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sábado, 10 de maio de 2014

O papa aos dirigentes da ONU: Jesus pediu que Zaqueu desse tudo pelos outros

Francisco os convidou a desafiar todas as formas de injustiça, opondo-se à economia da exclusão, à cultura do descarte e à cultura da morte


Cidade do Vaticano, 09 de Maio de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora


O Santo Padre Francisco recebeu na manhã desta sexta-feira, no Vaticano, os membros do conselho dos executivos que coordenam as Nações Unidas. Eles estão em Roma para o encontro estratégico semestral, que revisa fundos e programas das Nações Unidas e das organizações especializadas, sob o comando do secretário geral, o coreano Ban Ki Moon.

Apesar de ainda estarem longe do cumprimento os objectivos do milénio colocados pela ONU para 2014, de reduzir pela metade a pobreza e a fome no mundo, o papa lhes agradeceu pelo que foi feito e os encorajou a fazer ainda mais, citando, para isso, uma parábola evangélica.

Na Sala do Consistório, no Palácio Apostólico, o papa falou em espanhol e agradeceu por eles serem “os principais responsáveis pelo sistema internacional, pelos grandes esforços realizados em prol da paz mundial, pelo respeito da dignidade humana, pela protecção das pessoas, especialmente dos mais pobres ou frágeis, e pelo desenvolvimento económico e social harmonioso”.

O pontífice elogiou os “resultados positivos dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, especialmente em termos de educação e diminuição da pobreza extrema”, mas recordou “que os povos merecem e esperam frutos maiores ainda”.

Francisco disse que o que é próprio da função directiva é “não conformar-se com os resultados obtidos, mas empenhar-se cada vez mais”. Particularmente no caso “da organização política e económica mundial, ainda falta muito, já que uma parte importante da humanidade continua excluída dos benefícios do progresso e, na prática, relegada a seres de segunda categoria”.

“Os futuros Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, portanto, devem ser formulados e executados com magnanimidade e valentia, de modo que, efectivamente, cheguem a incidir nas causas estruturais da pobreza e da fome, consigam melhoras substanciais em matéria de preservação do ambiente, garantam um trabalho decente e útil para todos e dêem uma protecção adequada à família, elemento essencial de qualquer desenvolvimento económico e social sustentável”.

Em particular, Francisco os encorajou a “desafiar todas as formas de injustiça, opondo-se à 'economia da exclusão', à 'cultura do descarte' e à 'cultura da morte', que, por desgraça, poderiam se tornar uma mentalidade passivamente aceita”.

Ele recordou o evangelho de Lucas sobre o rico publicano Zaqueu, que tomou a decisão radical da partilha e da justiça quando a sua consciência se viu despertada pelo olhar de Jesus.

O Santo Padre reiterou que a vida “é sagrada e inviolável desde a concepção até o seu fim natural” e que o “episódio de Jesus Cristo e de Zaqueu nos ensina que, acima dos sistemas e das teorias económicas e sociais, deve-se promover sempre uma abertura generosa, eficaz e concreta às necessidades dos outros”.

“Jesus não pede que Zaqueu mude de trabalho nem denuncia a sua actividade comercial. Ele apenas o incentiva a colocar tudo, livremente, mas imediatamente e sem discussões, a serviço dos homens”.

Seguindo os ensinamentos dos seus predecessores, João Paulo II e Bento XVI, Francisco declarou “que o progresso económico e social equitativo só pode ser obtido quando unimos as capacidades científicas e técnicas com um empenho solidário constante, acompanhado de uma gratuitidade generosa e desinteressada em todos os níveis”, para se conseguir “um desenvolvimento humano integral em favor de todos os habitantes do planeta, como a legítima redistribuição dos benefícios económicos por parte do Estado e a também indispensável colaboração da actividade económica privada e da sociedade civil”.

Ao encerrar e antes de dar a sua bênção a eles, às suas famílias e a todo o pessoal das Nações Unidas e dos entes internacionais, Francisco os animou a “promover juntos uma verdadeira mobilização ética mundial que, indo além de toda diferença de credo ou de opiniões políticas, difunda e aplique um ideal comum de fraternidade e solidariedade, especialmente para com os mais pobres e excluídos”.

Os objectivos do milénio, estabelecidos em 1990 para 2015 e aos quais o Santo Padre se referiu, são estes:
  1. Erradicar a pobreza extrema e a fome: reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção de pessoas que sofrem a fome e a proporção de pessoas cujas receitas são inferiores a um dólar por dia, além de conseguir pleno emprego produtivo e trabalho digno para todos, incluindo mulheres e jovens.
  2. Atingir a universalização do ensino primário
  3. Promover a igualdade entre os géneros e a autonomia da mulher
  4. Reduzir a mortalidade infantil
  5. Melhorar a saúde materna
  6. Combater o HIV/aids, o paludismo e outras doenças
  7. Garantir a sustentabilidade do meio ambiente
  8. Fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento

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