Em 1964 foi o primeiro Papa, depois de Pedro, a pôr os pés na terra de Jesus
Roma, 19 de Maio de 2014 (Zenit.org) Nicola Rosetti
No próximo sábado, 24 de Maio de 2014, o Papa Francisco chegará como peregrino à Terra Santa.
A viagem do Papa cai no quinquagésimo aniversário da visita do Papa
Paulo VI, que em 1964 tornou-se o primeiro pontífice, depois de Pedro, a
pôr os pés na terra de Jesus.
Para recordar aquela visita histórica, a revista “La Civiltá
Cattolica” dedicou um artigo assinado pelo historiador jesuíta Giovanni
Sale no número publicado nesse sábado, 17 de Maio.
O sacerdote recordou, como o mesmo pontífice, “a manhã do 4 de
dezembro de 1963, ao final da segunda sessão conciliar, fez o anúncio da
sua vontade de viajar à Terra Santa no próximo mês de Janeiro”. Pela
primeira vez na história da Igreja, um Papa teria cruzado os confins
europeus subindo em um avião.
Tratava-se de um evento histórico, tornado ainda mais importante por
causa do contexto e do propósito. A viagem, de fato, teria sido
realizada entre a segunda e a terceira sessão do Concílio Vaticano II,
querendo assim significar o desejo do Papa e de toda a Igreja de voltar
às origens. Além do mais o Papa teria encontrado o Patriarca de
Constantinopla, Atenágoras, colocando em prática o ecumenismo que viria a
ser uma das questões mais importantes e discutidas durante o Concílio.
A peregrinação de Paulo VI queria ser apenas de natureza espiritual,
como afirmado várias vezes pelo Papa: "Será uma viagem de oração e de
humildade, um ato puramente religioso, absolutamente alheio a todo tipo
de considerações políticas e temporais”.
Padre Sale destaca os vários preparativos da viagem papal, colocando
em evidência como a Santa Sé procurou de todas as formas evitar qualquer
possível instrumentalização política.
O religioso se concentra também em como a hierarquia católica e a
ortodoxa se mobilizaram para realizar o histórico encontro entre o
sucessor de Pedro e o de André, que se realizou na tarde do dia 5 de Maio de 1964.
Paulo VI dirigiu-se a Atenágoras dizendo: “Desejamos, sinceramente,
que as boas intenções encontradas nestes últimos tempos, de um lado e do
outro, e que se confirmam com este encontro abençoado de pessoas e de
almas, levem a uma mútua comunhão e a uma maior submissão à vontade de
Deus”.
Durante a sua viagem, Papa Paulo VI, além do mundo ortodoxo, foi
capaz de aproximar também o hebraico. Sem nunca citar o Estado de
Israel, que o Vaticano não tinha ainda reconhecido, o Santo Padre
pronunciou estas palavras: “Desta terra única no mundo pela
grandiosidade dos acontecimentos da qual foi teatro, a nossa humilde
súplica se eleva a Deus por todos os homens, crentes e não crentes; e
acrescentamos, pelos filhos do País da Aliança, cujo carácter na história
religiosa da humanidade não podemos esquecer”.
Não faltou a oportunidade de defender a memória de Pio XII e se
lembrar de como concretamente tinha se mobilizado para salvar muitas
vidas inocentes. Paulo VI falou assim do seu antecessor: “Aqueles que
como nós conhecemos mais de perto esta alma inocente sabemos onde pode
chegar a sua sensibilidade, a sua compaixão pelos sofrimentos humanos, o
seu valor e a bondade do seu coração. Bem o sabiam também aqueles que,
terminada a guerra, vieram, com as lágrimas nos olhos, para agradecê-lo
por ter-lhes salvado a vida”.
A viagem papal - escreve ainda Pe. Sale – teve uma cobertura mediática sem precedentes: mais de mil jornalistas de todas as partes do
mundo acompanharam o Pontífice nos seus traslados; isso contribuiu para
sensibilizar a opinião pública mundial sobre os problemas do Oriente
Médio em termos religiosos e políticos.
Conclui o religioso: "O retorno a Roma do Papa Paulo VI, na noite do 6
de Janeiro, foi triunfal: inesperadamente ele foi recebido com grande
entusiasmo pelos romanos, que tinham acompanhado os momentos mais
importantes da sua viagem por televisão. Acompanharam-no durante todo o
percurso no Vaticano. Ao final ele teve que sair pela sua janela para
abençoar a multidão que tinha se reunido na praça”.
(Trad.TS)
(19 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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