O padre Lombardi apresenta à imprensa internacional a programação da viagem de três dias do papa Francisco à Terra Santa
Cidade do Vaticano, 15 de Maio de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora
Na tarde de 25 de maio, domingo, já na Terra Santa, o papa
Francisco encontrará em Belém o patriarca ecuménico Bartolomeu. “Será um
encontro privado, historicamente importantíssimo, no mesmo lugar em que
Paulo VI se encontrou com Atenágoras”, afirmou hoje o porta-voz do
Vaticano, o padre Federico Lombardi, ao apresentar à imprensa o
itinerário da viagem do Santo Padre.
“Lá haverá uma declaração conjunta. Este é o primeiro dos quatro
momentos em que eles se encontrarão”. Outro elemento novo é que, em
seguida, quando se transferirem até o Santo Sepulcro, às 19 horas, ainda
no domingo, o papa será recebido pelos três superiores do lugar que é
usado e custodiado pelas três comunidades cristãs: a greco-ortodoxa, a arménia e a Custódia da Terra Santa.
Depois do discurso do patriarca ortodoxo e do papa, “será realizado
um rito ecuménico e uma oração conjunta, em que eles venerarão o Santo
Sepulcro. Será assim registada a grande novidade ecuménico da viagem,
que não aconteceu antes porque as comunidades o fazem nos horários
destinados a cada uma”. É, portanto, “um fato histórico e
extraordinário”.
O director da sala de imprensa da Santa Sé observou ainda que “entre
Paulo VI e Atenágoras não houve um momento de oração conjunta. É verdade
que eles rezaram um pai-nosso, mas não durante uma celebração pública e
transmitida ao vivo”.
“A Rádio Vaticano”, prosseguiu Lombardi, “transmitirá o encontro em
seis idiomas, ao vivo, e os comentários serão feitos por um jornalista
da rádio e por um comentarista ortodoxo”. O papa falará sempre em
italiano.
Não há mudanças quanto à programação do papa que já tinha sido
divulgada pelo Patriarcado Latino de Jerusalém, nesta que será a segunda
viagem internacional do papa Francisco, depois da JMJ do Brasil.
Lombardi recordou que o primeiro convite à Terra Santa foi realizado
pelo patriarca Bartolomeu para comemorar o encontro histórico entre
Paulo VI e Atenágoras, na abertura do pontificado de Francisco. Depois, o
convite amadureceu e tomou forma. O porta-voz vaticano lembrou também
que o presidente israelita Shimon Pérez tinha desejado que a viagem
ocorresse antes do final do seu mandato. Diferentemente da viagem de
Paulo VI, a primeira internacional de um papa, que foi feita em Janeiro,
durante o Concílio Vaticano II, “desta vez preferimos fazê-la em maio
devido ao clima mais benévolo”.
Lombardi precisou que os cardeais que acompanharão o Santo Padre são o
argentino Leonardo Sandri, das Igrejas Orientais, o francês Jean-Louis
Tauran, do Diálogo Inter-Religioso, e Kurt Koch, das comissões de
diálogo com o judaísmo.
Juntam-se à comitiva o patriarca latino de Jerusalém e o custódio da
Terra Santa, além de mais uma novidade: o rabino Abraham Skorka e o
professor muçulmano Omar Abbud, com quem Bergoglio cultivou diálogo e
amizade quando ainda estava em Buenos Aires. “Abbud se une à comitiva
em Amã, o rabino se une em Belém, e, apesar de que não haverá encontros
inter-religiosos específicos, a viagem toda será um encontro
inter-religioso”.
No rio Jordão, local do baptismo de Jesus e perto do qual estão sendo
edificadas várias igrejas, o rei da Jordânia receberá o papa em uma
delas e o levará ao lugar considerado como o do baptismo de Cristo. O
Santo Padre abençoará o rio Jordão, como Paulo VI também o fez em sua
viagem. Depois, irá até uma igreja latina, em que se encontrará com
refugiados e jovens portadores de deficiências.
Durante a estada na Palestina, o papa irá à Casa Nova, um convento
franciscano onde almoçará com algumas famílias de refugiados. A seguir,
visitará a Gruta da Natividade e, depois, irá até o centro Phoenix do
campo de refugiados de Deheisheh, um dos três da Palestina, já visitado
por São João Paulo II. No campo, ele se encontrará com cerca de 300
crianças.
Terminará assim a passagem de Francisco pela Palestina. Dali ele se
dirige ao aeroporto de Tel Aviv para, na tarde de domingo, se encontrar
com o patriarca, tal como explicado anteriormente.
Na segunda-feira, o papa visitará o grande mufti de Jerusalém no
edifício do Grande Conselho, na esplanada das mesquitas. Logo depois,
visitará o Muro das Lamentações, acolhido pelo rabino chefe. Lá deixará a
sua folha em uma das fissuras do muro, podendo ser em envelope fechado
ou em folha avulsa: ficaremos sabendo no próprio momento, como aconteceu
com São João Paulo II e Bento XVI.
Depois, o papa irá ao Monte Herzl, túmulo do fundador do movimento
sionista, com uma oferenda floral, recordando a história das vítimas de
Israel.
Outro momento significativo da jornada será o encontro na igreja do
Getsemani, onde Francisco se reunirá com sacerdotes, religiosos,
religiosas e seminaristas. O Santo Padre plantará uma oliveira no mesmo
lugar em que este gesto também foi feito por Paulo VI.
(15 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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