O Papa não propõe aos bispos da CEI um "modelo estrangeiro" ao contrário convida a Igreja a entrar na realidade social e cultural do país
Roma, 20 de Maio de 2014 (Zenit.org) Alfonso M. Bruno
A Igreja italiana tem como Primaz, o Bispo de Roma, porque
este Ordinário também é chefe de todos os católicos, desde 1978 o nosso
país tem o privilégio de conferir a sua primazia a um bispo do exterior.
Isso não significa que a Igreja Italiana adquire características
que são estranhas à realidade do país, mas certamente a aquisição do que
é positivo e adaptável às nossas características específicas em
diferentes experiências.
Bergoglio é um estrangeiro particular; talvez ele possa ser melhor
descrito como um “italiano diaspórico”: há muitos no mundo e,
particularmente, nas Américas.
Entre eles, não há dúvida, existem aqueles que mantêm uma imagem
idealizada da pátria de origem, que se contentam com uma imagem
‘folclórica’ do país de proveniência, mas também que medita sobre a
própria condição: o exílio, na maioria dos casos, determinado pelas
condições económicas de um país que foi por muito tempo pobre e que,
infelizmente, volta a ser.
Não esqueçamos de que Jesus viveu a condição de exilado, quando sua
família teve que fugir para o Egipto. E agora, o “italiano diaspórico”,
paradoxalmente, se encontra em uma posição privilegiada para compreender
os problemas deste país, pois pode reflectir sobre as causas profundas
da sua própria condição, o porque - como costumava dizer – a casa foi
madrasta para ele, em relação a seus pais, para com os seus
antepassados.
Além disso, a distância (não tanto a espacial, mas das paixões
condicionantes que agitam o local de origem) faz com que ele seja por
um lado, um espectador, mas por outro lado imparcial.
O Presidente Kennedy, em visita a uma pequena cidade da Irlanda, onde
seu bisavô nasceu, dirigindo-se aos conterrâneos, disse: "Estou de
volta". Também Bergoglio, afinal, falando aos Bispos na condição de
conterrâneo, poderia dizer-lhes o mesmo. Ele acrescenta, no entanto,
logo depois, ter encontrado "uma sociedade sem esperança, abalada em
suas certezas fundamentais, empobrecida por uma crise, em vez de económica, cultural, moral e espiritual".
E acrescenta: "Acolham a cultura, protegei-os com respeito à memória
da fé e a companhia da Igreja, sinais de fraternidade, gratidão e
solidariedade".
Esta atitude, no entanto, deve caracterizar os cristãos não apenas
com relação aos imigrantes, mas também a todo o corpo social, que é
composto pela diversidade, por religiões, crenças, formações.
Chegamos à essência da "revolução" Bergoglio: a Conferência Episcopal
tem sido até agora portadora dos chamados "valores não negociáveis",
que resultam como tais enquanto definem a atitude do cristão diante das
grandes escolhas morais da vida.
É necessário promover a participação dos católicos na vida cívica e
em particular nas suas expressões políticas (onde essa palavra indica a
pertença a "polis", compreendido como um lugar de discussão e de busca
do bem comum) de modo que os fiéis, em vez de isolar-se da sociedade,
oferecem a sua contribuição ao mesmo tempo fiel e original.
Don David Albertario, uma das grandes figuras do catolicismo social
italiano, processado juntamente com Filippo Turati pelos eventos de 1898
em Milão, disse: "A sociedade deve caminhar compactada em direcção ao
seu objectivo final". E hoje, de acordo Bergoglio, são "os sinais de
fraternidade, de gratidão e de solidariedade que antecipam nos dias do
homem os reflexos do Domingo sem fim".
Esta visão teleológica da história da humanidade, do Bispo de Roma
não admite (naquilo que ele chama de "emergência histórica") a
diminuição da "responsabilidade social de todos: como Igreja, nós
ajudamos a não ceder ao catastrofismo e à resignação".
Como não colher nestas palavras uma referência ao actual conflito na
Itália entre aqueles que apostam em catástrofe para obter poderes
ditatoriais e que se esforçam para salvar o salvável? A sociedade é
salva do desastre - adverte o Papa - apenas permanecendo unida: e a
Igreja deve ser promotora e participante desta unidade, e não
constituir-se um factor de divisão.
Paulo VI – recorda Bergolgio - havia proposto à Igreja "o serviço para
unidade", quando dirigiu-se aos bispos italianos: "Está na hora (e do
que lamentar-se?) de dar a nós mesmos e de imprimir na vida eclesiástica
italiana um forte e renovado espírito de unidade".
"Nada - diz o Bispo de Roma - justifica a divisão". Devemos evitar "a
dureza de quem julga sem se envolver", bem como "a alegação dos que
defendem a unidade negando a diversidade".
O esforço comum não deve excluir a "livre e ampla oportunidade de
investigação, discussão e expressão”: Esta liberdade constitui, ao mesmo
tempo o fim e o fundamento: apenas sendo "fermento de unidade" nós
conseguiremos "ser uma profecia do Reino".
(Trad.:MEM)
(20 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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