Apresentada campanha contra o comércio de pessoas e contra o turismo sexual
Cidade do Vaticano, 20 de Maio de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora
“O Mundial de Futebol Brasil 2014 pode se transformar numa
vergonha em vez de uma festa para a humanidade”, avisaram os
organizadores da campanha “Joga pela vida, denuncia o tráfico humano”,
promovida pela Talitha Kum, da Rede Internacional da Vida Consagrada
contra o Tráfico de Pessoas. A campanha foi apresentada hoje na sala de
imprensa da Santa Sé.
“Talitha Kum” são as palavras em aramaico, o idioma falado por
Jesus, citadas no evangelho de São Marcos quando o Divino Mestre pega
uma criança enferma pela mão e lhe diz: “Menina, eu te digo:
levanta-te”.
Participaram da apresentação o cardeal João Braz de Aviz, prefeito da
Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e para as Sociedades
de Vida Apostólica; a irmã Carmen Sammut, MSOLA, presidente da União
Internacional das Superioras Generais (UISG); a irmã Estrella Castalone,
FMA, coordenadora da Talitha Kum, e a irmã Gabriella Bottani, SMC,
coordenadora da rede Um Grito pela Vida (Brasil).
A rede Talitha Kum nasceu no seio da UISG como projecto de parceria
com a Organização Internacional das Migrações e conta com apoio
financeiro do governo dos Estados Unidos.
O cardeal brasileiro João Braz de Aviz afirmou, durante a conferência
de imprensa, que “esta campanha manifesta a sintonia da vida consagrada
com o sentimento do Santo Padre diante deste crime que ele mesmo
definiu como ‘a chaga no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na
carne de Cristo’”.
A irmã Carmen Sammut, por sua vez, declarou que esse delito está hoje
muito difundido e lembrou que as quadrilhas criminosas conseguem lucros
enormes com o comércio humano. “A prevenção desse tipo de comércio de
pessoas implica a redução da demanda de serviços sexuais. Para isto, é
necessário criar consciência na opinião pública”.
Sammut acrescentou que as pessoas devem ser conscientes do que
acontece às margens de grandes eventos mundiais como a Copa do Mundo e
do sofrimento das pessoas que são objeto desse tipo de comércio.
Recordando as palavras do Santo Padre, a irmã Gabriella Bottani
declarou que “não podemos permanecer indiferentes sabendo que há seres
humanos sendo tratados como mercadorias”. Ela citou estatísticas de
entidades internacionais que revelam que esse crime afecta quase 21
milhões de pessoas no mundo todo e afirmou que, conhecendo-se melhor o fenómeno e as suas causas, facilita-se a sua denúncia e combate. A
mensagem desta campanha é uma proposta concreta e positiva de vida, “uma
vida digna e livre para todos”.
Bottani indicou que, durante a preparação da Copa do Mundo,
observou-se que as ameaças e as oportunidades jogam no mesmo campo: de
um lado, a possibilidade de melhorar as condições de vida; do outro, um
aumento das situações sociais degradadas e a ameaça à vida e aos
direitos fundamentais.
Respondendo a uma pergunta de ZENIT sobre como as pessoas podem
denunciar e colaborar com esta campanha, uma das organizadoras nos
respondeu que todas as ajudas são bem-vindas. Ela indicou os endereços
listados na página www.talithakum.info para quem quiser oferecer ajuda
ou denunciar casos desse tipo.
(20 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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