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quinta-feira, 22 de maio de 2014

As indicações do Papa "aos educadores"

Do novo livro da Lev emerge a atenção que Francisco dirige ao tema da educação dos jovens, aos quais devem ser colocados alguns limites mas sem camisa de força


Roma, 20 de Maio de 2014 (Zenit.org)


"Realmente gosto muito da expressão de um autor americano: diz que Deus nos deu dois olhos, um de carne e outro de vidro; com aquele de carne vemos o que olhamos, com aquele de vidro vemos o que sonhamos. Ensinemos os nossos jovens a ver a vida com estes dois olhos?". É uma das muitas perguntas sobre a urgência da educação contida no livro Agli educatori, lançado hoje pela Livraria Editora Vaticana, que reúne uma serie de homilias, de cartas pastorais e de discursos pronunciados pelo então arcebispo de Buenos Aires, o cardeal Jorge Mario Bergoglio, entre o 2008 e o 2012.

O livro é estruturado em duas partes: a primeira, “o pão da esperança”, reúne 13 discursos, entre os quais algumas homilias por ocasião da vigília pascal e da solenidade do Corpus Domini; a segunda, “Não se cansem de semear”, recolhe 9, incluindo algumas cartas dirigidas aos catequistas da Arquidiocese. Justamente a eles o cardeal pergunta: “Estamos educando para a esperança?". Este é um mandato que implica três elementos: “memória do património recebido e feito próprio; trabalho daquele património para que não seja um talento enterrado; projecção, por meio da qual as utopias e os sonhos, rumo o futuro”. Uma grande responsabilidade para os educadores, dos quais depende o amanhã dos jovens: “Preparamo-los para os grandes horizontes – pergunta o cardeal Bergoglio – ou para o horizonte do ângulo no qual por algum trocado podem comprar crack ou algo do estilo?".

Várias vezes, no livro, volta o tema da droga, que é chamada de uma "proposta tenebrosa", uma “corrupção que chega até mesmo a ser distribuída nos cantos das escolas”. “Temos que defender ‘o filhote ’” insiste Bergoglio, para que “não vendam a luz com um pequeno lampião qualquer que deixa ao redor espaços de escuridão”. Mas as “trevas” são muitas: “as trevas da meia verdade, a treva gnóstica da experimentação com os jovens... (...) A treva do abandono: quantos jovens e moças abandonados recebemos nas nossas salas! Sem afectos, diálogo, alegria, que não sabem o que significa brincar com papai e mamãe. A proposta do atalho fácil, da satisfação ao alcance da mão; a proposta do álcool, a proposta da droga...".

Para os jovens o cardeal diz: "Andem na luz, não se deixem seduzir pelos comerciantes das trevas”. E exorta os dirigentes e aqueles que têm responsabilidade para que não usem o próprio status “como pedestal das nossas ambições pessoais, para a nossa escalada diária, para os nossos interesses mesquinhos, para inchar a conta ou para promover os amigos que nos apoiam”.

Outro tema proposto para reflexão é "como fazer para que a disciplina seja limite construtivo do caminho que deve percorrer um jovem e não um muro que o anule ou uma dimensão da educação que o castre”. Queremos meninos "tranquilos", ou "inquietos"? – pergunta o cardeal. "Os jovens ‘fazem bagunça’ e então pensamos em medidas que coloquem camisas de força na espontaneidade vital dos alunos". "É necessário colocar alguns limites – reflecte Bergoglio -, todos estamos de acordo, mas que não sejam um impedimento ao desenvolvimento dessa outra inquietação que põe em marcha iniciativas, sufocando a esperança".

Educar é, de fato, "uma das artes mais emocionantes da existência e exige permanentemente ampliar os horizontes, começar de novo e colocar-se em caminho de modo renovado”, explica o cardeal Bergoglio, que adverte contra o vício da bebida, que "entorpece o coração; não há capacidade daquela maravilha que nos renova a esperança; não há espaço para a identificação do mal e para lutar contra isso". E pede ao Senhor para ajude os educadores a superar os “mesquinhos medos interiores” que os podem atormentar e que “nos esbofeteiam com a luz da sua grandeza”. (Trad.TS)

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