Do novo livro da Lev emerge a atenção que Francisco dirige ao tema da educação dos jovens, aos quais devem ser colocados alguns limites mas sem camisa de força
Roma, 20 de Maio de 2014 (Zenit.org)
"Realmente gosto muito da expressão de um autor americano:
diz que Deus nos deu dois olhos, um de carne e outro de vidro; com
aquele de carne vemos o que olhamos, com aquele de vidro vemos o que
sonhamos. Ensinemos os nossos jovens a ver a vida com estes dois
olhos?". É uma das muitas perguntas sobre a urgência da educação contida
no livro Agli educatori, lançado hoje pela Livraria Editora
Vaticana, que reúne uma serie de homilias, de cartas pastorais e de
discursos pronunciados pelo então arcebispo de Buenos Aires, o cardeal
Jorge Mario Bergoglio, entre o 2008 e o 2012.
O livro é estruturado em duas partes: a primeira, “o pão da
esperança”, reúne 13 discursos, entre os quais algumas homilias por
ocasião da vigília pascal e da solenidade do Corpus Domini; a segunda,
“Não se cansem de semear”, recolhe 9, incluindo algumas cartas dirigidas
aos catequistas da Arquidiocese. Justamente a eles o cardeal pergunta:
“Estamos educando para a esperança?". Este é um mandato que implica três
elementos: “memória do património recebido e feito próprio; trabalho
daquele património para que não seja um talento enterrado; projecção, por
meio da qual as utopias e os sonhos, rumo o futuro”. Uma grande
responsabilidade para os educadores, dos quais depende o amanhã dos
jovens: “Preparamo-los para os grandes horizontes – pergunta o cardeal
Bergoglio – ou para o horizonte do ângulo no qual por algum trocado
podem comprar crack ou algo do estilo?".
Várias vezes, no livro, volta o tema da droga, que é chamada de uma
"proposta tenebrosa", uma “corrupção que chega até mesmo a ser
distribuída nos cantos das escolas”. “Temos que defender ‘o filhote ’”
insiste Bergoglio, para que “não vendam a luz com um pequeno lampião
qualquer que deixa ao redor espaços de escuridão”. Mas as “trevas” são
muitas: “as trevas da meia verdade, a treva gnóstica da experimentação
com os jovens... (...) A treva do abandono: quantos jovens e moças
abandonados recebemos nas nossas salas! Sem afectos, diálogo, alegria,
que não sabem o que significa brincar com papai e mamãe. A proposta do
atalho fácil, da satisfação ao alcance da mão; a proposta do álcool, a
proposta da droga...".
Para os jovens o cardeal diz: "Andem na luz, não se deixem seduzir
pelos comerciantes das trevas”. E exorta os dirigentes e aqueles que têm
responsabilidade para que não usem o próprio status “como pedestal das
nossas ambições pessoais, para a nossa escalada diária, para os nossos
interesses mesquinhos, para inchar a conta ou para promover os amigos
que nos apoiam”.
Outro tema proposto para reflexão é "como fazer para que a disciplina
seja limite construtivo do caminho que deve percorrer um jovem e não um
muro que o anule ou uma dimensão da educação que o castre”. Queremos
meninos "tranquilos", ou "inquietos"? – pergunta o cardeal. "Os jovens
‘fazem bagunça’ e então pensamos em medidas que coloquem camisas de
força na espontaneidade vital dos alunos". "É necessário colocar alguns
limites – reflecte Bergoglio -, todos estamos de acordo, mas que não
sejam um impedimento ao desenvolvimento dessa outra inquietação que põe
em marcha iniciativas, sufocando a esperança".
Educar é, de fato, "uma das artes mais emocionantes da existência e
exige permanentemente ampliar os horizontes, começar de novo e
colocar-se em caminho de modo renovado”, explica o cardeal Bergoglio,
que adverte contra o vício da bebida, que "entorpece o coração; não há
capacidade daquela maravilha que nos renova a esperança; não há espaço
para a identificação do mal e para lutar contra isso". E pede ao Senhor
para ajude os educadores a superar os “mesquinhos medos interiores” que
os podem atormentar e que “nos esbofeteiam com a luz da sua grandeza”.
(Trad.TS)
(20 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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