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domingo, 7 de fevereiro de 2016

“Na Síria, mais do que dinheiro, o que é preciso é parar o tráfico de armas”

O presidente da Caritas Líbano fala na conferência internacional de países doadores

  Mundo


Na conferência internacional dos países doadores para a Síria foram recolhidos  até agora cerca de 8 mil milhões de dólares. O valor é substancial, mas, segundo o padre Paul Karam, director da Caritas Líbano, empenhada em acolher um grande número de famílias sírias que fogem da guerra, “o mais importante, o ponto de partida é parar essa guerra. Devemos silenciar as armas, hoje e não amanhã. A urgência aumenta a cada dia que passa. Enquanto houver guerra, nunca vão se resolver os problemas; pelo contrário, o conflito é destinado a se intensificar”.

O sacerdote, que está em Londres para participar da conferência, declarou à agência AsiaNews que “enquanto os interesses pessoais vencerem e o comércio de armas continuar sendo alimentado, quem vai pagar o preço é a população civil, os pobres, aqueles que trabalham para ganhar o pão de cada dia, para sobreviver e para dar educação aos seus filhos”.

De acordo com pe. Karam, “é importante intervir em termos de saúde, garantir a educação das crianças e dar a elas um futuro, mas o mais importante é parar a guerra. Esta é uma responsabilidade da comunidade internacional, que deve encontrar uma solução para acabar com o tráfico de armas. Não se pode continuar assim… Sempre encontram dinheiro para armas, para destruir, mas não para acabar com a violência e ajudar as pessoas. Temos que parar esta tragédia”.

O presidente da Caritas Líbano chamou de “fracasso” as negociações em Genebra. “O Oriente Médio é um vulcão agitado. Esperamos que a comunidade internacional acorde e reforce a solidariedade entre os povos e a ajuda aos migrantes”.

A quarta cúpula dos países doadores pretende responder ao apelo lançado pela Organização das Nações Unidas, que pede 7,73 mil milhões de dólares para a Síria, além de 1,23 mil milhões para os países envolvidos na crise. Estão presentes pelo menos 70 chefes de Estado e de governo, bem como o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, e 90 representantes de ONGs e organismos activos na linha da frente das operações de ajuda.

Enquanto a discussão continua em Londres, prosseguem os movimentos militares no tabuleiro de xadrez do Oriente Médio. O porta-voz do departamento militar russo, Igor Konashenkov, disse que, com base em algumas mudanças na infraestrutura de transportes na fronteira entre a Turquia e a Síria, além de outros sinais, é “razoável suspeitar que a Turquia esteja preparando uma intervenção militar na Síria, país soberano”.

Quem não esconde a intenção de enviar tropas terrestres para a Síria é a Arábia Saudita. A monarquia do Golfo Pérsico, até agora suspeita de ter financiado o Estado Islâmico, “está pronta para participar de qualquer operação terrestre contra o auto-proclamado Estado Islâmico na Síria”, declarou o coronel Ahmed Assiri, assessor do Ministério da Defesa de Riad e porta-voz da coligação árabe no Iémene, durante entrevista à rede al-Arabiya.


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