Entrevista com D. Ignacio Kaigama, Presidente da Conferência Episcopal da Nigéria
Roma, 15 de Maio de 2014 (Zenit.org)
Na noite de 14 de Abril, cerca de 275 meninas foram raptadas
de uma escola pública, na cidade de Chibok, no estado de Borno, Nigéria. O grupo extremista Boko Haram assumiu a responsabilidade do
sequestro.
A Fundação AIS falou com D. Ignacio Kaigama, Arcebispo de Jos e
Presidente da Conferência Episcopal da Nigéria. Eis a segunda parte da
entrevista:
Fundação AIS: Quantas destas meninas raptadas são cristãs, e em que medida o elevado número de cristãs foi o motivo deste rapto?
D. Kaigama: A maioria das meninas são cristãs. A maioria das meninas
que escaparam eram cristãs, pelo que podemos também supor o mesmo das
outras meninas que ainda se mantêm sequestradas. Mas também é verdade
que algumas são muçulmanas e também foram sequestradas. Portanto, este
incidente demonstra uma vez mais que o grupo Boko Haram também se dirige
contra os muçulmanos.
Fundação AIS: Não têm faltado críticas sobre a reacção do Governo
relativamente à violência perpetrada pelo grupo Boko Haram,
especialmente após o rapto das meninas. Essas críticas são justificadas?
D. Kaigama: O Governo subestimou a crise Boko Haram e, por isso,
demorou a reagir. Parte do problema é que os recursos não são
usados correctamente para fornecer as condições adequadas aos agentes
de segurança e facilitar-lhes o equipamento apropriado para lutar contra
a violência, talvez devido a algumas práticas corruptas. Algumas fontes
das forças de segurança queixam-se de que as armas do grupo Boko Haram
são mais sofisticadas e são mais desenvolvidas do que as da polícia e
do exército. Os recursos devem chegar às pessoas certas. Além disso, as
famílias dos soldados que morreram ao tentar defender as pessoas não têm
recebido ajuda suficiente. É importante que estas famílias recebam
assistência.
Fundação AIS: O que é que a Igreja Católica está a fazer em resposta aos sequestros?
D. Kaigama: Temos tentado o diálogo e não tem funcionado. O Governo
recorreu à força e não funcionou. Neste momento, o que temos de fazer é
rezar: apenas Deus pode tocar o coração destas pessoas. Rezamos e
pedimos as vossas orações. Como presidente da Conferência Episcopal ,
escrevi a todos os católicos da Nigéria, para que fizessem uma hora de
Adoração, pedindo a todos os bispos, sacerdotes e fiéis que rezem por
elas.
Fundação AIS: O que pede nas suas orações?
D. Kaigama: Rezo por três intenções: em primeiro lugar, que libertem
as meninas o mais rapidamente possível, sãs e salvas. Em segundo lugar,
que o grupo Boko Haram pare estes ataques e acabe com a violência. E em
terceiro lugar, que o Governo receba ajuda de outros países de todo o
mundo. Que os países se unam para lutar contra o terrorismo, a fome, a
pobreza a fim de criar uma unidade autêntica e não apenas para servir os hipócritas interesses políticos.
Fundação AIS: Este problema já se arrasta há cinco anos. Tem
esperança de que a comunidade internacional possa resolver este
problema, agora?
D. Kaigama: Nós temos de nos manter unidos, esta é a única solução. O
grupo Boko Haram tem armas, mas como é que estas armas chegaram aos
terroristas? De onde vem este dinheiro? Quem os treina? Creio que a
comunidade internacional pode solucionar. Eu sou um padre e esse não é o
meu trabalho, mas penso que, se os governos internacionais colaborarem
entre si, então pode haver uma solução. A Nigéria desempenha um papel
importante em África e no mundo. É melhor ajudar agora antes que seja
tarde demais e tornar-se ainda mais complicado.
(Fonte: Fundação AIS)
(15 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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