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sábado, 12 de outubro de 2013

Nobel em Medicina e agnóstico, rende-se à Virgem: «Os milagres de Lourdes são algo inexplicável»

Luc Montagnier descobriu o vírus do VIH 

Luc Montagnier descobriu o vírus do VIH
Actualizado 10 de Outubro de 2013

Javier Lozano / ReL

Danila Castelli é uma mulher italiana que sofria de uma grave hipertensão e que depois de visitar Lourdes em 1989 ficou totalmente curada. Este caso supôs o milagre oficial número 69 que reconheceu a Igreja Católica neste santuário mariano desde a aparição da Virgem à jovem Santa Bernadette em 1858.

Desde aquele momento registaram-se mais de 7.000 curas "inexplicáveis" em Lourdes ainda que só umas dezenas foram consideradas milagres. E isso é devido às rigorosas condições estabelecidas para o estudo destas curas.

Sem dúvida, o debate sobre as aparições e as curas em Lourdes leva décadas produzindo-se e as zombarias e críticas dos ateus mais beligerantes contrastam com o respeito e consideração de profissionais de reconhecido prestigio perante um fenómeno religioso que não deixa indiferente ninguém.

É o caso do Prémio Nobel em Medicina e Príncipe das Astúrias, Luc Montagnier. Este médico francês é conhecido por ter descoberto o vírus do VIH assim como por outras importantes contribuições à ciência.

E resulta muito interessante conhecer a opinião deste reconhecido cientista e ex-director do Instituto Pasteur precisamente sobre Lourdes, um lugar que exige ter uma grande fé. Este facto ficou acreditado num livro que recolhia os diálogos entre Montagnier e o monge cisterciense, Michel Niassaut, intitulado o Le Moine et le Nobel.

"Não há necessidade de negar nada"

Num dado momento da conversação saiu a brilhar as curas inexplicáveis em Lourdes. Que opinaria um Nobel da Medicina não crente sobre este assunto? A sua resposta significaria um exemplo de coerência para o mundo da ciência. "Quando um fenómeno é inexplicável, se realmente existe, não há necessidade de negar nada", afirmava de maneira cortante Luc Montagnier. Neste sentido, o Nobel da Medicina assegurava que "nos milagres de Lourdes há algo inexplicável".

Além disso, Montagnier desfigurava a conduta de alguns companheiros seus e dizia neste livro que "muitos cientistas cometem o erro de rejeitar o que não entendem. Não gosto desta atitude. Frequentemente cito esta frase do astrofísico Carl Sagan: ´a ausência de prova, não é prova de ausência´".

"Os milagres são inexplicáveis"
Neste sentido, acrescentou que "quanto aos milagres de Lourdes que estudei, creio na realidade que é algo inexplicável (…) Não explico estes milagres mas reconheço que há curas que não estão incluídas no estado actual da ciência".


Como descobridor do vírus do VIH, Montagnier teve uma relevância muito importante na segunda metade do século XX e apesar das tradicionais críticas do mundo anticatólico pelo posicionamento da Igreja quanto ao SIDA, este cientista louva o papel do mundo católico perante estes dramas.

A sua colaboração com a Igreja
De facto, relata que "com o meu colega estadunidense Robert Gallo obtive uma audiência com o Papa (João Paulo II) sobre a forma em que podíamos aumentar a nossa colaboração com o pessoal que trabalha na sombra nas missões católicas em África. Eles tratam as pessoas afectadas pelo SIDA e fazem prevenção contra a propagação do vírus".

Esta importante, e muitas vezes esquecida tarefa, é muito destacada por este Prémio Nobel. "As ordens religiosas cristãs desempenharam um papel muito positivo no cuidado dos enfermos. Reconheço que, no âmbito da atenção hospitalar, a Igreja foi pioneira".

A vital tarefa da Igreja contra o SIDA
"Pude ver de perto nos meus longos anos de investigação do SIDA, sobretudo no princípio, cada dia pacientes condenados a uma morte inevitável. Frequentemente a fé e a proximidade da Igreja ajudaram-nos a fazer frente à enfermidade e a que não se sentissem abandonados. É através desta experiência que sempre reconheci a contribuição pioneira e inestimável da Igreja no campo da atenção hospitalar", afirmava este cientista francês

A estima do agnóstico Montagnier pela Igreja é grande. Inclusive ofereceu-se, e ajudou João Paulo II na hora de travar o avance do Parkinson que sofria. Na sua opinião se os valores do cristianismo prevalecessem no mundo, o planeta ganharia muito. "Há 2.000 milhões de cristãos, dos quais 1.100 são católicos. Os seus bons sentimentos estão presentes" mas não são os que governam o mundo. Oxalá, considera, o amor ao próximo conduza o mundo.

A relação de outro prémio Nobel com Lourdes
Sem dúvida, Montagnier não é o único Prémio Nobel que tem uma relação com Lourdes. Muito mais profunda foi a de Alexis Carrel, Nobel em Medicina em 1912. De facto, a sua relação com estas curas levou-o inclusive à conversão ao catolicismo.

Em 1903 Carrel era um jovem médico ateu. Um companheiro que ia acompanhar como doutor um grupo que peregrinava a Lourdes não pode ir e pediu-lhe que fosse ele quem o substituísse. Acedeu a ir para comprovar pessoalmente a falsidade dos milagres que se atribuíam aquele lugar. Mas ali justamente assistiu pessoalmente a um deles, facto que lhe mudou a vida.

Visitou uma mulher moribunda por causa da tuberculose. Observou e analisou todos os sintomas. Sem dúvida, morreria logo. O milagre produziu-se perante os seus olhos. Saiu das piscinas e tudo tinha desaparecido. Esse facto produziu a sua conversão, a qual narrou num livro que causou um escândalo para o naturalismo céptico dominante naquele momento em França.


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