Zion Evrony considera que a viagem de Francisco ao seu país impulsionará o diálogo inter-religioso e a paz na região
Roma, 13 de Maio de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora
Durante um café da manhã de trabalho nesta terça-feira em
Roma com embaixadores e jornalistas, o embaixador de Israel perante a
Santa Sé, Zion Evrony, considerou que a viagem do papa Francisco ao seu
país será muito positiva e dará um forte impulso ao diálogo
inter-religioso e à paz na região.
“No domingo, 25, o papa Francisco iniciará a sua visita a Israel.
Será uma nova pedra angular de importância histórica, não só nas
relações entre Israel e a Santa Sé, mas também entre a Igreja católica e
o povo judeu”, declarou.
O encontro de hoje foi organizado pela Mediatrends
(www.mediatrendsamerica.com) América Latina e pela espanhola Fundação
Promoção Social da Cultura (FundacionFPSC.org).
Perguntado por ZENIT sobre o significado de um papa acompanhado na
viagem por um muçulmano e um rabino, o embaixador Evrony considerou a
novidade muito positiva.
“Acho que este gesto é muito importante para promover o diálogo
inter-religioso, que é a base da compreensão recíproca para a
reconciliação e a paz”, disse, completando que “o diálogo
inter-religioso pode abrir espaço para a compreensão política. A viagem
de um papa acompanhado por um líder religioso muçulmano e por um rabino,
ou seja, três representantes das três grandes religiões monoteístas,
terá um impacto fundamental na Terra Santa”.
O diplomata israelita, ao responder ao embaixador argentino perante a
Santa Sé, Juan Pablo Cafiero, sobre o impacto da visita de um papa
latino-americano a Israel, recordou que Francisco “vem de uma terra em
que já tinha visitado uma sinagoga antes de ser papa e já tinha criado
relações com a comunidade judaica na Argentina e participado de um
programa televisivo junto com o rabino Skorka”. “A experiência pessoal
de cada papa tem influência na relação, no estilo e na natureza da
visita”.
Das visitas dos três papas a Israel, Paulo VI, João Paulo II e Bento
XVI, todos europeus, ele falou com mais destaque da de João Paulo II,
“que cresceu numa cidade próxima de Cracóvia em que havia uma importante
comunidade judaica; ele teve amigos judeus e pôde ver com seus próprios
olhos o horror do Holocausto. Ele estava numa cidade próxima de
Auschwitz e isso teve importância na sua relação com a comunidade
judaica, uma relação já iniciada por João XXIII”.
O embaixador recordou também que “o papa Francisco foi testemunha de
dois ataques na Argentina contra alvos judeus e sempre se identificou
com o sofrimento do povo judeu”. Antes de ser papa, ele “fez uma
declaração contra o terrorismo e falou contra o uso da violência em nome
da religião e em nome de Deus, coisa que ele qualificou de
inaceitável”.
Pouco antes, o diplomata recordou que Bergoglio esteve em Israel em
outubro de 1973, quando era provincial dos jesuítas, visitando durante
dois dias a Galileia e indo também a Jerusalém. Mas o conflito do Yom
Kippur o obrigou a ficar no hotel: "Ele empregou muito tempo lendo a
bíblia, mas não teve muita oportunidade de visitar Israel".
Sobre o processo de paz, respondendo ao embaixador da Costa Rica
junto à Santa Sé, Fernando Sánchez Campos, o embaixador Evrony
reconheceu que, “neste momento, o processo de paz está parado” e que o
papa é “um grandíssimo líder espiritual, um mensageiro de paz e tem como
tema central dos seus discursos e homilias a luta pela paz”. Evrony
recordou que, “quando chegar a Israel, o papa deverá falar com os
líderes religiosos, com a comunidade de cristãos, que tem vários
milhares de pessoas, e a mensagem dele de paz terá um impacto muito
forte e central nos seus discursos”, porque “os líderes religiosos e
espirituais podem ajudar a reduzir a animosidade que existe entre as
duas partes em conflito e contribuir com a construção de pontes”.
Quanto ao diálogo inter-religioso, Evrony acrescentou que “a visita
trará resultados positivos, cinquenta anos depois do documento Nostra
Aetate, quando começamos a pensar nas nossas relações com a Santa Sé”. O
embaixador de Israel qualificou esta visita como “uma oportunidade para
buscarmos novos modos de melhorar a relação de diálogo”.
(13 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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