Denúncia é da organização International Christian Concern (ICC)
Roma, 09 de Outubro de 2013
Entre pastores e outros líderes religiosos cristãos, são 63
os detidos em condições deploráveis em quatro campos de prisioneiros
do Vietname. Suas penas variam de 5 a 18 anos. Eles estão sujeitos a
trabalhos forçados de até 14 horas por dia e seu acesso a cuidados
médicos é muito limitado. A denúncia foi enviada à agência Fides pela
organização International Christian Concern (ICC), com sede em
Washington, que monitoriza a liberdade religiosa e a situação dos cristãos
no mundo.
"Quase todos os prisioneiros são membros de minorias étnicas dos
altiplanos centrais do Vietname. Os fiéis cristãos enfrentam um nível de
discriminação e de opressão mais intenso em comparação com a maioria dos
outros vietnamitas", diz a denúncia.
O pe. Ambrose Nguyen Van Si, OFM, teólogo vietnamita e reitor do
Colégio Internacional Santo António, em Roma, entrevistado pela agência
Fides, diz acreditar que os números e os conteúdos do relatório do ICC
"são perfeitamente verossímeis":
"A situação é esta: ainda existem claras limitações e restrições da
liberdade de expressão e de consciência: quem tem opiniões diferentes
das do governo é penalizado e às vezes severamente punido. Isso é
lamentável, especialmente porque acontecem prisões arbitrárias de jovens
que defendem os direitos humanos. Quem paga são os membros das minorias
étnicas, conhecidos colectivamente como ‘o povo das montanhas’, que são
considerados uma ameaça à estabilidade nacional. Na maioria, eles são
cristãos protestantes. Eu espero mais atenção a esses irmãos e irmãs que
sofrem e rezam", diz o padre.
De acordo com o relatório do ICC, a vigilância do governo sobre as
instituições religiosas é particularmente ferrenha nos altiplanos.
Alguns dos 63 prisioneiros provavelmente estão encarcerados desde 2004,
quando as autoridades vietnamitas iniciaram uma dura repressão aos
protestos motivados pelo confisco ilegal de terras e pela opressão
religiosa. Na província de Binh Phuoc, as autoridades locais ainda
tentam desmantelar 116 capelas construídas pelos fiéis do grupo étnico
Stieng. As estruturas pertencem à Igreja Evangélica do Vietname do Sul,
oficialmente registada no país. As autoridades vietnamitas temem o
surgimento, entre as minorias, de um movimento separatista.
Nos últimos anos, entre as pessoas presas por "ameaças à segurança
nacional" ou por "actividades ilegais", centenas são cristãos
protestantes, mas também há seguidores do pouco conhecido grupo católico
Ha Mon, que venera a Virgem Maria, embora não esteja regularmente
incluído na Igreja Católica local.
in
Sem comentários:
Enviar um comentário