Cerca de dez mil pessoas na Praça de São João de Latrão: festa multi-étnica com o lema Uma riqueza que é preciso acolher
Cidade do Vaticano, 19 de Maio de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora
Uma manifestação que abre espaço e visibilidade à fé e à
cultura das comunidades migrantes na diocese de Roma: este foi o evento
que se realizou neste domingo, 18 de maio, na Praça de São João de
Latrão, com o lema “Uma riqueza que é preciso acolher”.
A manifestação começou com a santa missa presidida pelo cardeal
Peter Turkson. Na homilia, ele recordou que, “apesar das nossas
diferenças, temos estado juntos como comunidade católica migrante nesta
cidade”. Turkson afirmou ainda que “todos os homens são migrantes até
chegarem à Casa do Pai”.
Após a missa, houve um almoço étnico preparado por associações de
origens culturais diversas. À tarde, foi apresentado um espectáculo em
que diversos grupos compartilharam o seu folclore e as suas danças
típicas.
Antes de iniciar a parte folclórica do evento, guardou-se um minuto
de silêncio diante da cruz de Lampedusa, em recordação das milhares de
pessoas que morreram tentando cruzar o Mediterrâneo rumo às costas da
Itália e de outros países da Europa. Foi o momento mais emocionante do
encontro. A cruz de Lampedusa foi feita com restos de barcos naufragados
nas costas da ilha e é a mesma que foi usada na missa que o papa
Francisco celebrou durante a sua visita a Lampedusa, no ano passado.
Na praça de São João de Latrão, no centro de Roma, muitos homens e
mulheres se encontraram para comemorar, sem esquecer, no entanto, a
tragédia de tantos outros imigrantes que nunca chegaram às costas
europeias. É nessa praça que se localiza a basílica de São João de
Latrão, considerada a catedral da diocese de Roma.
A “Festa dei Popoli” nasceu com os padres escalabrinianos, alguns
anos atrás, na paróquia do Redentor. A festa acontecia numa área
adjacente à paróquia, em um grande terreno dotado de campo de futebol.
“Quando iniciamos, há 23 anos”, recorda o padre escalabriniano
Gaetano Sarracino, “éramos 300 pessoas. Hoje, aqui, somos mais de
10.000”. Sarracino acrescenta que “é uma festa significativa para a
comunidade cristã”, porque “a imigração faz parte da Itália
estruturalmente. Eles vivem todos os dias com os italianos, têm as suas
associações e mantêm projectos para ajudar os seus países de origem. O
futuro já está aqui e esta festa nos indica como vai ser o amanhã da
Igreja na cidade em que vivemos”.
Entre os diversos stands, havia um da irmandade do Senhor dos
Milagres, devoção muito popular no Peru, que é o país com a maior
quantidade de imigrantes da América Latina em Roma.
Colaboraram na realização da Festa dos Povos a comunidade de Santo
Egídio, os jesuítas do Centro Astalli para os Refugiados e outras várias
realidades eclesiais. Trata-se de um trabalho de todos os dias,
paciente, silencioso, constante, sempre próximo dos homens e das
mulheres chegados à Cidade Eterna a partir de diversas partes do mundo.
Nesta festa, esse trabalho convida todos a viverem uma unidade que
respeita as identidades particulares.
Entre os objectivos do evento, destaca-se o da boa integração das
segundas gerações e a obtenção da cidadania italiana, além de se
favorecerem as reunificações familiares, considerando-se que as famílias
divididas são as mais frágeis.
Na Itália, os imigrantes são cerca de 5 milhões, ou 7% da população.
Os latino-americanos são cerca de 400.000. As comunidades
latino-americanas mais numerosas, depois da comunidade peruana, são as
do Equador e da Colômbia.
(19 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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