Francisco os convidou a desafiar todas as formas de injustiça, opondo-se à economia da exclusão, à cultura do descarte e à cultura da morte
Cidade do Vaticano, 09 de Maio de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora
O Santo Padre Francisco recebeu na manhã desta sexta-feira,
no Vaticano, os membros do conselho dos executivos que coordenam as
Nações Unidas. Eles estão em Roma para o encontro estratégico semestral,
que revisa fundos e programas das Nações Unidas e das organizações
especializadas, sob o comando do secretário geral, o coreano Ban Ki
Moon.
Apesar de ainda estarem longe do cumprimento os objectivos do milénio colocados pela ONU para 2014, de reduzir pela metade a pobreza e
a fome no mundo, o papa lhes agradeceu pelo que foi feito e os
encorajou a fazer ainda mais, citando, para isso, uma parábola
evangélica.
Na Sala do Consistório, no Palácio Apostólico, o papa falou em
espanhol e agradeceu por eles serem “os principais responsáveis pelo
sistema internacional, pelos grandes esforços realizados em prol da paz
mundial, pelo respeito da dignidade humana, pela protecção das pessoas,
especialmente dos mais pobres ou frágeis, e pelo desenvolvimento económico e social harmonioso”.
O pontífice elogiou os “resultados positivos dos Objectivos de
Desenvolvimento do Milénio, especialmente em termos de educação e
diminuição da pobreza extrema”, mas recordou “que os povos merecem e
esperam frutos maiores ainda”.
Francisco disse que o que é próprio da função directiva é “não
conformar-se com os resultados obtidos, mas empenhar-se cada vez mais”.
Particularmente no caso “da organização política e económica mundial,
ainda falta muito, já que uma parte importante da humanidade continua
excluída dos benefícios do progresso e, na prática, relegada a seres de
segunda categoria”.
“Os futuros Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, portanto, devem
ser formulados e executados com magnanimidade e valentia, de modo que, efectivamente, cheguem a incidir nas causas estruturais da pobreza e da
fome, consigam melhoras substanciais em matéria de preservação do
ambiente, garantam um trabalho decente e útil para todos e dêem uma protecção adequada à família, elemento essencial de qualquer
desenvolvimento económico e social sustentável”.
Em particular, Francisco os encorajou a “desafiar todas as formas de
injustiça, opondo-se à 'economia da exclusão', à 'cultura do descarte' e
à 'cultura da morte', que, por desgraça, poderiam se tornar uma
mentalidade passivamente aceita”.
Ele recordou o evangelho de Lucas sobre o rico publicano Zaqueu, que
tomou a decisão radical da partilha e da justiça quando a sua
consciência se viu despertada pelo olhar de Jesus.
O Santo Padre reiterou que a vida “é sagrada e inviolável desde a
concepção até o seu fim natural” e que o “episódio de Jesus Cristo e de
Zaqueu nos ensina que, acima dos sistemas e das teorias económicas e
sociais, deve-se promover sempre uma abertura generosa, eficaz e
concreta às necessidades dos outros”.
“Jesus não pede que Zaqueu mude de trabalho nem denuncia a sua actividade comercial. Ele apenas o incentiva a colocar tudo, livremente,
mas imediatamente e sem discussões, a serviço dos homens”.
Seguindo os ensinamentos dos seus predecessores, João Paulo II e
Bento XVI, Francisco declarou “que o progresso económico e social
equitativo só pode ser obtido quando unimos as capacidades científicas e
técnicas com um empenho solidário constante, acompanhado de uma gratuitidade generosa e desinteressada em todos os níveis”, para se
conseguir “um desenvolvimento humano integral em favor de todos os
habitantes do planeta, como a legítima redistribuição dos benefícios económicos por parte do Estado e a também indispensável colaboração da actividade económica privada e da sociedade civil”.
Ao encerrar e antes de dar a sua bênção a eles, às suas famílias e a
todo o pessoal das Nações Unidas e dos entes internacionais, Francisco
os animou a “promover juntos uma verdadeira mobilização ética mundial
que, indo além de toda diferença de credo ou de opiniões políticas,
difunda e aplique um ideal comum de fraternidade e solidariedade,
especialmente para com os mais pobres e excluídos”.
Os objectivos do milénio, estabelecidos em 1990 para 2015 e aos quais o Santo Padre se referiu, são estes:
- Erradicar a pobreza extrema e a fome: reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção de pessoas que sofrem a fome e a proporção de pessoas cujas receitas são inferiores a um dólar por dia, além de conseguir pleno emprego produtivo e trabalho digno para todos, incluindo mulheres e jovens.
- Atingir a universalização do ensino primário
- Promover a igualdade entre os géneros e a autonomia da mulher
- Reduzir a mortalidade infantil
- Melhorar a saúde materna
- Combater o HIV/aids, o paludismo e outras doenças
- Garantir a sustentabilidade do meio ambiente
- Fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento
(09 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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