi testemunhada no Líbano,
em dias passados, onde a relíquia peregrina que contém o sangue do
pontífice reuniu um grande número de chefes de comunidades religiosas
cristãs e muçulmanas do país.
Sunitas, xiitas, drusos, coptas, protestantes e ortodoxos se
reuniram para prestar homenagem ao "gigante da fé", pronunciando-se
pessoalmente ou através dos seus representantes, na iniciativa realizada
em Bkerke sobre o tema "João Paulo II e a sua mensagem para o Líbano". O
evento foi promovido pelos padres lazaristas libaneses e pela Fundação
Adyan, uma associação que mantém ligações com o patriarcado maronita.
Foram três dias de harmonia, diálogo e "solidariedade espiritual", no
mesmo clima do Encontro Inter-Religioso de Assis de 1986 e de uma
pátria que João Paulo II definiu como "mais do que um país: uma mensagem
de tolerância e de pluralismo para o Oriente e para o Ocidente".
ZENIT conversou com o pe. Slawomir Oder, postulador da causa de
beatificação e canonização de Wojtyla. Recém-chegado do Líbano, com
alegria intensa nos olhos, ele compartilhou connosco a “maravilhosa
experiência” vivida naquele país.
"A viagem fazia parte da peregrinação da relíquia de João Paulo II,
que contém o sangue do santo que deu a volta ao mundo desde a
beatificação, em 2011. Esta viagem ao Líbano foi a primeira da relíquia
desde o dia da canonização", relata ele.
A primeira etapa da peregrinação aconteceu numa terra “fortemente
unida” a Karol Wojtyla, explica o postulador, pois "o papa mantinha uma
estreita relação com o Líbano; por várias razões, o país recordava-lhe a Polónia: a história, a quotidianidade, mas, acima de tudo, o facto de ser
uma ‘esquina’ entre várias religiões e culturas, com vocação para o
diálogo e para a tolerância".
O "momento culminante dessa experiência foi o encontro no Palácio do
Patriarcado Maronita em Beirute". O átrio do palácio "viveu uma
afluência enorme de gente que queria homenagear o santo polaco". Entre
eles, o presidente da República, Michel Suleiman, que terminará o
mandato em breve e que incentivou e participou pessoalmente do encontro,
com "todos os representantes das religiões do Líbano".
Alguns deles também fizeram discursos, em árabe, sobre a figura do
santo: "uma mensagem favorável e muito bonita sobre os ensinamentos do
pontífice, sobre o diálogo inter-religioso, sobre a tolerância, sobre o
encontro, sobre os valores fundamentais", comenta Oder. Os
pronunciamentos dos representantes das várias confissões se alternaram
com cantos religiosos e com o coral infantil de Hammana, apoiado pela
fundação Adyan.
O postulador, em seu discurso, evocou as palavras de Wojtyla aos
jovens muçulmanos reunidos no estádio de Casablanca, Marrocos, em 19 de Agosto de 1985, quando o papa "recordou o significado dos valores
espirituais que têm a sua razão e fundamento em Deus, mas que precisam
de consenso".
"São João Paulo II foi um modelo ao encarnar esses valores humanos e
espirituais", afirma o pe. Oder, "e a presença de todas as religiões
diante deste símbolo foi a demonstração de um consenso".
No final do encontro, o sacerdote polaco destacou que a preciosa
relíquia é "um símbolo e uma exortação a darmos continuidade a esta
mensagem de encontro e de tolerância, legada a nós por João Paulo II".
O postulador voltou a Roma "contente e agradecido a Deus". A viagem,
conta ele, "me deixou ainda mais consciente do valor que a canonização
tem para a Igreja e para o mundo inteiro. Nós, católicos, reconhecemos a
santidade, mas mesmo quem não compreende o conceito de santidade
reconhece o valor extraordinário desse 'homem de Deus', como ele era comummente chamado também por quem não crê em Cristo". A mensagem do
santo pontífice continua "provocando e reunindo. É um pontificado que
permanece fértil em muitos campos", prossegue Oder, acrescentando que,
“neste caso, vimos o âmbito do diálogo inter-religioso, que hoje se
nutre do pensamento e do espírito fecundo de Wojtyla”.
João Paulo II continua sendo um modelo de esperança para os cristãos
do Líbano, perseguidos e aflitos com as guerras que ferem o Oriente
Médio, reduzidos drasticamente a uma minoria. "Diferentemente dos tempos
em que o Líbano era o único país da Liga Árabe com maioria cristã, hoje
a comunidade diminuiu", observa o pe. Oder. Mas é uma comunidade "de fé
viva, autêntica", que necessita, porém, de "apoio, oração, sinais de
solidariedade e proximidade de toda a Igreja".
Um forte sinal, neste sentido, será a viagem do papa Francisco à
Terra Santa, nos dias 24 a 26 deste mês: "Também ele, como os seus
predecessores, quer transmitir um sinal: por um lado, da nossa herança
comum, que tem como ponto de referência a fé de Abraão; por outro, de
apoio para os cristãos que permanecem lá como testemunhas do evento de
Deus, que escolheu aquele lugar como terra da sua definitiva Revelação
em Jesus Cristo".
(21 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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