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domingo, 6 de outubro de 2013

Com 16 anos, fala 4 idiomas, toca violino, dá conferências, vai à missa: era abortável por Down

A história de superação de Emmanuel dá a volta ao mundo 

Emmanuel toca violino, uma das suas grandes paixões
Actualizado 3 de Outubro de 2013

Javier Lozano / ReL


Tem 16 anos. Fala inglês e espanhol na perfeição e orienta-se extraordinariamente bem em francês e em latim. Enquanto, se propõe estudar novos idiomas. Apesar de ser um adolescente a sua destreza com o violino é memorável e já protagonizou concertos com várias orquestras sinfónicas. Também dá conferências por Estados Unidos e o resto do mundo.

O seu nome é Emmanuel Joseph Bishop e deitando um olhar ao seu historial pode-se dizer sem medo de equivocar-nos que está um ou dois escalões acima do resto dos rapazes da sua idade. E este jovem talentoso tem síndroma de Down. Quer dizer, em muitos países a lei permite eliminá-lo antes do seu nascimento: abortável por Down.

A sua história e tão impactante que está dando a volta ao mundo através das redes sociais.

Um talento, em perigo de extinção
Na actualidade seria muito complicado encontrar um talento tão grande como o de Emmanuel pois não o teriam deixado nascer pelo facto de ter síndroma de Down. Simplesmente por não cumprir os requisitos que a sociedade ocidental diz que tem que ter para ser digno desta vida. E tudo isso amparado pela lei.

Sem dúvida, a história de Emmanuel aparece como um vendaval que destrói todas estas falácias que justificam o aborto de milhares e milhares de bebés que não são considerados aptos. Este adolescente estadunidense foi desmontando todos os argumentos e mostrou ao mundo de que é capaz.

Um católico devoto
Emmanuel é além disso um católico muito devoto, afirma-o orgulhoso e realiza as suas orações também em latim. De facto, dirigiu o rezar do Rosário em numerosas ocasiões assim como orações comunitárias.

Neste sentido, este jovem pretende utilizar o dom que Deus lhe ofereceu para um fim maior. Os seus esforços estão destinados a mostrar às pessoas com incapacidade que são iguais ao resto, que tem os seus próprios dons e habilidades que mostrar ao mundo. Definitivamente, convencê-los de que são úteis, logo o contrário do que o mundo lhes ensina diariamente. 


Um talento precoce
Emmanuel nasceu em 21 de Dezembro de 1996 na cidade estadunidense de Grafton. Logo surpreendeu todo o ambiente que o rodeava. Aos dois anos já lia e somente aos três já era capaz de ler cartões em francês num colégio de Illinois.

Com só seis anitos leu o discurso de boas-vindas do Congresso anual da Sociedade Nacional de Síndroma de Down. Fê-lo em três idiomas perante um auditório de mais de 600 pessoas. A essa mesma idade já aprendia a tocar violino, um dos seus maiores vícios.

A vida de Emmanuel continuava indo a esta velocidade de vertigem. Aos 8 anos montava em bicicleta e era medalhista nas Olimpíadas Especiais do Estado tanto em golfe como em natação onde ganhou nos 200 e 400 metros livres. Dois anos mais tarde marcava vários recordes na categoria júnior em diferentes provas de natação.

O violino, a sua arma e seu escudo

Aos 12 anos deu um recital com o violino no Décimo Congresso Mundial de Síndroma de Down que se celebrou na Irlanda em 2009. Ali além disso, fez uma apresentação numa das sessões de trabalho.

Um ano depois podia ser enfim acólito na sua paróquia e aos catorze recebia o ansiado sacramento da Confirmação. Em 2010 cumpria outro dos seus sonhos e para o Dia Mundial do Síndroma de Down foi convidado a tocar na Turquia com uma orquestra sinfónica.

O seu objectivo é ajudar outras crianças

Emmanuel foi educado em casa e os seus pais nunca duvidaram das suas capacidades. Com esforço e perseverança este menino poderia sobrepor-se à incapacidade. Por isso, a principal tarefa deste rapaz é precisamente isto, que o seu exemplo de superação valha o resto.


Nas suas apresentações fala ao fim e ao cabo da sua vida, de um adolescente com síndroma de Down que tem interesses, que gosta do desporto e da música, que nada, que anda em bicicleta.

Os seus objectivos com isto dividem-se principalmente em quatro pontos:

1. Destacar as habilidades, talentos, dons e o potencial das crianças com esta incapacidade.
2. Contrariar as baixas expectativas nos síndromas de Down.
3. Demonstrar que a alegria de viver não se opõe a estas pessoas.
4. Mitigar a prevalência de que tudo o dito ou escrito sobre o síndroma de Down provêm principalmente de pessoas sem esta incapacidade.

Um exemplo para todos

Mostra destas palestras foi a que se produziu em Dezembro de 2012 em Houston na reunião anual sobre a Trissomia 21. Ali Emmanuel encantou a todos relatando as suas aventuras e as suas viagens pelo mundo, sobre os seus estudos e também sobre o seu violino. Também falou uma parte em francês e falou sobre as obras de arte que tinha visitado durante a sua estadia em Paris. Logo respondeu a perguntas sobre a sua vida e a dúvidas que outras pessoas podem ter.

A sua educação em casa foi reveladora para muitos assim como a importância da alfabetização inicial. Exemplos concretos ajudam de sobremaneira numa luta contracorrente. O seu testemunho, mais pela sua capacidade de superação que pelas suas habilidades concretas, são um estímulo e um grande empurrão, para tantas crianças com síndrome de Down e as suas famílias. Não estão sós e por suposto que são úteis, mais do que possam chegar a imaginar.



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