É justo expressar solidariedade para com as pessoas afectadas pela violência. Mas também é correto respeitar aqueles que acreditam na família fundada sobre o amor entre um homem e uma mulher
Roma, 16 de Maio de 2014 (Zenit.org) Carlo Climati
Estes dias, em várias cidades da Itália, estão sendo
realizadas vigílias e encontros de oração por ocasião do Dia
Internacional Contra a Homofobia, realizado em 17 de Maio. Para lembrar
as vítimas da violência, da exclusão e do preconceito. É justo fazê-lo,
porque nenhum ser humano deve ser humilhado. Nenhum ser humano deve
sentir-se diferente ou inferior aos outros.
A partir do presente tópico, gostaria de falar sobre uma
experiência pessoal. Na década de 90 ainda trabalhava na universidade.
Minha actividade jornalística era nos jornais, na rádio e na televisão. E
foi nessa época que eu comecei a escrever livros.
Entre outros projectos, eu tinha em mente a ideia de escrever sobre um
tema que parecia interessante: a relação entre as pessoas homossexuais e
a fé. Eu não sabia por onde começar. E assim, pedi o conselho de um
sacerdote que se ocupava dessa pastoral. Ele foi muito gentil e me deu a
oportunidade de entrevistar fiéis homossexuais, que ele mesmo
acompanhava.
Eu não escrevi o livro, porque precisava me dedicar a outros projectos. Mas tenho boas recordações daquele tempo em que encontrei
fiéis homossexuais, tempo em que conversávamos e rezávamos juntos.
Papa Francisco, respondendo aos jornalistas no caminho de volta da
Jornada Mundial da Juventude no Brasil, disse: "Se uma pessoa é gay e
busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?".
São belas palavras, que posso confirmar pela experiência de diálogo
que eu fiz nos anos noventa. Lembro-me de ter conhecido pessoas gays,
‘muito humanas’ e com grande sensibilidade, que buscavam a Deus de
verdade.
Por isso, o Santo Padre convidou-nos a não julgar. Quem somos nós
para subir em um pedestal e se sentir melhor do que essas pessoas? Quem
somos nós para condenar e atirar pedras? Quem somos nós para sentir
desprezo? Quem somos nós para excluir e rejeitar?
Mas, vamos virar a página. Os anos noventa ficaram para trás. O
advento da internet mudou literalmente o mundo e também mudou a maneira
de abordar a questão da homossexualidade.
Os meios de comunicação parecem escravos de uma fixação sobre este
tema, que produz uma enxurrada de notícias, muitas vezes, enganosas.
Estamos a assistir a uma espécie de lavagem cerebral para convencer o
público a aceitar a possibilidade de que casais do mesmo sexo adoptem
crianças ou possam ter filhos por meio de inseminação artificial e
barriga de aluguer.
A armadilha que se esconde por trás desses mecanismos é simples. Foi
criado, em teoria, o "complexo de homofobia". Qualquer um que se atreva a
defender a família fundada sobre o amor entre um homem e uma mulher é
imediatamente acusado de ser "homofóbico", que significa, inimigo das
pessoas homossexuais.
Mas é evidente que isso é uma contradição. É possível, de fato,
respeitar plenamente os gays, como qualquer outra pessoa no mundo, sem,
no entanto, compartilhar algumas de suas reivindicações.
Eu desejo unir-me na oração, com todo o meu coração, aos nossos
irmãos e irmãs homossexuais no Dia Internacional Contra a Homofobia. Eu
gostaria de apertá-los em um grande abraço e dizer-lhes que somos todos
filhos de Deus. Busquemos as coisas que nos unem e rezemos juntos ao
Senhor, em nome desses valores que estão escritos no coração de cada ser
humano.
Ao mesmo tempo, eu gostaria que fosse esclarecida a palavra
"homofobia", esta não deveria afectar aqueles que acreditam na família
baseada no amor entre um homem e uma mulher. Eu gostaria que as pessoas
gays, com sua sensibilidade, manifestassem bom senso e reflectissem um
pouco.
Na vida de cada dia, duas pessoas de sexos diferentes podem dar à luz
a uma criança? Sim. Isso nos diz que duas pessoas de sexos diferentes
também podem adoptá-lo e criá-lo como se fossem seus pais naturais.
Na vida de cada dia, duas pessoas do mesmo sexo pode dar à luz a uma
criança? Não. A natureza não permite. Então, por que criar a todo custo
uma situação que, de fato, não existe?
Então, é correto "alugar" o corpo de uma mulher? E certo "comprar" a
criança que esta mãe manteve dentro dela por nove meses? É certo que a
maternidade se torne um "trabalho", uma “comércio", um "mercado" de
seres humanos?
Casais do mesmo sexo que têm filhos não devem ser insultados,
humilhados e marginalizados. Seus filhos são criaturas de Deus. E não
existem seres humanos na série B. Isso é claro.
É justo amar, respeitar e aceitar todas as pessoas, mesmo que não
compartilhemos as escolhas que fizeram. No entanto, podemos manifestar
nossa pacifica dissidência com relação ao que consideramos inaceitável e
injusto.
(Trad.:MEM)
(16 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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