Conversa com o padre Antonio Spadaro, director de La Civiltà Cattolica
Roma, 09 de Outubro de 2013
No evento de apresentação do seu livro "Ciberteologia",
nesta segunda-feira, 7 de Outubro, entrevistamos o padre Antonio
Spadaro, director de La Civiltà Cattolica, a mais antiga revista italiana.
Padre Antonio, o seu livro fala de “espiritualidade da
tecnologia". Esta espiritualidade inerente à técnica foi compreendida
pelo mundo laico? É um potencial que o mundo laico compreende?
Eu acho que o desafio não é apenas para o mundo laico ou apenas para o
mundo cristão, mas para o mundo em geral, para as pessoas de hoje. O
ponto é entender o que é a tecnologia. Ela pode ser entendida como algo
desumanizador, como aconteceu muitas vezes no século XX, ou pode ser
entendida como a expressão da liberdade humana, dos seus desejos humanos
mais profundos, da sua capacidade de acção e também das suas faculdades
mais elevadas, como também pelo desejo de Deus. Se lermos bem dentro da
tecnologia e da necessidade humana de expressar-se tecnologicamente,
reconheceremos valores que também estão na base da espiritualidade
humana. O maior desafio hoje é observar como o campo de reflexão da
tecnologia é exactamente o campo das grandes questões do homem e,
portanto, também o campo da espiritualidade humana.
Como foi recebido na Igreja esse conceito de ciberteologia? Houve mais reservas ou mais abertura?
As duas coisas. É um conceito em movimento, não é um dogma. Ele
nasceu de uma questão simples: hoje a rede tem um impacto no modo de
pensar, e a teologia consiste em pensar a fé: "intellectus fidei" é a
definição tradicional de teologia. Então a questão é "se" e "como" o
ambiente digital vai impactar a forma como pensamos a fé. Dentro do
mundo da Igreja, eu encontrei um grande interesse neste assunto. E vi
que o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais e o Gabinete de
Comunicação da Conferência Episcopal Italiana (CEI) têm grande interesse
neste campo. A ciberteologia virou matéria na Universidade
Gregoriana... Este ano eu fui convidado para leccionar essa matéria. Vou
tentar, dentro dos limites de tempo e de disponibilidade que eu tenho.
Fiquei impressionado com o interesse que ela tem despertado, não só na
Itália, mas em várias partes do mundo. A inclusão dessa matéria no
currículo teológico me confirma que chegou a hora de processar melhor
esta reflexão.
O senhor entrevistou o papa Francisco, no final de Agosto. As
palavras do dele percorreram o mundo inteiro e chamaram muito a atenção,
tanto na Igreja quanto no mundo laico. Quais foram as palavras do papa
que mais impressionaram o senhor? E quais foram os seus sentimentos
diante de um papa que também é um dos seus irmãos jesuítas?
É claro que a entrevista foi uma grande surpresa. Aliás, para mim,
mentalmente e espiritualmente, não foi só uma entrevista, foi uma
verdadeira experiência espiritual, de alto impacto humano e de grande
valor espiritual. Considerando essa grande intensidade dessa experiência
que eu tive, é muito difícil, para mim, achar uma passagem mais
importante do que as outras, porque foram realmente muitos os pontos
importantes abordados pelo papa.
in
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