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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Tiveram 8 filhos mas nenhum neto: todos se fizeram missionários e religiosos; hoje, fica só um

Eram os Creede muito piedosos? Melhor, eram felizes... 

Irmãs da Apresentação em Papua - uma ordem
e um país ligado aos Creede
Actualizado 4 de Outubro de 2013

Fernando de Navascués / ReL

Há famílias que não têm filhos. Outras, como a família Creede, da Austrália, têm oito. Há famílias que não têm filhos ou filhas na vida religiosa, e há outras, como os Creede, nas quais os oito a abraçaram como monjas ou sacerdotes.

Nenhum continuou a descendência familiar. Os avós teriam gostado de ter algum filho que desse continuidade ao apelido. Hoje só fica, ancião, o padre William: com ele desaparecerá esta estirpe. Uma linhagem fecunda para Deus.

Redentoristas, vicencianos, da Apresentação...
O padre William, de 85 anos, é um dos pequenos da família. É sacerdote redentorista. Os seus irmãos Aina, Thérèse, Moira, Breidha, Bernadette, Thomas e Peter pertenceram a diversas congregações.

A maioria das raparigas ingressou nas Irmãs da Apresentação, excepto uma que foi Irmã da Misericórdia. Dos rapazes, dois foram redentoristas e outro vicenciano. 

Uma família feliz
Poder-se-ia pensar que foram os pais que empurraram os seus filhos para que ingressassem na vida religiosa, mas não foi assim.

O P. William explica: “Realmente a chamada veio por nós mesmos. Os nossos pais nunca nos orientaram ou nos empurraram de alguma forma. O meu pai e a minha mãe foram muito bons, gente divertida, que tinha grande respeito pelos sacerdotes e as monjas. O meu pai e a minha mãe sentiram-se felizes com Deus. A minha família não era uma família piedosa. Era una família feliz”, sentencia.

Os seus pais eram homens de fé. A sua mãe, de facto, pertencia à ordem terceira dos carmelitas. Também é verdade que os seus pais eram de origem irlandesa, e a sua casa desde sempre esteve aberta a sacerdotes.

De facto, era habitual que às segundas-feiras, o dia em que costumam descansar os párocos, alguns viessem à sua casa. A mãe preparava-lhes uma boa comida, enquanto as raparigas tocavam o piano e lhes cantavam alguma canção.

Um pároco entregado aos seus paroquianos
O sacerdote redentorista explica que tudo começou com o pároco da sua paróquia, o P. O’Connell, de Santa Ágata, em Clayfield (na imagem abaixo). Um homem que se vivia para as suas ovelhas e vice-versa: “Tinhas-nos a todos impressionados. A sua influência foi tremenda”.

William recebeu das suas mãos a Primeira Comunhão: “Quando a recebi senti que o Senhor me chamava”. Com ele surgiu a primeira chamada a fazer-se sacerdote. 

Chamado à missão
Atraía-o o ser sacerdote missionário e ir por todo o mundo pregando Cristo, por isso ao princípio pensou nos padres de São Columbano, mas foi sobretudo através do seu irmão Thomas, que já estava estudando no seminário dos redentoristas, como se convenceu: “Eu escutei uma conferência na escola redentorista, e eles diziam que também iam a lugares como os padres de são Columbano”.

Uma vocação vivida em família
De entre todos os irmãos, Bernadette era para ele como sua irmã gémea. Sempre iam juntos para todo o lado. Cresceram juntos, inclusive quando rezavam o rosário em família, dirigiam juntos a dezena. Outras vezes “tinham que despertar-nos aos dois para que rezássemos a nossa…”

Quando Bernadette tinha 17 anos – a sua mãe já tinha morrido anos antes – o seu pai disse-lhe: “Bernadette, se tu estás pensando na vida religiosa, está segura que eu não vou interferir. Tens de saber isto, filhita, Deus cuidará do teu pai”.

Pouco depois ela ingressava na vida religiosa, e passado o tempo, com uns poucos dias de diferença, ela fazia a sua profissão solene e William ordenava-se sacerdote. 

Ninguém me pertence já
É estranha a sensação de encontrar-se só: “Sinto-me um pouco inquieto sendo o último da família. Já não tenho a ninguém que me pertença”, lamenta.

Bernadette morreu há uns meses, e ele vai uma vez por mês ao cemitério onde se encontram enterrados os seus pais e a maioria dos seus irmãos. “Ali se encontra o meu nicho preparado, junto ao de Thomas e próximo do de Bernadette”.

Toda uma vida missionária
Agora aos seus 85 anos, o P. William pode dizer que a sua vida esteve cheia de cor, aventura e muita viagem. Ao longo da sua vida sacerdotal missionou por muitos países como Tailândia, China, Coreia, Malásia, Mongólia, Papua Nova Guiné, Filipinas, Singapura, Paquistão, Japão, Birmânia, Laos e Irlanda.

Foi maravilhoso ser sacerdote missionário. Uma vez que senti a minha chamada à missão, sempre me atraiu essa vocação”. A idade não é uma limitação no seu compromisso sacerdotal: "Eu podia ir de novo. Não é impossível".


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