O Papa recebeu em audiência a Fundação Centesimus Annus, elogiou o compromisso de concretizar a doutrina social e exortou as comunidades cristãs a não abandonarem os empresários
Roma, 12 de Maio de 2014 (Zenit.org)
Sábado, 10 de maio, durante uma audiência privada, o Papa Francisco mostrou apoio e gratidão aos membros da Fundação Centesimus Annus - Pro Pontífice, porque acolheram "a sugestão de trabalhar o valor da solidariedade".
O Papa destacou que os seus esforços contribuem para levar adiante
um tema "intrínseco à doutrina social", que "sempre se harmoniza com o
princípio da subsidiaridade". E também ressaltou a ênfase que o
magistério de São João Paulo II - autor da encíclica Centesimus Annus,
da qual a fundação pegou o nome - e de Bento XVI, com a Caritas in
Veritate, deram ao assunto.
Tema que se torna extremamente actual. "No actual sistema económico (e
na mentalidade que ele gera) a palavra ‘solidariedade’ tornou-se incómoda, até mesmo inconveniente" continuou o Pontífice. Reiterando o
que foi expresso na reunião do ano passado, ou seja, que o termo
solidariedade parece hoje um “palavrão”, o Santo Padre atribuiu à crise económica a “alergia” generalizada com relação a este termo.
O motivo, de acordo com o papa Francisco, é devido ao fato de que não
se quer estudar realmente de que forma os valores éticos podem
tornar-se concretamente “valores económicos”, ou seja, “provocar
dinâmicas virtuosas na produção, no trabalho, no comércio, nas mesmas
finanças”.
Uma atitude que vai contracorrente é, pelo contrário, a que caracteriza a Fundação Centesimus Annus - Pro Pontífice.
O Papa elogiou o seu esforço para manter "juntamente com o aspecto
teórico e prático, o pensamento e as experiências no campo”. E é “a
consciência do empresário o lugar existencial onde acontece tal
pesquisa”.
Por esta razão, "o empresário cristão é encorajado a sempre comparar o
Evangelho com a realidade em que se insere; e o Evangelho lhe pede para
colocar em primeiro lugar a pessoa humana e o bem comum, a fazer a sua
parte para garantir que não haja oportunidades de emprego, de trabalho
digno".
Uma "empresa", disse o Bispo de Roma, que não pode, porém, actuar “de
forma isolada". É, portanto, "a comunidade cristã (a paróquia, as
dioceses, as associações) o lugar onde o empresário, mas também o
político, o profissional, o sindicalista, tiram a seiva para alimentar o
seu compromisso e se envolver com os irmãos".
Relação com a comunidade que o Papa considera "essencial", porque "o
ambiente de trabalho, por vezes, torna-se estéril, hostil, desumano".
Mas a chamada do Papa é bilateral, dirigida também para as próprias
comunidades. "A crise prova duramente a esperança dos empresários (adverte); não devemos deixar sozinhos aqueles que estão com maiores
dificuldades”.
O Santo Padre, portanto, destacou a importância do compromisso dos
leigos, defendido pelo Concílio Vaticano II, que "insistiu no fato de
que os fieis leigos são chamados a cumprir a sua missão nos âmbitos da
vida social, económica, política”.
Papa Francisco também incentivou os “amigos da Centesimus Annus" para
prosseguirem a sua missão com fé, porque - disse - "vocês podem dar um
testemunho eficaz no seu campo, porque não levam só palavras,
discursos”, mas sim “levam a experiência de pessoas e de empresas que
procuram actuar concretamente os princípios éticos cristãos na actual
situação do mundo do trabalho”. Sem esquecer – concluiu – de dedicar
“também o momento certo para a oração, porque também o leigo, também o
empresário precisam rezar, e rezar muito, quando os desafios são mais
difíceis".
(F.C./Trad.TS)
(12 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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