Roma, 10 a 12 de Outubro: seminário do Conselho Pontifício para os Leigos sobre a Mulieris dignitatem, 25 anos após a publicação pelo papa João Paulo II
Roma, 08 de Outubro de 2013
Um seminário sobre a Mulieris dignitatem, 25 anos
após a publicação do documento pelo beato João Paulo II, é a nova
proposta do Conselho Pontifício para os Leigos. De 10 a 12 de Outubro,
uma série de reuniões em Roma celebrará o aniversário da carta
apostólica publicada em 15 de Agosto de 1988. Ênfase particular,
conforme o comunicado do dicastério, será dada a uma frase específica do
documento papal: "Deus confia o ser humano à mulher". Esta declaração,
tema do seminário, é "forte e cheia de significado", mas "talvez não
tenha sido estudada o suficiente nos últimos anos", observa o
comunicado.
O Conselho Pontifício para os Leigos quer propor "uma reflexão renovada sobre este importante documento", lembrando que a Mulieris dignitatem
foi escrita imediatamente após o sínodo sobre a vocação e missão dos
leigos na Igreja e no mundo, em 1987, em atendimento a um pedido feito
pelo sínodo para se considerarem os fundamentos antropológicos e
teológicos da condição da mulher como base indispensável para toda
novidade a ser implementada na vida da Igreja.
A exortação apostólica pós-sinodal Christifideles laici, publicada pouco depois da Mulieris dignitatem,
afirma: "É de todo necessário passar do reconhecimento teórico da
presença ativa e responsável das mulheres na Igreja para a realização
prática [...] O novo Código de Direito Canónico contém várias
disposições sobre a participação da mulher na vida e na missão da
Igreja: são disposições que devem ser conhecidas ao máximo e, de acordo
com as diversas sensibilidades culturais e oportunidades pastorais, ser
postas em prática mais rápida e resolutamente" (ChL, 51).
“Hoje”, prossegue o comunicado, “sente-se ainda mais a urgência de se
colocar em prática o que o sínodo auspiciou para uma participação mais
ativa das mulheres na vida e na missão da Igreja: actualizar as reflexões
desses documentos fornecerá indicações importantes sobre a estrada a
ser trilhada, contribuindo-se também para a resposta aos apelos do papa
Francisco a este respeito”.
"Ao longo dos últimos vinte e cinco anos, a presença e participação
das mulheres na vida social, económica , cultural e política tem
aumentado gradualmente em todo o mundo. Ao mesmo tempo, no entanto,
temos testemunhado o crescimento de uma grave crise antropológica
mundial, oportunamente denunciada pelo papa Bento XVI, que destacou que
os homens do nosso tempo sofrem de um ‘estranho ódio contra si mesmos’,
que se reflecte nas muitas expressões de mal-estar que estão diante dos
olhos de todos. Na Santa Missa de início do seu pontificado, o papa
Francisco chamou a todos, homens e mulheres, a ser ‘guardiães da
criação, do plano de Deus inscrito na natureza, a ser custódios uns dos
outros e do meio ambiente’ (19 de Março de 2013)”.
“A protecção do humano”, continua o comunicado, “longe de ser um fardo
imposto de fora, é uma oportunidade de realização pessoal quando
assumida na liberdade do amor. Em vários discursos recentes, o papa
Francisco enfatizou que a fecundidade é um componente essencial da
realização pessoal de todos os homens e mulheres; a fecundidade é feita
daquele "dom sincero de si mesmo" (GS 24), que é vocação de toda pessoa
humana, vivida nas formas peculiares do feminino e do masculino.
Infelizmente, algumas ideologias levaram à perda de vista da verdade e
da riqueza da fecundidade própria da mulher; uma riqueza, no entanto,
que é vivida com alegria por muitas mulheres nos vários estados de vida e
nos diferentes contextos geográficos e sociais”.
O seminário contou com a participação de especialistas e
representantes de associações e movimentos de 25 países, 39 associações e
movimentos eclesiais e 22 diferentes áreas profissionais: teólogos,
filósofos, educadores, professores universitários, jornalistas,
historiadores, médicos, advogados, artistas, engenheiros, etc. Esse
muito diversificado grupo de mulheres e homens poderá dialogar "na
Igreja e como Igreja" sobre os novos desafios, assim como desenvolver
respostas adequadas a partir da dignidade e da vocação dada por Deus a
cada mulher e a cada homem.
in
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